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16 de abr. de 2010

TRES HISTÓRIAS JUDAICAS


A menor constituição do mundo

Um grupo de sábios judeus reuniu-se para tentar criar a menor Constituição do mundo. Se alguém fosse capaz de definir - no espaço de tempo que um homem leva para equilibrar-se em um só pé - as leis que deviam reger o comportamento humano, este seria considerado o maior de todos os sábios.
- Deus pune os criminosos - disse um.
Os outros argumentaram que isto não era uma lei, mas uma ameaça; a frase não foi aceita.
- Deus é amor - comentou outro.
De novo, os sábios não aceitaram a frase, dizendo que ela não explicava direito os deveres da humanidade.
Neste momento, aproximou-se o Rabino Hillel. E, colocando-se num só pé, disse:
- Não faça com seu próximo àquilo que você detestaria que fizessem com você; esta é a Lei. Todo o resto é comentário jurídico.
E o rabino Hillel foi considerado o maior sábio de seu tempo.


Tapando o sol com a mão

Um discípulo procurou o rabino Nahman de Braslaw:
- Não continuarei mais meus estudos dos textos sagrados - disse. - Moro numa pequena casa com meus irmãos e pais, e nunca encontro as condições ideais para concentrar-me no que é importante.
Nahman apontou o sol, e pediu que seu discípulo colocasse a mão na frente do rosto, de modo a oculta-lo. O discípulo fez isto.
- Sua mão é pequena, e no entanto conseguiu cobrir totalmente a força, a luz e a magestade do imenso sol. Da mesma maneira, os pequenos problemas conseguem lhe dar a desculpa necessária para não seguir adiante em sua busca espiritual.
"Assim como a mão tem o poder de esconder o sol, a mediocridade tem o poder de esconder a luz interior. Não culpe os outros por sua própria incompetência."


Parece muito óbvio

Perguntaram ao rabino Ben Zoma:
- Quem é sábio?
- Aquele que encontra sempre algo a aprender com os outros - disse o rabino.
- Quem é forte?
- O homem que é capaz de dominar a si mesmo.
- Quem é rico?
- O que conhece o tesouro que tem: seus dias e suas horas de vida, que podem modificar tudo que acontece a sua volta.
- Quem merece respeito?
- Quem respeita a si mesmo e ao seu próximo.
- Isto tudo são coisas óbvias - comentou um dos presentes.
- Por isso são tão difíceis de serem observadas - concluiu o rabino.

Cada vez que posto uma história, um conto, eu percebo os fios que ligam todas as religiões, e que existem muitos pontos comuns a toda elas, mas a humanidade ainda não está preparada para o ecumenismo religioso, não está preparada para o diálogo inter ou extra religioso.

Apenas desejo a PAZ e o BEM planetário.

Muita Luz pra todos.

9 de jul. de 2009

BALL SHEM TOV E A LUZ

Um dia Israel foi chamado pelo rabino local, que resolveu dar-lhe lições de judaismo. O baal Shem em rápida sucessão, colocava e tirava sua máscara de simplório.
O rabino ficou per­plexo: como era possível que uma expressão pudesse mudar num rosto com tal rapidez? Estupefato, o rabino exigiu que o visitante lhe contasse a verdade. "Que assim seja", disse o Baal Shem, "mas, por ora precisas guardar para ti o que vou te contar."

No entanto vivia em Brodi, uma mulher que era louca. Ela via atraves da máscara de todos os homens. Face a face com o Baal Shem, ela disse:

"Eu sei quem tu és e não rne assustas. Eu sei que possuis certos poderes; também sei que não podes usá-los antes dos trinta e seis anos de idade".

"Cale-se!" - replicou - " de outra forma eu terei que convocar uma corte para desapossar o Dybuk de dentro de ti."

A mulher, assustada, segurou a língua - mas ela sabia. Sete anos solitários e ascéticos se passaram antes que o Baal Shem re­cebesse a ordem de se revelar e assumir seu destino.

