Continuação do PAI NOSSO.
PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS, ASSIM COMO PERDOAMOS A QUEM NOS DEVE
Se tivermos dívida em relação a Ele. Nós devemos perdoar a quem nos deve.
A palavra dívida pode ser traduzida como falta, ofensa, dispersão ou carência.
Literalmente
a palavra dívida, quer dizer olhar ao lado, e o que a gente vai
traduzir como pecado, indica um erro de alvo. Uma desorientação de nosso
alvo. Ser um pecador é estar ao lado de si mesmo, é haver perdido o seu
eixo.
Jesus
perdoa nossos pecados porque ele nos devolve ao nosso eixo. A palavra
pecar é uma palavra difícil e alguns se servem para nos enclausurar
dentro de culpas.
Qual a origem da palavra pecado?
Em que momento da Bíblia a gente fala pela primeira vez no pecado?
Santo Agostinho, adiante, fala de um pecado original.
Alguns podem dizer que foi no livro do Gêneses. Foi no momento em que o Rei Davi, se fixa em Jerusalém.
Davi
que tinha muitas concubinas e eis que uma noite ele sentiu desejo pela
mulher do General Golias e para ter esta mulher, Davi vai enviar Golias
ao front para que ele morra. Com a morte de Golias, Davi toma a mulher
para ele.
E então, Natan conta-lhe uma parábola (porque não é fácil falar
com um rei). Natan conta: – Era uma vez um homem rico, com milhares de
carneiros, e um pobre, com um só carneirinho. No inverno o carneirinho
dormia com o homem pobre. Os estrangeiros vieram de passagem e este
único carneirinho foi sacrificado.
Davi disse: - É preciso punir este homem.
E Natan, disse – este homem é você.
Davi, então despertou em si uma consciência ética.
Não
podemos fazer do outro um objeto de consumo. Comungar com o outro e não
consumir o outro. Foi a primeira vez que foi empregada a palavra
pecado. Davi sentiu que feriu a vida. E
que, sobretudo ele se utilizou do seu título de rei e de Messias para
fazer do outro um objeto. Ele está no nascedouro de uma consciência
ética. Ele havia chegado no limite do seu poder, enquanto rei. Foi
quando foi escrito o texto do jardim, onde era permitido comer todas as
frutas, menos uma.
Você
pode comer de todos os frutos daquela árvore, mas daquela você não pode
comer. Esta frase chega no momento em que Eva e Adão vão se
diferenciar.
Você
não vai fazer do outro um objeto de consumo. Você pode comungar com o
outro. Mas não pode fazer do outro um meio. O outro nunca deve ser um
meio para que se possa atingir um fim.
Um
ser humano nunca pode ser tratado como um objeto, uma coisa. Dessa
forma você passa ao lado da sua humanidade. Ë uma falta de amor, falta
de respeito.
Perdoar a nossa falta de consciência, de respeito. E este tempo de perdão é muito importante.
É preciso tempo para perguntar: - O que não se consegue perdoar nos outros?
Existe
algo que é imperdoável. Às vezes não é para perdoar muito rapidamente. É
bom ficar enfurecido, e reclamar a justiça. Perdão é não se fechar em
si mesmo e não fechar o outro na consequência dos seus atos.
Você mentiu? Mas você não é só um mentiroso. Você não é só um ladrão. Você não é só um criminoso.
Quem pode perdoar se não somente Deus?
A
experiência do perdão é a experiência mais divina. Ser capaz de perdoar
é ser maior do que a gente é. O Eu não pode perdoar. É o self que
perdoa. Façamos um chamado da força do perdão dentro de nós. Se a gente
não se perdoar um ao outro. A vida se torna impossível.
Dostoevisk, que era um profundo psicólogo, dizia: - A única falta que Deus não pode perdoar, é a gente não se
perdoar a nós mesmos. É a saída da culpa. Sair de todos “esses olhares”
que colocaram sobre nós e nos fecharam, dentro da conseqüência dos
nossos olhos. Jesus olha para a prostituta como aquela mulher que não encontrou o amor no seu marido, mas encontrou noutro.
E
Jesus olha a terra, toca a terra e diz : - “Aquele que nunca pecou
atire a primeira pedra. O que nunca se enganou, acuse. Aquele que é
impecável, que consegue amar sempre, e que nunca faltou consciência que
atire a primeira pedra”.
Jesus
vira o espelho em direção a nós mesmos. Não temos que usar a lei e a
escritura para julgar os outros, mas como se fosse um espelho para nós
próprios.
