Liderança com Alma, a Comunicação Consciente

Postado por Norma Villares





Mirna Grzich
Revista e Rádio Imaginária

Para me conhecer melhor, preciso prestar atenção a mim mesmo, sair do piloto automático, estar PRESENTE. Conhecemos o mundo externo das sensações e ações, mas do nosso mundo interno de pensamentos e sentimentos nós conhecemos muito pouco. O objetivo inicial da meditação é tornar-se consciente e familiarizar-se com a vida interior. O objetivo final é alcançar a fonte vida e consciência. O estado de atenção plena (mindfullness) é a única maneira de passar pela vida realmente vivendo cada segundo. Distraídos, no passado ou no futuro, ou perdidos em nossas divagações, estamos adormecidos. Trazer a mente para casa é meditar.

E o que é meditar? É ter intimidade com seu mundo interior. Vamos para dentro de nós, como quem vai descamando uma cebola. Do físico passamos ao mental, depois ao energético, ao emocional e finalmente ao espiritual. E chegamos ao centro, isso é, ao vazio, à vacuidade, origem de tudo, campo das infinitas possibilidades. O vazio talvez seja a energia escura do universo.

Quando não tenho intimidade comigo mesmo fico desconfortável, tímido. Quando ocupamos com amor cada célula do nosso corpo, estamos exuberando. Abraham Maslov disse: "À voz divina dentro de nós se contrapõe não a voz do demônio, mas a voz da timidez."

Não existe nada mais difícil que a interiorização. Posso descrever a vida como uma espiral em que ora me perco de mim, ora me interiorizo, sendo que o movimento, a intenção, no meu caso, sempre é me interiorizar. Então eu me perco, me distraio, mas existe uma intenção em mim de voltar, sempre, então eu me lembro e volto. Quando temos uma prática espiritual, ou seguimos uma tradição, com a disciplina de um retiro ou vivência, fica mais fácil se lembrar e voltar pra si mesmo, observando o observador, nessa eterna espiral. Por isso tanta gente procura se iniciar, seguir algo. Mas esse trabalho interno pode ser feito sozinho, basta ter disciplina. Um poema sufi diz:

"Quando se distrair, volte
Quando cochilar, volte
Quando 'viajar', volte
Quando se perder, volte
Carinhosamente, persistentemente, volte
Isso é meditação."

O sentido da vida, segundo o físico Fritjof Capra, no seu famoso livro Ponto de Mutação, é a auto-organização, não a entropia, o caos. Ilia Prygogyne, que recebeu o Nobel de Química de 1977, pelos seus estudos em termodinâmica, alerta para isso. Que a entropia é uma das possibilidades, mas pode haver uma reversão, uma remissão. Que a segunda lei da Termodinâmica tinha sido mal entendida e explicada, e que ela era a possibilidade de caos, que poderia virar organização. Isso explicaria curas milagrosas através de um choque de fé, provocado por um xamã ou uma experiência religiosa. Numa reorganização interna, quando arrumamos nossa mandala, acontece a possibilidade da cura. 

Mas uma mente perturbada não vê a realidade. Por isso o Dr. David Servan -Schreiber, autor de dois maravilhosos livros - Curar e Anti-câncer - fala do stress e da cura das emoções. Ele menciona uma técnica do sufismo, que provoca a coerência dos batimentos cardíacos, que é simplesmente respirar através do coração. Isso nos tira do pânico de viver em tempos tão agitados, com tanta informação, tanta excitação. Inconscientes das nossas emoções, somos tomados por elas.

As emoções positivas nos dão uma perspectiva mais ampla das situações, isto é, nos dão clareza e confiança em nossos propósitos: onde estamos e para onde queremos ir. Elas nos trazem a sensação de felicidade, pois o sentido da vida torna-se energeticamente presente. Já as emoções negativas nos deixam descrentes quanto as nossas metas. Perdemos o significado da vida, e sentimos uma profunda tristeza.

Uma vez que as emoções positivas nos tornam disponíveis para o novo, ficamos flexíveis e abertos. Interessados em aprender, nos sentimos vivos, despertos. Portanto, as emoções positivas são reparadoras. Elas provocam bem estar e nos ajudam a superar emoções negativas, que, por sua vez, consomem nossa energia vital, deixando-nos exaustos e depressivos. Às vezes me surpreendo saindo de uma emoção negativa através de uma leitura inspiradora, uma música, um sorriso amigo. Mas o curioso é que só percebemos que estávamos nesse nível de energia quando saímos dele...Temos a tendência de mergulhar nas nossas emoções, em vez de observá-las. Como quando estamos no alto de um penhasco, olhando o mar furioso lá em baixo. A gente não se joga, a menos que seja muito bom de surf. Mas com nossas emoções, quando vemos, estamos imersos nelas, como um peixe na água. Como vivemos muito tempo fora de nós, no mundo exterior, fica muito difícil esse entrar para dentro, com consciência. Humberto Maturana, o famoso biólogo, diz que "quando nos conhecemos bem só aí podemos ampliar a mirada, a visão de mundo..."

