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18 de abr. de 2010

DANIEL DUNGLS HOME

O MAIOR MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS DO SÉCULO XIX

Há numerosos livros sobre Daniel Home, e sobre ele paira o ar de mistério próprio de um médium com dons excepcionais, nunca conseguiram desmascará-lo. Nasceu em 1833 na cidade de Currie, perto de Edimburgo, Escócia. Ele foi batizado como Daniel Home e não Dunglas, ele acrescentou para dar crédito a sua alegação de que provinha de família aristocrática. Na verdade o pai de Home era um operário beberrão. Na infância Home foi adotado por uma tia sem filhos, que oito anos depois emigrou com o marido para os Estados Unidos e estabeleceu-se em Connecticut. Home começou a ter visões na adolescência e ao 12 anos provocava batidas similares às da irmãs FOX e fazia a mobília mover-se, sua tia presbiteriana convicta que era o demônio o expulsou de casa.

A partir daí, Home tornou-se um eterno hóspede. Passou a viver à custa da hospitalidade dos outros. Era elegante, carismático, tocava piano, recitava, conversava com eloqüência. Era uma personalidade agradável e suas sessões assombrosas. Nunca em sua carreira cobrou pelas sessões.




(Em estado de transe, D.Home projetou uma mesa contra o teto na presença de Napoleão III)


Em toda sua vida muitas testemunhas fidedignas afirmavam que sobre ele pairava um carisma especial. A sua presença conseguia fazer a sala inteira tremer como um terremoto. Sob o seu comando, uma mesa de 50 quilos flutuava no ar. Ele era capaz de levitar, alongar o corpo, esfregar carvões em brasa no rosto sem nenhum dano. Viram-se labaredas coroando-lhe a cabeça. Fazia Espíritos aparecerem em forma integral.


Daniel Dunglas Home (pronounced "Hume")



O Prof. David Wells de Harvard, foi o primeiro pesquisador a estudar Home. Em suas sessões obteve resultados espantosos. Mesas voavam, o pesquisador e três testemunhas sentaram na mesa, mesmo assim continuava a voar e deslizar sobre toda sala.






Em 1852 Home consegue levitar o seu próprio corpo. E quem tentasse segurar o corpo de Home levitava também. Fazia aparecer mãos e até aparições de corpo inteiro.




A célebre sessão de dezembro de 1868, em que saiu flutuando por uma janela e entrou por outra, continua sendo motivo de polêmica. O senhor de Lindsay (conde de Crawford, mais tarde) testemunhou o fenômeno e depôs: “Eu estava reunido com o sr. Home, lorde Adare e um primo dele (o capitão Wynne). Durante a sessão, o sr. Home entrou em transe e nesse estado flutuou e foi levado para fora do apartamento, através da janela da sala contígua à nossa. Depois, sempre flutuando, voltou para o apartamento, passando por nossa janela. A distân-cia entre ambas as janelas era de 2,30 metros e não havia nenhum beiral. A projeção de cada janela não passava de 30 centímetros e servia de floreira. Nós ouvimos a vidraça da sala ao lado subir, e logo em seguida vimos Home flutuando no ar do lado de fora de nossa janela. A lua cheia iluminava a sala; de costas para a luz, eu vi na parede a sombra do peitoril da janela, e os pés de Home uns 15 centímetros acima dela. Ele ficou nessa posição por alguns segundos, e então suspendeu a vidraça e entrou na sala com os pés na frente, sentando-se em seguida”.


(colocou uma guirlanda de flores na cabeça de Elizabeth Barret Browning)


Sofria de tuberculose e os espíritos aconselharam ir para Inglaterra. Em Londres, se hospedou na casa de um rico advogado Sr. John Rymer, e realizou uma de suas sessões mais famosas, com a presença de ilustres poetas Sr. Roberto e Elizabeth Browning. A mesa moveu-se, produziu batidas, mãos espectrais tocavam sinos e melodias e apanhou da mesa uma girlanda de flores e colocou-a na cabeça de Elizabeth. O Sr. Roberto Browning perseguiu HOME fazendo piadas com o sobrenome DUNGAS, passou a chamá-lo DUNGBALL ( bola de esterco). Algum tempo depois escreveu seu famoso poema “Mr. Sludge, the Medium” (Sr. Lamaçal, o Médium), chamava entre outras coisas desagradáveis, de vigarista, impostor, sanguessuga, bajulador, gabola e beberrão. Historiadores contavam que Roberto Browning ouvira boatos de que HOME era homossexual, e não conseguia suportar que uma pessoa assim tivesse contato algum com sua amada esposa.



(mãos espectrais apareciam e tocavam sinos)


HOME perdeu o brilho na Inglaterra e rumou a Itália, levando cartas de apresentação de seus amigos britânicos. Mas na Itália, foi ferido por um camponês que acreditava que HOME era um feiticeiro. Seus guias espirituais informaram que seus poderes o abandonariam por um ano, e foi o que sucedeu.






Em 1857, HOME foi a Paris, e foi chamado por Napoleão II e sua esposa Eugênia. Numa sessão, A imperatriz segurou a mão de um espírito que reconheceu seu falecido pai, por uma deformidade caracteristica em um dedo. HOME desfrutou da confiança das altezas imperiais.



Foi a Rússia, e tornou-se íntimo do Czar Alexandre II. Home conheceu na Itália uma jovem russa Alexandrina de Kroll, com quem planejou se casar. O Czar abençoou as núpcias e deu valiosos presentes. O padrinho de casamento foi Alexandre Dumas, autor do “Os Três Mosquiteiros”, entre os convidados estavam o primo de Leon Tolstoi , Sr. Aleixei Tolstoi. O casamento durou pouco, Madame Home morreu de tuberculose. Se encontrava em dificuldades financeiras e tornou-se escultor, e foi morar no Vaticano onde foi expulso, por acusação de feitiçaria.


A sessão mas espantosa e polêmica de sua carreira, foi em 13 ou 16 de dezembro de 1868, fez uma sessão para James Ludovic Lindsay, Lord Adare e Wynne. A sala estava iluminada pelo luar, HOME começou a andar pela sala e seu corpo alongou-se e elevou-se no ar. Quando ele tocou no chão, disse aos amigos, não se assustem, não saiam dos lugares, saiu da sala e o uma voz surrou no ouvido de Lindsay: “Ele vai sair por uma janela e entrar por outra”. Ao ouvir isso, a jovem aristocrata deu um grito, pois pelos cálculos o apartamento ficava 25 metros do chão. Todos ouviram a janela abrir-se e HOME do lado de fora em pleno ar. Com toda calma, abriu a janela e entrou na sala, sentou-se e começou a rir. Perguntaram-lhe sobre o riso e ele respondeu: Se um guarda passasse e olhasse para cima, veria um homem girando no ar junto a parede ficaria estupefato. Esta sessão ajudou a HOME recuperar sua reputação, logo depois casou de novo com uma nobre russa.


