BALL SHEM TOV E A LUZ

Postado por Norma Villares

Um dia Israel foi chamado pelo rabino local, que resolveu dar-lhe lições de judaismo. O baal Shem em rápida sucessão, colocava e tirava sua máscara de simplório.
O rabino ficou per­plexo: como era possível que uma expressão pudesse mudar num rosto com tal rapidez? Estupefato, o rabino exigiu que o visitante lhe contasse a verdade. "Que assim seja", disse o Baal Shem, "mas, por ora precisas guardar para ti o que vou te contar."

No entanto vivia em Brodi, uma mulher que era louca. Ela via atraves da máscara de todos os homens. Face a face com o Baal Shem, ela disse:

"Eu sei quem tu és e não rne assustas. Eu sei que possuis certos poderes; também sei que não podes usá-los antes dos trinta e seis anos de idade".

"Cale-se!" - replicou - " de outra forma eu terei que convocar uma corte para desapossar o Dybuk de dentro de ti."

A mulher, assustada, segurou a língua - mas ela sabia. Sete anos solitários e ascéticos se passaram antes que o Baal Shem re­cebesse a ordem de se revelar e assumir seu destino.

Naquele sábado especial, um aluno de Reb Gershon interrompeu a jornada para passar o Shabat com Israel e Hannah. Era meia-noite quando acordou trémulo de medo. Uma flama imensa estava se levantando da terra. Com intenção de evitar um incêndio correu para extingui-la. Aí então, viu o rosto do Baal Shem cercado de uma auréola de luz e desmaiou. Quando estava voltando a si, ouviu o Baal Shem o repreender:

"Não se olha onde não se deve". Depois do Shabat o viajante apressou-se a retomar a Brodi, onde correu à Casa de estudos, anunciando as grandes novas: "Há uma nova fonte de luz qui perto". Todos correram para a floresta e lá construíram um trono com ramos e folhas. O Besht tomou seu lugar. "Eu abrirei um caminho novo”, declarou.

Ele tinha trinta e seis anos.

A previsão da louca tinha sido correta. Ela sabia antes de qualquer outra pessoa. Estranho: mais do que os homens mais eruditos e devotos da cidade, ela falava a linguagem do jovem santo da floresta.

Referência bibliográfica:
1. Elie Wiesel. Almas em Fogo. Editora Perspectiva, São Paulo, 1979, pág. 18-19.

2 comentários:

  1. **Bya** disse...

    Atenção aos sinais temos que estar atentos e sintonizados mas nesta vida Terrena tudo é possivel.
    Um abraço

  2. Norma Villares disse...

    Estes sinais fazem desenvolver a arte da escutatória. Sublimes abraços

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Muito obrigada pela sua presença iluminada

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