Naquele sábado especial, um aluno de Reb Gershon interrompeu a jornada para passar o Shabat com Israel e Hannah. Era meia-noite quando acordou trémulo de medo. Uma flama imensa estava se levantando da terra. Com intenção de evitar um incêndio correu para extingui-la. Aí então, viu o rosto do Baal Shem cercado de uma auréola de luz e desmaiou. Quando estava voltando a si, ouviu o Baal Shem o repreender:

"Não se olha onde não se deve". Depois do Shabat o viajante apressou-se a retomar a Brodi, onde correu à Casa de estudos, anunciando as grandes novas: "Há uma nova fonte de luz qui perto". Todos correram para a floresta e lá construíram um trono com ramos e folhas. O Besht tomou seu lugar. "Eu abrirei um caminho novo”, declarou.

Ele tinha trinta e seis anos.

A previsão da louca tinha sido correta. Ela sabia antes de qualquer outra pessoa. Estranho: mais do que os homens mais eruditos e devotos da cidade, ela falava a linguagem do jovem santo da floresta.

Referência bibliográfica:
1. Elie Wiesel. Almas em Fogo. Editora Perspectiva, São Paulo, 1979, pág. 18-19.

5 de jun. de 2009

BÁAL SHEM TOV


No luminoso caledoscópio da vida planetária, uma grande luz de fina sutileza desceu a terra com o nome Rabi Israel ben Eliezer ou Báal Shem Tov (1698-1760) ficou conhecido como o Rabi místico. Fundador do hassidismo. Sempre houve vários "Baal Shem" ou "mestres do Nome", líderes cabalísticos que acreditam terem descoberto o verdadeiro nome de Deus.
Mas, apenas um, Israel ben Eliezer, recebeu o título de " Báal Shem Tov", ou seja " Bom Mestre do Nome". Sua origem é incerta, mas acredita-se que teria nascido numa vila rural na Polônia.
A ele creditam vários milagres, sobretudo em confronto com espiritos malignos, os quais ele vencia usando como arma a fé e a alegria de viver.
Este Rabi místico tinha na simplicidade seu mister encantador, rezava orações cantadas de modo que agradava muito a Deus, e que Este amava tanto estas orações que concedia tudo que Báal Shem Tov pedia. Toda força deste Rabi místico estava no Poder das oraçoes cantadas. Ele sentia profunda devoção a Deus.
Era um ser compassivo doava amor a todos os seres e tinha a genuina compaixão pelos oprimidos, analfabetos, pobres e simples.
Surge o Chassidismo, em hebraico significa piedoso ou devoto. A principal atuação foi ensinar a Cabalah numa linguagem cotidiana e de fácil compreensão. É uma sínttese de todo pensamento místico judeo, com efeitos práticos. Báal Shem numa reunião com outros místicos ocultos, decidiam a se tornar andarilhos da luz. f oram de aldeia a aldeia plantando a esperança e modificando as estruturas sociais, ajudando nas necessidades, organizando escolas para o povo. A proposta era curar o corpo, a alma e espírito.

Revolução:
Mais ou menos a cada cem anos, surge uma pessoa que muda a maneira de olharmos para nós mesmos e nosso mundo. Ele, ou ela, dirá algo tão revolucionário, tão novo e inesperado – tão contrário às nossas concepções prévias – que a princípio parecerá impossível que seja verdade.

Ele pregava:
Deus é a essência do bem, e a natureza do bem é conceder bondade. Porém a bondade não pode ser concedida se não houver ninguém para recebê-la. Para este fim, Deus criou nosso mundo – para sermos recipientes de Sua bondade.

Deixou inúmeros ensinamentos da piedade, da compaixão e devoção.
Esta estrela humana acessava o numinoso como cantador Divino, para que pudessêmos sair do peso das energias barônticas e adentrar na magia do bosque, escutar o inaudível de suas orações cantadas abrindo o coração para o verdadeiro aprendizado do amor.
Paz Luz aos seres sencientes.