Os críticos do espiritismo tinha uma especial inimizade a HOME. Charles Dickens chamou-o de “ bandido e salafrário”. O mágico Harry Houdini se ofereceu a fazer o mesmo de HOME, chamava o médium de “hipócrita da pior espécie”. Mas ninguém jamais provou umas fraude de HOME, e em duas décadas de mediunidade HOME nunca foi pego cometendo trapaça. Este fato desataca-o entre os médiuns da era Vitoriana.

Impressionantes fenômenos atestados por testemunhas:

Os empregados do hotel Cox, na rua Jermyn, olhavam-se inquietos, aquela tarde de inverno de 1855. Desconfiavam de que algo estava ocorrendo num dos quartos do segundo andar, ocupado por um tal Mr. Home. O patrão estreitara sua amizade com aquele cavalheiro cujo olhar penetrante continuava impressionando vivamente o pessoal do estabelecimento.

Enquanto a chuva repicava nas vidraças como marteladas, quatro pessoas reunidas à volta de uma pesada mesa: Lord Broughant, Sir David Brewster, Mr. Cox e Daniel Douglas Home. Brewster era professor de Física e ficou muito impressionado com o que aconteceu, aquela tarde chuvosa. A mesa começou a vibrar de uma forma inquietante. A luz, filtrada através das úmidas vidraças, deixava ver, perfeitamente, tudo o que acontecia. Num momento dado, as trepidações quase insuportáveis do móvel transformaram-se em assustadores golpes, como se um punho invisível batesse furiosamente sobre o tabuleiro. No entanto, nenhum dos assistentes à sessão, tinha contato com aquele. Espontaneamente, a mesa levantou-se uns palmos do chão. Levitando no ar, oscilava de um modo estranho durante uns minutos e em seguida caía bruscamente. Mr. Cox colocou um sininho sobre o tapete, Durante um tempo, este permaneceu imóvel, até que, finalmente, começou a tocar, agitando-se, violentamente, sem que ninguém tivesse estabelecido contato com o abeto de bronze. O indutor inconsciente daqueles fenômenos surpreendentes parecia ser Mr. Home. Espírita convicto, não duvidava de que as entidades do «outro-mundo» manifestavam-se por meio da sua pessoa. Em 1857, foi convidado às Tullerias, em Paris, e Napoleão III pôde comprovar as maravilhosas faculdades do jovem Daniel. Uma mesa de madeira maciça foi projetada contra o teto e um lápis, manejado misteriosamente, traçou a caligrafia de Napoleão Bonaparte. Dele, contou Lord Adare, que, no dia 16 de dezembro de 1868, estando em fase de transe, saiu para a rua, pela janela, flutuando no espaço, e do mesmo jeito tornou a entrar no cômodo, diante da angustiosa expectativa dos presentes.

Até William Crookes, o eminente físico a quem se deve as análises mas importantes sobre os raios catódicos – que tornam possível a televisão dos nossos dias –, descobridor do elemento químico tálio (1861'ì e inventor do radiômetro, mostrou-se interessado em estudar os fenômenos gerados por aquele singular britânico. Em 1869, iniciou seus trabalhos com Homes. Seus instrumentos de laboratóno permitiram avaliar a intensidade das forças misteriosas que o médiun exercia sobre a matéria.



Fenômenos pesquisados por Willian Crokes:

Um dos casos mais convincentes de fotogênese foi realizado por Daniel Home, foi o aparecimento de luzes em toda classe de formas. Umas vezes uma pequena bola luminosa flutuava no ar, outras vezes, apareciam pequenas luzinhas, como chuva de estrelas ou diminutos fogos de artifício. Numa ocasião, viram-se umas como línguas de fogo repousando ou saindo da cabeça de Home.

Inclusive alguma ou outra vez foi observada uma luz bem mais intensa, pois era visível na sala bem iluminada. Escreve, a propósito William Crookes: "Em plena luz, vi uma nuvem luminosa pairar sobre um helicóptero, colocado em cima de uma mesa, ao nosso lado e, em algumas ocasiões, percebi uma nuvem semelhante condensar-se sob nossos olhos."

Algumas vezes, luzes errantes, fosforescentes, tocaram os corpos dos assistentes, oferecendo a sensação de contato com um corpo sólido.

O caso acima foi estudado por William Crookes, que diz: "Tenho apenas a necessidade de lembrar aos meus leitores que... tomei todas as precauções convenientes para evitar que lançassem mão de óleo fosforado ou de outros meios. Ademais, muitsa dessas luzes eram de natureza tal que não pude chegar a imitálas por meios artificiais; sob as mais rigorosas condições de exame..."

Daniel Home produzia também o fenômenos Extra-Normal chamado Tiptologia, como veremos abaixo, nas palavras de William Crookes:

"Por diversas vezes, durante as minhas experiências, ouvi pancadas delicadas como produzidas pela ponta de um alfinete, (outras vezes) como uma cascata de sons penetrantes: os de qualquer máquina de indução em plena atividade; detonações no ar, (ou ainda), leves reídos metálicos, estalidos agudos, como os que se ouvem quando uma máquina trituradora esta em atividade; sons que pareciam arranhaduras, gorjeitos como os de um pássaro, etc.".

Diante da pesquisa o Dr.William Crookes atestou a autenticidade dos fenômenos produzidos. Seu relatório sobre a pesquisa efetuada foi publicado no Quarterly Journal of Science, de julho de 1871. Nele, Crookes admitia que a sua mente racional assegurava a impossibilidade de tudo o que observara; entretanto, reconhecia estar plenamente convencido de que Home era capaz de levitar, segurar brasa, alongar-se e fazer com que os objetos flutuassem no ar.



Apesar de ser repetitiva vou postar a narração de Allan Kardec acerca de Daniel Home, em duas Revistas Espíritas, apresenta-o da seguinte forma:


"É um jovem de talhe mediano, louro, cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrico; é de compleição muito delicada, de costumes simples e suaves, de um caráter afável e benevolente sobre o qual o contato das grandezas não lançou nem arrogância e nem ostentação.

Dotado de uma excessiva modéstia, jamais exibiu a sua maravilhosa faculdade, jamais falou de si mesmo, e se, na expansão da intimidade, conta coisas que lhe são pessoais, é com simplicidade, e jamais com a ênfase própria das pessoas com as quais a malevolência procura compará-lo.

Vários fatos íntimos, que são do nosso conhecimento pessoal, provam nele nobres sentimentos e uma grande elevação de alma; nós o constatamos com tanto maior prazer quanto se conhece a influência das disposições morais sobre a natureza das manifestações.

O Senhor Home é um médium do gênero daqueles que produzem manifestações ostensivas, sem excluir, por isso, as comunicações inteligentes; mas as suas predisposições naturais lhe dão, para as primeiras, uma aptidão mais especial.