Ser capaz de perdoar é uma grande experiência.
A história faz um elo entre o perdão e algumas doenças psicossomáticas, que se enraízam no não perdão.
Num
domingo eu levava para a Igreja uma mulher que tinha esclerose e que
durante os meses eu aprendi a conhecer esta mulher e o drama que ela
vivia. Ela amava um homem, mas não podia casar com o homem, porque
durante anos ela teve de servir a mãe dela, com um ódio no coração. O
seu coração e o corpo começaram a petrificar e se transformar num corpo
de pedra. Um dia a mulher ouviu que tinha que perdoar a mãe e a mulher
disse que o ódio era o único tesouro que ela tinha.
Refletindo
eu disse: - Você não pode perdoar a sua mãe porque ela envenenou a sua
vida.... Será que você pode acreditar que o Cristo que vive dentro de
você, você pode imaginar que Ele pode perdoar?
Nós
vivemos minutos de uma intensidade muito forte e dava para sentir o
combate que estava se travando dentro desta mulher. Fazia mais de vinte
anos que esta mulher não chorava e a partir daí, ela começou a andar. A
filha deixou um espaço dentro dela para que Cristo pudesse perdoar.
Enquanto
nós não perdoarmos, haverá um nó de memórias, como algo impedindo a
vida de circular. Sem o perdão, vida de Deus não pode circular dentro de
nós. Eu saio do rancor, da raiva, de tudo o que envenena o sangue e
minha vida. Eu liberto meu coração dos piores venenos e a vida pode
circular. O dom de Deus pode viver dentro de nós, nos perguntando muito
intimamente: O que não conseguimos perdoar em nós mesmos? Estes nós de
memória nos fazem mal até dentro do nosso próprio corpo, e na nossa
vida.
Cristo
nos ensinou que o perdão de Deus pode novamente circular dentro de nós.
É por esta razão que o perdão é uma forma de cura, liberta o coração e
me faz amar novamente.
O perdão é o que nos faz sair do inferno. Do enclausuramento do nosso passado, das nossas memórias negativas.
O perdão é um caminho de vida, de divinização. De participar dentro da própria vida de Deus.
O que impede a união, é a mistura. Jesus disse: “Eu vim para diferenciar”.
Meu
filho, você não é simplesmente um apêndice da mãe, mas é um ser
autônomo. O que o impede, é a mistura da energia do filho com a mãe. E
não se consegue diferenciar.
Uma
das funções de Jesus é de introduzir esta distância que está a serviço
da comunhão. Para que dois seres seja um, é preciso que haja
diferenciação. Podemos fazer em três etapas. Na ligação com um parente,
com o terapeuta e com o próprio Deus. No encontro amoroso há uma fusão,
eu não sei mais onde eu acabo e você termina. Quando conseguimos fazer a diferenciação, saímos do um para o dois.
Para
que haja uma aliança, é preciso três etapas. A primeira, o laço, a
fusão, a indiferenciação. O dois é o símbolo da individualidade. O
momento em que a criança descobre que não é sua mãe, que seu desejo não é
o desejo da mãe, nem a palavra da sua mãe e do seu pai, nem daqueles
que rodeiam, é para firmar sua própria palavra. E às vezes se passa pelo
conflito.
Se Jesus chama cada um para se tornar ele mesmo, isto pode gerar conflito. É um convite para sair da relação, dominante e
dominado. “Eu não vou sair da minha idéia para aceitar o desejo do
outro”. Você é você e eu sou eu. Para alguns isto é muito difícil. Eu
percebo que a imagem que eu fiz do outro, é só a imagem que eu fiz. Eu
preciso amar o outro na realidade e não na imagem que eu criei. É
preciso buscar uma fusão amorosa
É preciso passar do dois para o três. O “Eu” ou “o EU que sou”, você é o que é, e mesmo
assim existe uma possibilidade de realizar uma aliança e não uma
submissão. Duas liberdades, duas humanidades que se inclinam uma à
outra.
São
três etapas: Ligado, desligado, aliado. É preciso restabelecer o elo,
depois de sair da transferência. Você não é seu pai e sua mãe, para que
haja o encontro de duas liberdades. S.João da Cruz, fala da graça do
começo de fusão com a fonte do ser, quando se sente a presença de deus
em todas as coisas.
Aí
vem o tempo do deserto, onde a gente não sente nada e é o momento em
que a gente pode aprofundar a relação com o outro. E isto é que vai
tornar possível a aliança com
ele. A aliança de uma liberdade humana com a liberdade criadora. Para
que haja o amor é preciso que haja diferenciação.