BELAS HISTÓRIAS DE BÁAL SHEM TOV


Um homem bem vestido foi certa vez visitar o Báal Shem Tov, levando-lhe grande soma de dinheiro a ser distribuída para caridade.

"Meu nome é Avigdor" — disse ele. "Sou um mercador bem posicionado na cidade de Brod."

O Báal Shem Tov aceitou o dinheiro e perguntou: "Reb Avigdor, como posso retribuir-lhe? Tem algum pedido a fazer?"

"Não, não tenho" — replicou Avigdor arrogantemente.

"Talvez uma bênção para seu sustento?" sugeriu gentilmente o Báal Shem Tov.

"Rebe, agradeço-lhe" — replicou Avigdor — "mas tenho muito sucesso em meus negócios por vários anos. Tenho uma mente privilegiada e várias empresas, mesmo que uma delas fracassasse, eu ainda teria outras dez, que me proporcionam um lucro considerável. Não tenho preocupações sobre ganhar o sustento, nem reclamações a fazer."

"Graças a Deus" — disse o Báal Shem Tov com ênfase. Sentia pena de um homem tão inconsciente a ponto de não se lembrar que todo o sucesso é devido à bênção de Deus. Nem ao menos lhe ocorreu dizer Baruch Hashem ("Graças a Deus!") por sua fortuna e felicidade.

O Báal Shem Tov tentou um outro ângulo .

"Avigdor, como está sua família? Sua saúde? Seus filhos?" Esperava que Avigdor se lembrasse de dizer "Graças a Deus", ou alguma outra expressão de agradecimento pelas bênçãos de Deus. Mas foi em vão...

"Dizemos toda manhã durante Shacharit" — começou o Báal Shem Tov — ‘Tu, ó Eterno, és entronado com os louvores do Povo de Israel.’ Isso significa que Deus senta-Se em Seu trono e espera que nós O louvemos. Quando um judeu louva Hashem, isso Lhe é mais caro que as preces dos anjos no céu!

"As pessoas podem se esquecer. Justamente quando alguém tem mais sucesso nos negócios e pensa que sua boa sorte brota de sua perseverança e sabedoria, precisa lembrar a si mesmo que é Deus que lhe concedeu este sucesso. Sempre há motivo para ser grato a Hashem, mesmo que seja apenas pelo privilégio de ser judeu e servi-Lo com júbilo."

O santo Báal Shem Tov fez uma pausa para ver se suas palavras tinham causado uma impressão no visitante. Mas como Avigdor não respondesse, o Báal Shem Tov continuou: "Bem, se não posso ser de nenhuma ajuda para você, talvez possa fazer-me um favor. Quando voltar a Brod, entregaria esta carta ao chefe da comunidade?"

O Báal Shem Tov pegou um pedaço de papel, escreveu umas poucas linhas, colocou-o num envelope, fechou-o e entregou-o a Avigdor. "Entregue pessoalmente, por favor, esta carta nas mãos de Reb Tzadok, o Presidente da Comunidade, e a ninguém mais."

Avigdor pôs a carta no bolso e saiu. Em sua viagem de volta a Brod, meditou um pouco sobre as palavras do Rebe. "Não será tão difícil dizer ‘Baruch Hashem’" — pensou consigo mesmo.

E tendo decidido isso, voltou sua mente aos assuntos de negócios.Quando chegou a Brod, já se esquecera de sua resolução. Além disso, trocou rapidamente de roupas ao chegar em casa e apressou-se para uma reunião de negócios. A carta quedou esquecida no bolso do paletó.

Passaram-se dezesseis anos, e a roda da fortuna deu uma volta completa, suas florestas foram destruídas pelo fogo; uma tempestade afundou um de seus navios, e vários devedores deixaram de pagá-lo. Os negócios que tentava saíam errado, até que tornou-se pobre, viu-se obrigado a vender todos os bens de sua casa para poder alimentar a família. Em pouco tempo, nada mais havia para vender exceto um velho paletó, que estava pendurado no canto do armário.