Sob a sua influência, os mais estranhos ruídos se fazem ouvir, o ar se agita, os corpos sólidos se movem, se erguem, se transportam de um lugar a outro através do espaço, instrumentos de música fazem ouvir sons melodiosos, seres do mundo extra-corpóreo aparecem, falam, escrevem e, freqüentemente, vos abraçam até causar dor.

Ele mesmo foi visto, várias vezes, em presença de testemunhas oculares, elevado sem sustentação a vários metros de altura.

Do que nos foi ensinado sobre a classe dos Espíritos que produzem, em geral, essas espécies de manifestações, não seria preciso disso concluir que o Sr. Home não está em relação senão com a classe íntima do mundo espírita.

Seu caráter e as qualidades morais que o distinguem, devem, ao contrário, granjear-lhe a simpatia dos Espíritos Superiores; ele não é, para esses últimos, senão um instrumento destinado a abrir os olhos dos cegos por meios enérgicos, sem estar, por isso, privado de comunicações de uma ordem mais elevada.

É uma missão que aceitou; missão que não está isenta nem de tribulações e nem de perigos, mas que cumpre com resignação e perseverança, sob a égide do Espírito de sua mãe, seu verdadeiro anjo guardião.

A causa das manifestações do senhor Home é inata nele; sua alma, que parece não prender-se ao corpo senão por fracos laços, tem mais afinidade pelo mundo espírita do que pelo mundo corpóreo; por isso ela se prepara sem esforços, e entra, mais facilmente que em outros, em comunicação com os seres invisíveis.

Essa faculdade se revelou nele desde a mais tenra infância. Com a idade de seis meses, seu berço se balançava inteiramente sozinho, na ausência de sua babá, e mudava de ligar. Nos seus primeiros anos, era tão débil que tinha dificuldade para se sustentar, sentado sobre um tapete, os brinquedos que não podia alcançar, vinham, eles mesmos, colocar-se ao seu alcance. Com três anos teve as suas primeiras visões, mas não lhes conservou a lembrança. Tinha nove anos quando sua família foi se fixar nos Estados Unidos; aí os mesmos fenômenos continuaram com uma intensidade crescente, à medida que avançava em idade, mas a sua reputação, como médium, não se estabeleceu senão em 1850, por volta da época em que as manifestações espíritas começaram a se tornar populares nesse país.

Em 1854, veio para a Itália, nós o dissemos, por sua saúde; espanta Florença e Roma com verdadeiros prodígios.

Convertido à fé católica, nessa última cidade, tomou a obrigação de romper as suas relações com o mundo dos Espíritos. Durante um ano, com efeito, seu poder oculto parece tê-lo abandonado; mas como esse poder estava acima de sua vontade, a cabo desse tempo, assim como lhe havia anunciado o Espírito de sua mãe, as manifestações se produziram com uma nova energia.

Sua missão estava traçada; deveria distinguir-se entre aqueles que a Providência escolheu para nos revelar, por sinais patentes, a força que domina todas as grandezas humanas.

Para o senhor Home, os fenômenos se manifestam, algumas vezes, espontaneamente, no momento em que menos são esperados.

O fato seguinte, tomado entre mil, disso é uma prova. Desde há mais de quinze dias, o senhor Home não tinha podido obter nenhuma manifestação, quando, estando a almoçar na casa de um dos seus amigos, com duas ou três pessoas do seu conhecimento, os golpes se fazem súbito ouvir nas paredes, nos móveis e no teto.

Parece, disse, que voltaram. O senhor Home, nesse momento, estava sentado no sofá com um amigo.

Um doméstico trás a bandeja de chá e se apressa em colocá-la sobre a mesa, situada no meio do salão; esta, embora fosse pesava, se eleva subitamente e se destaca do solo em 20 a 30 centímetros de altura, como se tivesse sido atraída pela bandeja; apavorado, o criado deixa-a escapar, e a mesa, de pulo, se atira em direção do sofá e vem cair diante do senhor Home e seu amigo, sem que nada do que estava em cima tivesse se desarrumado.

Esse fato, sem contradita, não é o mais curioso daqueles que teríamos a relatar, mas apresenta essa particularidade, digna de nota, de ter se produzido espontaneamente, sem provocação, num círculo íntimo, onde nenhum dos assistentes, cem vezes testemunhas de fatos semelhantes, tinha necessidade de novos testemunhos; seguramente, não era o caso para o Senhor Home de mostrar as suas habilidades, se habilidades havia.” (1)

Outras manifestações: O que distingue Daniel Douglas Home é sua mediunidade excepcional.

Enquanto outros médiuns obtém golpes leves, ou o deslocamento insignificante de uma mesa, sob a influência do senhor Home os ruídos, os mais retumbantes, se fazem ouvir, e todo o mobiliário de um quarto pode ser revirado, os móveis montando uns sobre os outros.

Igualmente os objetos inertes, ele próprio é elevado até o teto (levitação), depois desce do mesmo modo, muitas vezes sem que disso se aperceba.

De todas as manifestações produzidas pelo Sr. Home, a mais extraordinária é a das aparições, segundo análise de Allan Kardec.

Do mesmo modo sons se produzem no ar ou instrumentos de música tocam sozinhos.

“Seguramente, se alguém fosse capaz de vencer a incredulidade por efeitos materiais, este seria o senhor Home. Nenhum médium produziu um conjunto de fenômenos mais surpreendentes, nem em melhores condições de honestidade.” (2)

O senhor Home realizou várias experiências perante o Imperador Napoleão II.

Durante essas experiências, obteve-se uma prova concreta da assinatura de Napoleão Bonaparte, com a presença da Imperatriz Eugênia, cujo fato aumentou grandemente sua fama.

Jamais esse excepcional médium mercadejou seus preciosos dons mediúnicos.

Teve inúmeras oportunidades, mas sempre se recusou. Dizia ele:

“Fui mandado em missão. Essa missão é demonstrar a imortalidade. Nunca recebi dinheiro por isso e jamais receberei.”

Como todo o médium, o senhor Home foi caluniado e ferido em sua dignidade, mas nunca lhe faltou, nas horas mais difíceis, o amparo de seus mentores espirituais."


HOME morreu de tuberculose em 1868, com 53 anos de idade, sua viúva pediu a Prefeitura de Edimburgo que constituísse um memorial em sua honra e ofereceu-se a pagar 500 libras pelo projeto. Foi erguido o monumento – uma fonte pública com o busto de HOME, depois quebrou e foi demolida.



Referências Bibliográficas:

1. EVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS. Espíritos materializados. In:___. Coleção: Mistérios do Desconhecido. Editora Rio de Janeiro: Editores de Time-Life Livros. Abril Livros, 1991;

2. Revista Espírita de 1858, mês de fevereiro. Allan Kardec.

3. Revista Espírita de 1863, mês de setembro.Allan Kardec.

4. http://www.sobrenatural.org/materia/detalhar/4015/daniel_douglas_home/.