Trabalhar a mitologia pessoal é uma forma de descrever a construção em desenvolvimento da realidade interior, enfatizando a noção de que todas as elaborações humanas da realidade são mitologias. Viver segundo um padrão mítico significa tornar-se consciente das origens pessoais e coletivas; consiste em buscar orientações em sonhos, imaginação e outras reflexões do ser interior, bem como em pessoas,nas práticas e nas instituições mais inspiradoras da sociedade. "Viver miticamente é também cultivar uma relação cada vez mais profunda com o universo e seus grandes mistérios." Joseph Campbel

Para ser Líder da Própria Vida
1º passo - promover a cura de aspectos do passado que ainda interferem a vida presente;
2º passo - olhar a mortalidade desta vida em relação à eternidade da existência, entender o que é estabelecer prioridades;
3º passo - aquietar a mente e se conectar com o conhecimento e a sabedoria vindos do mais íntimo de si;
4º passo - encontrar a visão e o propósito atualizados, isto é,"ver" os nossos motivos de viver a vida;
5º passo - encaminhar-se para a responsabilidade total pela própria existência, e estabelecer a estratégia de máxima eficiência e mínimo esforço.

Mas tudo isso depende do nível de consciência em que você está. Desenvolvida por Donald Beck, a Espiral da Consciência, em inglês Spiral Dinamics, explica que tanto nossa psique como a cultura da nossa civilização seguiram e seguem um caminho, um processo. Trabalhando com cores e conceitos sociais, que ele chama de mêmes, e sendo aplicada hoje em organizações e países, a teoria da Dinâmica da Espiral é poderosa e nos ajuda a compreender o que é liderança plena, quando entendemos os vários níveis de consciência e sabemos trabalhar com todos, sem exclusões ou preconceitos. Essa teoria serve de escopo para o trabalho de Ken Wilber, grande filósofo criador da Teoria Integral, que citaremos muito aqui na nossa coluna.

Don Beck explica que nascemos representados pela cor bege, carentes de tudo, assim como nos primórdios, nos tempos do homem das cavernas. Depois vem o púrpura, na cultura da sociedade representada pelo xamanismo, pela observação dos fenômenos, enquanto em nós crianças é a fase de falar com o amiguinho invisível, a fase mágica. Depois vem a adolescência, vermelha, competitiva, conquistadora. Na sociedade, a guerra, a conquista, o patriarcado. Daí vem a fase azul, o conformismo, a crença numa organização social. Tem a ver no nível pessoal com o nosso primeiro emprego, quando acreditamos naquela organização ou naquela igreja. Daí vem a fase laranja, do empreendedorismo, das aquisições. Queremos sair do emprego para abrir nosso próprio negócio. Na sociedade, o mundo capitalista como é hoje. Aí vem o verde, que por coincidência é verde mesmo, preocupado com o meio ambiente, a sustentabilidade, o igualitarismo, o partilhar. Mas ainda materialista, fazendo tudo por uma motivação externa.

Nesse ponto termina o primeiro nível da Espiral, o TER. Passamos então ao SER, quando acontece a iniciação em si mesmo, o autoconhecimento, representado pela cor amarela. Geralmente nessa fase saímos em sabático, nos iniciamos em alguma tradição espiritual, e queremos ficar sozinhos, para processar e elaborar todos esses novos significados. Finalmente, chega a fase turquesa, quando voltamos ao mundo, espiritualizados e energizados, para trabalhar e servir a humanidade, com uma visão não excludente dos outros níveis, comunicando com consciência, a partir de nós mesmos, a solidariedade, o serviço social, o trabalho com significado. Todos os níveis da espiral são superados através de uma crise, que acontece quando estamos prontos para mudar de nível.

Ken Wilber tem criticado o modus operandi dos verdes, dizendo que estão retardando o processo de mudança e evolução neste momento, com suas ONGs e trabalhos sociais muitas vezes desvinculados da consciência profunda do SER. E que alguém só pode realmente mudar o mundo se mudar a si mesmo, a partir de dentro, da sua consciência mais profunda. Que é a liderança com alma, a verdadeira comunicação consciente.


Fonte: http://www.unomarketing.com.br/Colunistas/artigo.aspx?titulo=Lideran%C3%A7a-com-Alma,-a-Comunica%C3%A7%C3%A3o-Consciente&id=34

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