Ao pesquisar nos bolsos, procurando algum rublo esquecido, encontrou a carta que o Báal Shem Tov lhe pedira para entregar há tantos anos. Abalado, os joelhos cederam e caiu desmaiado. De repente, lembrou-se da santa imagem do Rebe, e as palavras de sabedoria ressoaram em sua mente: "Comece a louvar Hashem pelas pródigas bênçãos que Ele lhe concedeu…"

"Que tolo tenho sido, por não dar ouvidos às palavras do Báal Shem Tov" — pensou consigo mesmo. O remorso encheu-lhe o coração e trouxe-lhe lágrimas aos olhos. "Nunca mais esquecerei de dizer Baruch Hashem" — prometeu firmemente a si mesmo.

A escrita no envelope tinha empalidecido mas ainda estava legível. "Para Reb Tsadok, Presidente da Comunidade de Brod — dizia. Saiu apressado e perguntou à primeira pessoa que viu.

"Onde posso encontrar Reb Tsadok?" Avigdor perguntou freneticamente.

"Refere-se a Reb Tsadok, o recém-eleito líder da Comunidade?" inquiriu o estranho.

"Sim, sim, é este o homem" — replicou impacientemente Avigdor.

"Você o encontrará no grande Beit Midrash. Acabei de vê-lo ali. Um grande homem, este Reb Tsadok; exatamente hoje pela manhã, foi eleito chefe da Comunidade."

"Somente esta manhã?!" Avigdor ficou atônito. Desde que seus negócios tinham começado a ir por água abaixo, deixou de se interessar pela comunidade. Perguntou-lhe se conhecia este Reb Tsadok. "Talvez pudesse dizer-me algo sobre ele?" perguntou cortesmente.

"Na verdade, posso" — replicou o judeu. "Lembro-me dele quando ainda era menino. Seus pais eram pobres e não podiam enviá-lo a uma yeshivá. Tornou-se aprendiz de alfaiate e finalmente abriu seu próprio negócio. Não era lá essas coisas como alfaiate, mas ia vivendo. Desnecessário dizer que era um homem pobre, mas não demonstrava. Se alguém lhe perguntasse: ‘Tsadok, como vão os negócios?’ ele sempre dizia: 'Graças a Deus, dá para viver.' Bem, para encurtar a história, há alguns anos ele começou a prosperar. Um rico senhor de terras contratou-o para cuidar das librés dos servos. O cavalheiro adquiriu amizade por ele e não demorou muito, criou uma reputação entre a nobreza, e as encomendas começaram a chover.

"Tsadok contratou a maioria dos alfaiates locais para trabalhar para ele, e estava ficando mais rico a cada dia. Mas não deixou que o sucesso lhe subisse à cabeça. Doava generosamente às causas de caridade, e permaneceu simples como sempre fora. Sua resposta continuou sendo: 'Graças a Deus, está dando para viver.' Quem teria imaginado?

"Bem, hoje ele foi eleito líder da comunidade, e a cidade inteira está celebrando."

Avigdor correu até a sinagoga principal. Reb Tsadok ainda estava lá, e Avigdor entregou-lhe a carta, dizendo com certo constrangimento: "Sinto muito, Reb Tsadok, por estar um pouco atrasado com a entrega desta carta… Perdoe-me, por favor."

Reb Tsadok recebeu o envelope amassado, verificou se estava mesmo endereçado a ele, e abriu-o. Quando leu a data, sua face tornou-se mortalmente pálida. A carta fora datada há dezesseis anos, mas dirigia-se a ele como "chefe da comunidade"! Após tomar um gole d'água, continuou a ler. Na carta, o Báal Shem Tov apresentava o portador como um judeu que tinha sido rico no passado, mas que agora estava necessitado de ajuda financeira. O Báal Shem Tov pedia que Reb Tsadok ajudasse este judeu a reerguer-se na vida. Caso o destinatário duvidasse que a carta era genuína, os dois sinais seguintes deveriam dissipar todas suas dúvidas. Em primeiro lugar, esta carta seria entregue no dia exato de sua eleição como Presidente da Comunidade; em segundo, no mesmo dia sua esposa daria à luz um filho.