7 de mar. de 2010

O PODER DO MÉDIUNS

A ciência comprova que o cérebro deles é diferente

A edição da Revista ISTOÉ nº. 2030 trás uma reportagem sobre Médiuns e Mediunidade muito interessante e que quero partilhar com vocês.

"Como a ciência justifica as manifestações de contato com espíritos e por que algumas pessoas desenvolvem o dom. (por Suzane Frutuoso fotos Murillo Constantino).

O espiritismo é seguido por 30 milhões de pessoas no mundo. O Brasil é a maior nação espírita do planeta. São 20 milhões de adeptos e simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira no último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2,3 milhões declararam seguir os preceitos do francês Allan Kardec, o fundador da doutrina. A mediunidade, popularizada pelas psicografias de Chico Xavier, em Uberaba (MG), ganhou visibilidade nos últimos anos na mesma proporção em que cresceu o espiritismo. Mas nada se compara ao poder da mídia atual, que permite debater os ensinamentos da religião por meio de livros, programas de tevê e rádio. Os romances com temática espiritualista de Zíbia Gasparetto, por exemplo, são presença constante nas listas de mais vendidos.

Embora não haja estatísticas de quantos entre os praticantes são médiuns, o que se observa é uma quantidade maior de pessoas que afirmam possuir o dom. O interesse pela religião codificada por Kardec é confirmado pelo recorde de público do filme Bezerra de Menezes o diário de um espírito, do cineasta Glauber Filho: 250 mil espectadores, desde o lançamento nos cinemas, em 29 de agosto. Um número alto para uma produção nacional. O longa, com o ator Carlos Vereza (também praticante do espiritismo) no papel-título, conta a história do cearense que ficou conhecido como “médico dos pobres”, se tornou ícone da doutrina e orienta médiuns em centenas de centros a se dedicar ao bem e à caridade.


















PSICOGRAFIA
Instrumento por meio dos livros

A psicóloga Marilusa Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, é conhecida no espiritismo pela sua vasta literatura psicografada. Em 40 anos de dedicação à mediunidade, publicou 61 livros. Seu orientador é o espírito do poeta Tomás Antonio Gonzaga, que participou da Inconfidência Mineira. A dedicação à psicografia levou Marilusa a fundar em 1985 a Editora Espírita Radhu, sigla para renúncia, abnegação, desprendimento e humildade, a base dos ensinamentos na doutrina. Ela reúne outros dons, como ouvir, falar e enxergar espíritos e ser instrumento deles na pintura mediúnica. “Os vários tipos surgiram desde a infância”, conta Marilusa, que nasceu numa família espírita. “O controle da mediunidade é indispensável. O médium não é joguete do espírito. Eles interagem, num acordo mútuo de tarefa.”

Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade. Qualquer um seria capaz de emitir pensamentos em forma de ondas eletromagnéticas que chegariam a outros planos. O que torna algumas pessoas especiais, segundo os praticantes, a ponto de se transformarem em canais de comunicação com os mortos, é uma missão designada antes mesmo de nascerem, determinada por ações em vidas anteriores e que tem na caridade o objetivo final. “É uma tarefa em favor da evolução de si mesmo e da ajuda ao próximo”, diz Julia Nesu, diretora do departamento de doutrina da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Fenômenos relacionados a pessoas que falavam com mortos e envolvendo objetos que se mexiam são relatados desde o século XVII, tanto na Europa quanto nas Américas, mas hoje cientistas tentam compreender o fenômeno. Algumas linhas de pesquisa mostram que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais.


São cinco os meios de expressão da mediunidade. A psicografia, que consagrou Chico Xavier, é a mais conhecida. Nela, o médium escreve mensagens e histórias que recebe de espíritos. Estaria sob o controle deles o que as mãos transcrevem. A vidência permite enxergar os mortos que não conseguiram se desvencilhar da Terra ao não aceitarem a morte ou que aparecem para enviar recados a entes queridos. Na psicofonia, o sensitivo é capaz de ouvir e reproduzir o que os espíritos dizem e pedem. A psicopictografia, ou pintura mediúnica, permite ao médium ser instrumento de artistas desencarnados (termo usado pela doutrina para designar mortos). A mediunidade da cura é responsável pelas chamadas cirurgias espirituais. Não é incomum um mesmo indivíduo reunir mais de um tipo de dom.




VIDÊNCIA
Ver e auxiliar aqueles que estão em outro plano
Aos cinco anos, o chefe de faturamento hospitalar Ivanildo Protázio, de São Paulo, 49 anos, pegava no sono com o carinho nos cabelos que uma senhora lhe fazia todas as noites. Descobriu tempos depois que era a avó, morta anos antes. Aos 19 anos, os espíritos já se materializavam para ele.“Nunca tive medo. Sempre me pareceu natural.” A mãe, que trabalhava na Federação Espírita, o encaminhou para as aulas em que aprenderia a lidar com o dom. Hoje, Protázio é professor de educação mediúnica. Essa é uma parte da sua missão. A outra é orientar os espíritos que lhe pedem auxílio para entender o que aconteceu com eles. A oração é o remédio. “Os espíritos superiores me ensinaram a importância da caridade para nossa própria evolução.”


A reportagem de ISTOÉ presenciou uma manifestação mediúnica em Indaiatuba, interior de São Paulo. O tom de voz baixo e os gestos delicados de Solange Giro, 46 anos, sugeriam que ela carrega certa timidez ao expor a própria vida numa conversa com um estranho. Cerca de duas horas depois, porém, é difícil acreditar no que os olhos vêem. Diante de uma tela em branco, sobre uma mesa improvisada com dezenas de tubos de tinta, a mulher começa a pintar um quadro na seqüência de outro. O tempo gasto em cada um não passa de nove minutos. As obras são coloridas e harmoniosas. “Nunca fiz aula de artes. Mal conseguia ajudar meus filhos com os desenhos da escola”, diz, minutos antes da apresentação. A discreta Solange dá lugar a uma pessoa que fala alto, canta e encara os interlocutores nos olhos, com ar desafiador. A assinatura nas telas não leva seu nome, mas de artistas famosos e já mortos , como Monet, Mondrian e Tarsila do Amaral. Seria uma interpretação digna de uma atriz? Talvez. O que difere o momento de uma encenação é subjetivo e dá margem a dezenas de explicações convincentes ou não. Talvez seja possível encontrar respostas no que a artista diz a cada uma das pessoas da platéia presenteadas com um dos dez quadros produzidos na noite. Enquanto entregava a obra, ela desferia características e situações de vida de cada um absolutamente desconhecidas dela. O mentor que a guia é o médico holandês Ernst, que viveu no século XVII. A sensitiva garante que era ele, não ela, quem estava presente na pintura dos quadros.


Nem sempre é fácil aceitar a mediunidade, que pode causar medo quando começa a se manifestar. “Ainda hoje não gosto quando vejo o possível desencarne de alguém. Nestas horas, preferia não saber”, conta a psicóloga Marilusa Moreira Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, que psicografa. O médium de cura Wagner Fiengo, analista fiscal paulistano, 37 anos, chegou a se afastar da doutrina. “Aos 13 anos não entendia por que presenciava aquilo.” Para manter a sanidade e o equilíbrio, as pessoas que possuem dons e querem fazer parte da religião espírita precisam se dedicar à educação mediúnica. O curso leva cinco anos. Inclui os ensinamentos que Allan Kardec compilou no Livro dos Espíritos a obra que deu base ao entendimento da doutrina e no Livro dos Médiuns que explica quais são os tipos de mediunidade, como eles se manifestam e os cuidados a serem tomados. Entre eles, o combate a falhas de comportamento, como vaidade, orgulho e egoísmo. O Espiritismo prega que as imperfeições da personalidade atraem espíritos com a mesma vibração. “O pensamento é tudo. Aqueles que pensam positivo atrairão o que é semelhante. O mesmo acontece com o pensamento negativo e os vícios. Quem gosta de beber, por exemplo, chama a companhia de espíritos alcoólatras”, afirma o professor de educação mediúnica Ivanildo Protázio, 49 anos, de São Paulo, que tem o dom da vidência.


PSICOFONIA
Falar o que os espíritos querem dizer
A intuição do servidor público Geraldo Campetti, 42 anos, de Brasília,começou na infância. Ele tinha percepções inexplicáveis, das quais mais ninguém se dava conta. Era como se absorvesse sentimentos que não eram seus. Apenas identificava que existia algo além do que seus olhos enxergavam. Até que as sensações começaram a tomar forma. Campetti passou a ouvir súplicas de ajuda. De espíritos, inconformados com a morte. Aos 29 anos, não se assustou. De família espírita, conhecia a mediunidade. “Mas sabia que precisava estudar para manter o equilíbrio”, diz. Hoje diretor da Federação Espírita Brasileira, afirma ter controle sobre o dom de ouvir e transmitir recados dos mortos. Eventualmente, um espírito pede uma mensagem à pessoa com quem ele conversa. “Isso é espontâneo, não da minha vontade.”



Imaginar que convivemos no cotidiano com pessoas que estão mortas vai além da compreensão sobre a vida pelo menos para quem não acredita em reencarnação. Mas até na ciência já existem aqueles que conseguem casar racionalidade com dons espirituais. Esses especialistas afirmam que a mediunidade é um fenômeno natural, não sobrenatural. E que o mérito de Allan Kardec foi explicar de maneira didática o que sempre esteve presente e registrado desde a criação do mundo em todas as religiões. O que seria, dizem os defensores da doutrina, a anunciação do Anjo Gabriel a Maria, mãe de Jesus, se não um espírito se comunicando com uma sensitiva?


Apesar desse contato constante, os mortos, ou desencarnados, como preferem os espíritas, não aparecem em “carne e osso”. A ligação com o mundo dos vivos seria possível graças ao perispírito, explica Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira. “Ele é o intermediário entre o corpo e o espírito. A polpa da fruta que fica entre a casca e o caroço.” O perispírito seria formado por substâncias químicas ainda desconhecidas pelos pesquisadores terrenos, garantem os adeptos do espiritismo. “É a condensação do que Kardec batizou como fluido cósmico universal”, afirma o neurocirurgião Nubor Orlando Facure, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas. Nas quatro décadas em que estuda a manifestação da mediunidade no cérebro, Facure mapeou áreas cerebrais que seriam ativadas pelo fluido.




CURA
Cirurgias sem dor nem sangue

O primeiro espírito a se materializar para o analista fiscal Wagner Fiengo, 37 anos, de São Paulo, foi de um primo. Ele tinha dez anos, teve medo e se afastou. Mas, na juventude, um tio, seguidor da doutrina, avisou que era hora de ele se preparar para a missão que lhe fora reservada. Por meio da psicografia, seu guia espiritual, o médico Ângelo, informou que teriam um compromisso: curar pessoas. Ele não foi adiante. Uma pancreatite surgiu sem que os médicos diagnosticassem os motivos. Há quatro anos, seu guia explicou que as doenças eram ajustes a erros que Fiengo havia cometido numa vida passada. A missão era a forma de equilibrar a saúde e a alma. Em 2004, iniciou as cirurgias espirituais. Ele diz que não é uma substituição ao tratamento convencional. “É um auxílio na cura de fatores emocionais e físicos.”


Comprovar cientificamente a mediunidade também é objetivo do psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira, professor de medicina e espiritualidade da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Médica-Espírita de São Paulo. Com exames de tomografia, ele analisou a glândula pineal (uma parte do cérebro do tamanho de um feijão) de cerca de mil pessoas. “Os testes mostraram que aqueles com facilidade para manifestar a psicografia e a psicofonia apresentam uma quantidade maior do mineral cristal de apatita na pineal”, afirma Oliveira. Ele também atende, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, casos de pacientes de doenças como dores crônicas e epilepsia que receberam todos os tipos de tratamento, não tiveram melhora e relatam experiências ligadas à mediunidade. “Somamos aos cuidados convencionais, como o remédio e a psicoterapia, a espiritualidade, que vai desde criar o hábito de orar até a meditação. E os resultados têm sido positivos.” Uma pesquisa de especialistas da USP e da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada em maio no periódicoThe Journal of Nervous and Mental Disease, comparou médiuns brasileiros com pacientes americanos de transtorno de múltiplas personalidades (caracterizado por alucinações e comportamento duplo). Eles concluíram que os médiuns apresentam prevalências inferiores de distúrbios mentais, do uso de antipsicóticos e melhor interação social.


A maior parte dos cientistas acredita que a mediunidade nada mais é do que a manifestação de circuitos cerebrais. Alguns já seriam explicáveis, como os estados de transe. Pesquisas da Universidade de Montreal, no Canadá, e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, comprovaram que, durante a oração de freiras e monges católicos, a área do cérebro relacionada à orientação corporal é quase toda desativada, o que justificaria a sensação de desligamento do corpo. Os testes usaram imagens de ressonâncias magnéticas e tomografias feitas no momento do transe.


A teoria seria aplicável ao transe mediúnico, quando o médium diz incorporar o espírito e não se lembra do que aconteceu. Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, estudaram pessoas que estiveram entre a vida e a morte e relataram se ver fora do próprio corpo durante uma operação ou entrando em contato com pessoas mortas. Os estudiosos concluíram se tratar de um fenômeno fisiológico produzido pela privação de oxigênio no cérebro. Trabalhando sob stress, o órgão seria também inundado de substâncias alucinógenas. As imagens criadas pela mente seriam apenas a retomada de percepções do cotidiano guardadas no inconsciente.