Reb Tsadok mal terminara de ler a carta, quando o shammes chegou correndo, ofegante: "Mazel Tov, Reb Tsadok! Sua mulher acaba de ter um menino!"

Ficou sem fala. O santo Báal Shem Tov falecera há vários anos, mas aqui estava uma carta com sua própria caligrafia, que tinha demorado tantos anos para alcançá-lo e mesmo assim chegara a tempo!

Voltou-se para Avigdor e disse:

"Reb Avigdor, não precisa desculpar-se por ter extraviado a carta. Creia-me, ela chegou exatamente na hora certa. Por falar nisso, gostaria de jantar comigo hoje? Eu poderia usar um homem com a sua experiência na minha empresa."

Avigdor simplesmente ficou ali, apalermado. Havia somente uma coisa que poderia dizer: "Baruch Hashem" — exclamou. "Baruch Hashem!"

Graças a Deus!

Graças a Deus!

Graças a Deus!


UM LUGAR NO BOSQUE. BÁAL SHEM TOV



Baal Shem Tov era muito conhecido dentro de uma comunidade, porque todos diziam que ele era um homem tão piedoso, tão bondoso, tão casto e tão puro que DEUS escutava suas palavras quando ele falava.

Havia nesta comunidade uma tradição: todos os que tinham um desejo insatisfeito ou que necessitavam de algo que não tinha conseguido iam ver o rabino.

Ball Shem Tov se reunia com eles uma vez por ano, em um dia especial que ele elegia e levava todos a um lugar único, que só ele conhecia em meio ao bosque.

E uma vez estando ali, conta a lenda que . Baal Shem Tov armava com ramos e folhas secas um fogo de uma forma particular e muito bela, e entoava depois uma oração em uma voz bem baixa... como se fosse para ele mesmo.

E dizem...

Que DEUS gostava tanto destas palavras que Baal Shem Tov dizia, se fascinava tanto como o fogo armado dessa maneira, queria tanto esta reunião nesse lugar no bosque... que não podia resistir ao pedido de Baal Shem Tov e concedia os desejos de todas as pessoas que ali estavam.

Quando o rabino morreu, essa gente se deu conta de que ninguém sabia as palavras que Baal Shem Tov dizia quando iam todos juntos pedir algo... Porém, conheciam o lugar no bosque e sabiam como armar o fogo.

Uma vez por ano, seguindo a tradição que Baal Shem Tov havia instituído, todos os que tinha necessidades e desejos insatisfeitos se reuniam nesse mesmo lugar no bosque, acendiam o fogo da maneira que haviam apreendido como o velho rabino e como não conheciam as palavras, cantavam qualquer canção, recitavam um salmo ou só se olhavam e falavam de qualquer coisas neste mesmo lugar ao redor do fogo.

E dizem...

Que DEUS gostava tanto do fogo aceso, gostava tanto deste lugar no bosque e dessa gente reunida, que mesmo que ninguém dissesse as palavras adequadas, assim mesmo, concedia os desejos a todos os que ali estavam.

O tempo passou e de geração em geração a sabedoria foi se perdendo...

E aqui estamos nós...

Nós não sabemos qual é o lugar no bosque.

Nós não sabemos quais as palavras.

Nem se quer sabemos acender o fogo a maneira que Ball Shem Tov acendiam...

Entretanto, há algo sim que sabemos:

Sabemos esta história, Sabemos este conto...

E dizem...

Que DEUS adora tanto este conto,

Que gosta tanto desta história, Que basta que alguém a escute...

Para que ele, compadecido, Satisfaça qualquer necessidade

E conceda qualquer desejo a todos os que estão compartindo

Desse momento...

Assim Seja!