PSICOPICTOGRAFIA
Milhares de quadros pintados

Criada numa família católica, Solange Giro, 46 anos, de Parapuã, interior de São Paulo, teve o primeiro contato com o espiritismo aos 20 anos, ao conhecer o marido. Ele, que perdera uma noiva, buscava o entendimento da morte. Já casada e com dois filhos, passou a sofrer de depressão. Encontrou alívio na desobsessão (trabalho que libertaria a pessoa de um espírito que a domina). A mediunidade dava os primeiros sinais. Logo passou a ouvir e ver espíritos. O dom da psicografia veio em seguida. Era um treino para ser iniciada na pintura mediúnica. “Pintei cinco mil quadros no primeiro ano. Estão guardados. Não tive autorização para mostrálos”, conta Solange, que diz nunca ter estudado artes. Nos últimos 13 anos, ela recebeu aval de seu mentor para vender os quadros. O dinheiro é revertido para a caridade.


O psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira rebate a incredulidade. “Se uma pessoa está em cirurgia numa sala e consegue descrever em detalhes o que ocorreu em um ambiente do outro lado da parede, é possível ser apenas uma sensação?” Essa é uma pergunta que nenhuma das frentes de pesquisa se arrisca ou consegue a responder com exatidão. Da mesma maneira que todos os presentes à sessão de pintura em Indaiatuba saíram atônicos, sem conseguir explicar como alguém que conheceram numa noite foi capaz de decifrar suas angústias mais inconfessáveis."



Fonte: Revista ISTOÉ nº. 2030 de 1/10/2008.


16 de dez. de 2009

EUSÁPIA PALADINO

(foto de 1893)

Eusápia Paladino nasceu em Minervino, sul da Itália, no dia 31 de março 1854 e desencarnou no dia 9 de julho de 1918, na cidade de Nápoles, também na Itália. Foi primeira médium italiana, de efeitos físicos a ser submetida a experiências pelos cientistas da época, tais como César Lombroso, Alexandre Aksakof, Charles Richet e outros.

Era baixinha, rechonchuda e desalinhada, de belo tinha apenas o basto cabelo negro e expressivos olhos castanhos. Criada em Nápoles, era grosseira e analfabeta. Contudo às vezes intimidava os interlocutores, alguns de melhor situação social e intelectual ( a quem costumava dedicar um altivo desprezo) E tinha razão; era mesmo especial.

Sua mãe faleceu quando ela nasceu e morava com o seu pai, nessa época Eusapia ouvia batidas nas peças do mobiliário, para as quais ela dirigia o olhar. Quando ficava no escuro, via olhos a observarem-na. À noite, apavorava-se ao sentir que mãos invisíveis puxavam os seus cobertores. Mas, quando ela alcançou a idade de doze anos, fora morto por bandidos.

Após a morte do pai foi residir em casa de casal rico, trabahando como empregada. Em casa dos seus patrões ela foi logo notada como sendo uma jovem diferente das demais. Era costume na Europa, naquela época, as famílias divertirem-se consultando as mesas girantes. Uma ocasião, as pessoas com as quais ela convivia convenceram-na a sentar-se à mesa na companhia de outros participantes. Passados alguns instantes, a mesa levitou, as cadeiras deslizaram sozinhas pelo chão, as cortinas da sala agitaram-se, os copos, garrafas e outros objectos da cristaleira tiniram, batendo uns nos outros. Feita uma triagem entre os presentes à mesa, logo se descobriu que Eusapia era a potente médium causadora daquilo tudo.


As primeiras manifestações de sua mediunidade consistiram no movimento e levitação espontâneos de objetos, quando contava apenas quatorze anos de idade, registrados na casa de um amigo, com quem residia. Diz-se que já nesta idade experimentava fenômenos semelhantes aos de POLTERGEIST, que fazia com freqüência, móveis faziam barulho, mãos invisíveis puxavam suas cobertas à noite. Órfã, Eusápia foi pra Nápoles, já demasiada independente para aceitar a amizade dos adultos que tentaram protegê-la e alimentá-la. No início da adolescência trabalhou como enfermeira e lavadeira, até encontrar sua verdadeira vocação.

Isto sucedeu de modo peculiar, aos vinte e três anos de idade, morava em Nápoles quando conheceu um casal que passou à história apenas como Senhor e Senhora G. Damiani, eles eram espíritas fervorosos. Certo dia Sra. Damiani encontrou o ubíquo fantasma de John King, que disse que uma poderosa médium chamada Eusápia viera à Nápoles e que através dela ele tencionava produzir fenômenos maravilhosos. O pirata deu até o endereço de Eusápia, e Sra. Damiani foi procurá-la para encomendar a sessão e assim que esta começou, John King chegou. Daí em diante ele ficou sendo o principal “CONTROLE” ou guia espiritual de Eusápia.


(Eusápia faz levitar um bandolim em 25/11/1898)


A jovem napolitana tornou-se conhecida, embora desde o início suas sessões eram estranhas, mesmo por parâmetros mediúnicos. Fazia levitar instrumentos musicais, mesas e muitas outros objetos. Havia, por exemplo algumas curiosas materializações. Numa sessão em que clientes esperavam ver FLORES SURGIREM, Paladino produziu UM RATO MORTO. Ela era ireverente.




(Eusápia faz levitar um mesa em 25/11/1898)


Também tinha o hábito desagradável de materializar às avessas, por assim dizer. Em vez de surgirem objetos valiosos, ela os fazia desaparecer. Mais de um participante ficou sem relógio, o casaco, o chapéu, e ao voltar para casa encontravam ali o objeto perdido. Em outras ocasiões os objetos simplesmente desmaterializavam-se, mas sempre era encontrado nas residências de seus proprietários.


Havia também o estilo peculiar de suas sessões. Eric J Dingwall, antropólogo e pesquisador britânico da paranormalidade, descreve com elegância cavalheiresca os “PAROXISMO HISTÉRICOS” a que a Eusápia era sujeita, seu olhar de “êxtase voluptuoso” e o brilho dos olhos e o sorriso de satisfação que devem Ter sido desconcertantes para os clientes mais recalcitrantes.


Segundo Dingwall, depois das sessões Eusápia, por vezes, num estado de semi-sonolência, atirava-se nos braços dos homens da platéia, e comunicava seus desejos de contatos mais íntimos, de maneira que apenas os mais inocentes poderiam deixar de compreender. Este comportamento nada vitoriano levou alguns dos primeiros investigadores das atividades de Palladino, a concluir que seus poderes mediúnicos eram uma forma de energia sexual redirecionada.


(Cesare Lombroso)

Por volta do ano de 1888 tornou-se conhecida no mundo científico em virtude de uma carta do Prof. Ércole Chiaia enviada ao criminalista César Lombroso, relatando detalhadamente as experiências já realizadas por ele com a médium, carta essa publicada no jornal "Il Fanfulla dela Domênica". Entre outras, o missivista informava:

"A doente é uma mulherzinha de modestíssima condição social, com cerca de trinta anos, robusta, iletrada e cujo passado, porque vulgaríssimo, não merece ser esquadrinhado; que nada apresenta de notável, a não ser as pupilas de fascinante brilho e essa potencialidade, que os criminalistas diriam irresistível."

Em outro trecho da mesma missiva, afirmava:

"Quando quiserdes, essa mulherzinha será capaz de, encerrada numa sala, divertir durante horas, por meio de surpreendentes fenômenos, todo um grupo de curiosos mais ou menos céticos, ou mais ou menos acomodatícios."

Encerrava a missiva convidando o célebre alienista, a investigar, diretamente, os fenômenos por ele constatados na médium.

Três anos mais tarde, em 1891, Lombroso aceitou o convite, realizando, uma série de sessões com a médium. Esses trabalhos foram acompanhados por uma comissão em Milão, integrada pelos professores Schiaparelli, diretor do Observatório de Milão; Gerosa, Catedrático de Física; Ermacora, Doutor em Filosofia, de Munique, e o Prof. Charles Richet, da Universidade de Paris.

Além dessas sessões, muitas outras foram realizadas, com a presença de homens de ciência, não só da Europa, como também da América.

Morselli teve a oportunidade de observar cerca de 39 fenômenos; Fontenay conseguiu fotografá-la com as mãos presas por observadores, enquanto de sua cabeça saíam várias mãos.


Experiência impressionante foi a aparição, em 1902, de sua mãe em diversas sessões, uma figura com a mesma estatura e a mesma voz, na maioria das vezes chamando-o de "fiol mio", como era próprio de sua origem veneziana.


Lombroso, diante da evidência dos fatos, converteu-se ao Espiritismo, tendo declarado:

"Estou cheio de confusão e lamento haver combatido, com tanta persistência, a possibilidade dos fatos chamados espíritas."


A conversão de Lombroso deveu-se também ao fato de o Espírito de sua mãe haver-se materializado em uma das sessões realizadas com Eusápia.

Merece reportar um fato importante acontecido em 1890 com o eminente psiquiatra CESARE LOMBROSO. No final da Segunda sessão com Eusápia, aconteceu algo notável. A sessão terminou – aliás, não tinha sido das mais impressionantes – e as luzes da sala foram acesas. Lombroso levantou-se e passou a discutir com seus colegas os acontecimentos. Eusápia ainda estava amarrada com faixas de pano a uma cadeira, situada a cerca de meio metro à frente da alcova fechada por cortinas, que lhe serviam de gabinete mediúnico. De repente foram ouvidos ruídos dentro da alcova, como de alguma coisa raspando. As cortinas se agitaram, uma pequena mesa surgiu e moveu-se em direção da médium,


Lombroso e seus colegas pularam para dentro da alcova, certos de que havia algum comparsa empurrando-a , porém lá não havia ninguém, tampouco se percebia qualquer coisa amarrada à mesa, que pudesse puxá-la ou empurrá-la. Mesmo assim, a mesa só parou quando chegou até Eusápia.


Lombroso ficou confuso, incapaz de explicar o que vira, tampouco podia negar o que havia visto. Mesmo não aceitando a hipótese mediúnica, o psiquiatra supôs que Eusápia sofria alguma perturbação mental, sobretudo considerando seu bizarro comportamento. Mas a questão da mesa ambulante permaneceu, fosse o que fosse parecia um legítimo evento paranormal. Lombroso ficou convencido e assim foi lançada a lenda de Eusápia, a Rainha do Gabinete.


Em 1892, Lombroso e mais um punhado de eminentes pensadores chamaram Eusápia a Milão, para uma séria de sessões. Sempre temperamental, ela não aceitou certas condições que os investigadores queriam impor. Recusava-se a ficar em pé durante a levitação da mesa. Uma das proezas mais freqüentes. Segundo ela, o esforço psíquico para levantá-la fazia seus pés tremerem. Preferiam sentar-se, e de fato o fez. Em teoria os pesquisadores sempre estavam tocando os pés e as mãos de Eusápia.


Eusápia fazia objetos que não estavam perto dela se arrastarem, cadeiras vazias arrumavam-se em volta da mesa, e às vezes acabavam em cima da mesa. A própria Eusápia, atada em sua cadeira, elevou-se do chão e foi para em cima da mesa. Os presentes sentiam uma brisa que vinha de lugar algum e toque de mãos invisíveis. Nós eram atadas e desatados em pedaços de barbantes. Um pesquisador teve seus óculos arrancados por uma força invisível. Em outra ocasião, os pesquisadores acenderam as luzes e encontraram Eusápia ainda amarrada a sua cadeira, usando o casaco de um deles. Depois disso tudo, a Comissão de Milão com apenas um voto sancionou os fenômenos de Eusápia com genuínos.

Sir Oliver Lodge, professor de Filosofia Natural do Colégio de Bedford, Catedrático de Física da Universidade de Liverpool, Reitor da Universidade de Birmingham, e que foi, também, por longos anos, presidente da Associação Britânica de Cientistas, após as experiências realizadas com Eusápia, apresentou um relatório à Sociedade de Pesquisas da Inglaterra, dizendo, entre outras coisas:


"...qualquer pessoa, sem invencível preconceito, que tenha tido a mesma experiência, terá chegado à mesma larga conclusão, isto é, que atualmente acontecem coisas consideradas impossíveis... O resultado de minha experiência é convencer-me de que certos fenômenos geralmente considerados anormais, pertencem à ordem natural e, como um corolário disto, que esses fenômenos devem ser investigados e verificados por pessoas e sociedades interessadas no conhecimento da natureza."


Em 1894, Charles Richet também realizou várias sessões experimentais em sua própria residência, obtendo levitações parciais e completas da mesa, além de outros fenômenos de efeitos físicos.

Assim, o Voto Vencido fora de Dr. Charles Richet, professor de fisiologia francês, que alguns anos depois ganharia o prêmio Nobel. Fervoroso pesquisador da mediunidade, Richet a princípio não se convenceu dos poderes de Eusápia, mas continuou interessado, em 1984 convidou-a para ir a ILE ROUBAUD, uma ilha no sul da França, ali reuniu proeminentes detetives da paranormalidade, incluindo Frederic W.H Myers e Oliver Lodge, dois luminares da Sociedade para Pesquisa Psíquica (SPR em inglês).