(O senciente Rabino Ball Shem Tov. Texto traduzido : CUENTOS PARA PENSAR - Jorge Bucay)

3 de jun. de 2009

ANTIGOS RABINOS




Uma bela e ilustrativa estória dos antigos rabinos contada por Jean Yves Leloup:

Num antigo reino, havia um rei e seu único filho herdeiro. O grave problema que o príncipe achava que era um peru e como tal vivia, ciscando e bicando grãos. O preocupado rei já havia tentado todos os tipos de terapia, das ortodoxas às alternativas e todas foram em vão. A verdade é que o príncipe sentia-se muito feliz vivendo como peru. O desesperado pai já estava a ponto de desistir, quando chegou a esse reino um sábio, desconhecido e simples.
Ao saber de sua presença, o rei pediu-lhe ajuda, pelo Amor de Deus, ao que o sábio compadecido, aquiesceu.
Então, para espanto e escândalo de todos. O sábio despiu-se totalmente e começou a ciscar e bicar grãos, como se fosse um peru.
Chocado com a cena, o rei rasgou suas vestes e clamou aos céus em brado.
E depois conformou-se, como é típico dos humanos.

O sábio, sendo um peru aproximou-se do príncipe-peru.

Ao vê-lo, o último protestou:
“O que você está fazendo aqui? Não vê que sou um peru? Deixe-me em paz!”.

Ao que o sábio-peru replicou: “Meu amigo, eu posso parecer um ser humano mas eu sou um peru como você”.

Ah, é...? exclamou o príncipe-peru, redendo-se ao encontro.

Ficaram amigos e o tempo passou.
Um dia, sábio-peru vestiu um short; o príncipe-peru reagiu indignado:

“Você está louco? Nós, os perus somos naturais e não vestimos nada! O que é esta coisa esquisita que você está usando...?

“ O sábio-peru ponderou calmamente: “Meu amigo, isto é secundário. Não é porque eu visto esta roupa que deixarei de ser peru, como você. Isto é insignificante, não se preocupe ? ”

“Ah, é?! Surpreendeu-se o príncipe-peru e acomodou-se.

O tempo passou e um dia o sábio-peru serviu-se de um prato da comida real.

“Você perdeu a razão?! Nós os perus , comemos grãos, minhocas e insetos. Que coisa esquisita é esta no seu prato? Denunciou revoltado o príncipe-peru.

“Querido Amigo, isto é secundário. O Que entra em nossos bicos não tem tanta importância; eu sigo como um peru, como você. Porque se perturbar com coisas insignificantes"

“Ah, é..?! acalmou-se o príncipe-peru.

O tempo passou e outros episódios similares sucederam-se.

Até que, numa manhã radiosa, o príncipe-peru sentou-se no trono real, para alegria de todos.

Ele havia retornado ao que era de fato, porque teve alguém que foi até ele onde ele se encontrava, ciscou e bicou grãos com ele e, passo a passo, facilitou que ele despertasse para sua REAL NATUREZA DE FILHO DO REI.


Esta estória nos faz recordar a presença dos pedagogos siderais que vieram ao planeta, para nos lembrar da filiação Divina. O Príncipe caiu em si, saiu das periferias do "Eu Pecador" para adentrar no centro do "Eu Redentor". A beleza da auto-comprensão transborda em auto-realização. É a gloriosa conquista da liberdade. A imersão no mundo rasteiro de uma vida material, do qual estava ingressado na pele de PERU, fez uma intercorrência ao egresso do Eu que levou ao regresso ao Divino Pai. Entre o ponto de partida e da volta, ocorreu uma grande evolução. Por isso, nunca somos iguais, ao que fomos quando partimos. A nossa chegada inclui a saida e o crescimento espiritual da trajetória percorrida.
Que os seres sencientes possam saciar da luz transbordante de amor, respirando-a, inspirando-a e conspirando para o despertar da consciência dormente, e caminhar em direção ao regresso... ao super regresso...
Amor e Plenitude aos despertos!

Referência bibliográfica:
1. CREMA, Roberto. Saúde e Plenitude, um Caminho para o Ser. 2ª Edição. São Paulo. Summus Editorial, 1995.