Eusápia, no ambiente informal da ilha, ela apresentou gama de proezas, aparecia misteriosos objetos luminosos, e aromas especiais, instrumentos musicais que pareciam tocar sozinhos. E o mais espantoso, foi que pareceu expelir de seu corpo um tipo de pseudópodo, um terceiro membro capaz de agarrar e empurrar como uma mão. Para esta protuberância Richet cunhou o termo “ectoplasma”


Oliver Lodge e Frederic Myers ficaram impressionados e convidaram Henry Sidgwick Presidente da SPR, professor de Cambridge, e sua esposa Eleanor.


Em agosto de 1894, foram para o Castelo de Richet, perto de Toulon. Nas sessões, Henry Sidgwick e sua esposa seguravam as mãos de Eusápia e outro observador controlava os pés. Mesmo assim, Eusápia fazia proezas incríveis. Certa vez, um grande melão e uma mesa de junco elevaram-se de trás dela e pousaram na mesa da sessão. Também um piano que estava fora de seu alcance tocou algumas notas. Até Henry Sidgwick concluiu que os fenômenos eram paranormais.


Um grupo de Cambridge liderada pelo cientista Richard Hodgson, advogado nascido na Austrália, iniciou uma pesquisa na casa de Frederic Myers, e Eusápia não gostava dos pesquisadores prepotentes e esnobes. Dr. Hodgson deu oportunidade de liberar os pés e as mãos e Eusápia aproveitou como era previsível e foi pega trapaceando. Assim o SPR declarou que Eusápia Palladino era uma trapaceira, sendo a conclusão oficial e encerrando o caso Palladino.




Mas Eusápia tinha simpatizantes, que a levaram para Paris e submeteu-se a investigação de um grupo de acadêmicos, incluindo Pierre e Marie Curie, que acabavam de ganhar o prêmio Nobel de física. O casal Curie elaboraram sistemas de monitoramento para detectar logros. Porém uma série de atuações assombrosas continuaram de 1905 à 1908. Objetos voadores fizeram curva sobre a cabeça de Pierre Curie.


No início do século Eusápia estava no auge da fama, era campeã de investigações feitas por estudiosos da Europa inteira.


O astrônomo francês Camile Flammarion, Franco Porro da Itália, barão alemão Von Scherenck Notzing, físico interessado na psicologia anormal e o psiquiatra Enrico Morselli, estiveram em suas sessões mais parecendo clientes do que cientistas.





Em 1893 Eusápia várias promoveu LEVITAÇÕES em Varsórvia (Polônia), lá permanecendo durante o mês de janeiro de 1894. Nesta oportunidade, vários fenômenos_de_levitação aconteceram, entre os quais pinçamos o que foi narrado pelo DR JULIEN OCHOROWITZ, Professor de Psicologia na Universidade de Lemberg e Diretor do Instituto de Metapsíquica de Paris:


“Um fato raro e surpreendente, foi a levitação da médium, com a sua cadeira, para cima da mesa, sempre agarrada pelas mãos e pelos pés."


Em outra oportunidade, disse Eusápia em francês correto (língua que ela não conhecia): “Levantarei a minha médium ao ar”. “E, na realidade, foi levantada. Passando a mão por baixo de seus sapatos, pude constatar que entre estes e o soalho havia uma distância de várias polegadas”, observou Ochorowitz.


Finalmente, Eusápia Paladino vai a Agneles, na França, onde ficava a casa de campo do Dr. Ochorovitz, realizando, ali, memoráveis sessões de levitação, sob a supervisão do professor polonês, do Coronel ALBERT DE ROCHAS, o DR DARIEX, diretor da Revista “Annales des Sciences Psychiques” e outros.


Em 1985, Eusápia vai a Paris, quando se levaram a efeito notáveis sessões de levitação, sob a orientação do CORONEL ALBERT DE ROCHAS e do DR_CHARLES_RICHET. Numa dessas sessões, uma mesa pesada elevou-se bruscamente debaixo das mãos dos experimentadores até à altura de suas barbas, ficou nessa posição durante algum tempo, apesar de todos os esforços em fazê-la descer, e depois caiu com estrondo. Um dos presentes, o DR SULLY-PRUD’HOMME, da Academia Francesa, viu um mocho (banco) de arquiteto, muito pesado, avançar sozinho para ele: “Roçou-me o lado esquerdo, elevou-se à altura da mesa, e veio pousar-lhe em cima”.

A vingança de Eusápia - Em 1908, a SPR enviou três investigadores, especialistas de médiuns fraudulentos, Everard Feilding, filho do conde Denbigh. Era um cético com notável carreira em desmistificações. Hereward Carrington, escrevera a mais detalhada análise sobre médiuns falsos. Wortley Baggally era um experiente mágico que afirmava Ter investigado todos os médiuns e concluindo de que eram impostores.

Feilding compilou relato minuto por minuto, descreveu façanhas psicocinéticas e outras maravilhas – mãos desencarnadas, rostos que pareciam feitos de teia de aranha, cintilantes luzes de azul esverdeado, circundavam a médium estranhos pseudópodos que Feilding descreveu com “curiosas coisas negras e cheia de calombos, com umas couve-flores nas extremidades. O Trio que fora apanhar a Eusápia e desmacará-la, convenceram que os fenômenos eram genuínos.


(Pesquisa de Dr. Frederick Hudson, foto exposta no The New York Metropolitam Museum Art)


Eusápia visitou a América do Norte em 1910. Na cidade de Nova York, Howard Thurston e um assistente controlaram as mãos e os pés da médium em boa luz, durante uma sessão. Após os trabalhos, Howard declarou categoricamente:

"Fui testemunha pessoal das levitações da mesa da senhora Paladino... e estou absolutamente convencido de que os fenômenos que vi não eram devidos à fraude e não foram executados nem por seus pés, nem por seus joelhos ou mãos."


No EUA participou de uma turnê e tornou-se uma curiosidade circense. Fez muitas bobagens, e retornou a Europa e caiu na obscuridade.

A mediunidade de Eusápia Palladino marca um período luminoso na história das pesquisas psíquicas. Podemos dizer que nenhum médium, em todo mundo, foi mais duramente examinado do que essa mulher. Eusápia, com humildade, submeteu-se aos mais rigorosos exames, para provar a legitimidade dos seus múltiplos dons mediúnicos.

Eusápia Palladino morreu pobre, porque do pouco que possuía distribuía com os pobres e com as crianças. Ela sabia sentir as desventuras dos desgraçados. Tinha um grande coração e fez da caridade o seu maior título de glória. Por isso, a médium faleceu na pobreza, uma vez que do pouco que possuía sempre distribuia com os pobres no pleno exercício da caridade.


Referências Bibliográficas:

1. EVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS. Espíritos materializados. In:___. Coleção: Mistérios do Desconhecido. 1 ed. Rio de Janeiro: Editores de Time-Life Livros. Abril Livros, 1991;

2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Eus%C3%A1pia_Paladino