Depois
de ter um conflito com alguém e se formos capazes de superar e se
perdoar, acaba-se por respeitar e se amar a diferença do outro.
O amor é uma dualidade superada.
Esta é a travessia da diferenciação.
Jesus
disse que veio para diferenciar, porque esta diferenciação é necessária
para se poder unir. É preciso que analise e diferencie os planos da
realidade. Diferenciar o humano do angélico.
Diferenciar
não é separar. A diferenciação canta no pássaro, e se reflete na
primavera. . Cada nível é diferenciado. O rosto da criança que morre não
é a mesma imagem de uma nuvem que se desfaz.
É preciso reconhecer a beleza do ser na variedade das suas manifestações. A unidade não é a uniformidade.
Quando
Jesus diz somente um Deus é bom, Ele nos lembra: Somente Deus é Pai e
Criador da vida. Mesmo que esta vida passe por intermediários. Ele é a
Fonte da Vida. E esta frase nos convida a tornamos livres em relação à
idolatria.
Alguém muito inteligente, não é tudo, e sim apenas uma participação relativa
da presença do absoluto. Quando me inclino diante de alguém, não é
diante dessa pessoa, É diante da vida que se manifesta nesta pessoa.
Algumas
vezes se diz que as civilizações primitivas eram idólatras. Isto não é
claro. Quando se inclina diante do sol, não é o sol que adora, mas ao
criador do sol. Não se adora a árvore e sim à parte do Real que se
manifesta. Jesus não gosta de quem lhe idolatra e ele diz que somente
Deus é bom, e ele é apenas a manifestação dessa bondade.
Deus é mais do que se possa compreender e apreender.
A
Fonte da Vida e a vida que está em nós, não estão separadas.
Entretanto, a Fonte da Vida é infinitamente maior que a vida em nós.
Pergunta: O que fazer quando não gostamos do nosso nome?
A criança que carrega um nome mal pronunciado, pronunciado sem amor e sem desejo, carrega também o sofrimento desse nome.
Mudar
de nome é uma terapia. Às vezes, é preciso descobrir a beleza do nome,
outras vezes é preciso mudar de nome, é uma outra maneira de se
escrever a história.
O
nome tem algo de sagrado porque é o eco de um grande nome - Eu Sou . É a
minha maneira de encarnar a vida. É uma vibração, um comprimento de
onda, que nem sempre se harmoniza com a origem do Eu Sou, e nesse caso, é
preciso mudar de nome.
O nome não é uma etiqueta social, mas pode se tornar o meu nome de filho de Deus, lembra a minha identidade profunda.
Na
vida monástica, aquele que entra neste caminho, também muda de nome. É
para lembrar que ele não vive no mesmo comprimento de onda de antes.
Assim,
quem não ama o nome, começe a procurar o porquê não ama, e aceitar. A
gente só é livre quando aceita. O que não é assumido não é transformado.
Não só assumir o seu nome, mas aprender a amá-lo, mas também trocá-lo. E isto nos convida a ir mais longe.
A
minha definição de espiritualidade é dar um passo a mais, a partir de
onde eu me encontro neste momento, ir mais longe. Para alguns é preciso
ir além do seu nome.
O nome impronunciável.
Se
a gente quiser se aproximar do nome de Deus, é no mistério do sopro. O
Nome de Deus a gente pronuncia a cada sopro. É preciso toda uma vida
para dizer o nome de Deus. No momento do nascimento, com a nossa
inspiração nós começamos a pronunciá-lo e quando estiver morrendo, você
possa pronunciá-lo quando estiver no último sopro.
Com
a letra “china” no meio indica que o ser que é o que é, é o ser que
ama, é o ser que salva. A maneira como eu dispus as quatro letras é para
lembrar o simbolismo do sopro.
(Aqui
Jean-Yves nos apresenta um símbolo que contém cinco letras em hebraico,
sendo 4 dispostas nas extremidades de uma cruz e uma central, no ponto
comum, que ele chamou de “china”; na representação todas as letras estão
interligadas – pela cruz e por
um círculo, e há a indicação gráfica de um movimento circular, no
sentido horário, entre as quatro letras. E ele continua a seguir com a
explicação desse símbolo.)
A letra feminina é como uma porta. É como uma passagem que a gente deve atravessar.
O
espírito que vem do pai. O espírito em hebreu, é feminino, é o Grande
Sopro que vem sobre o filho que é a letra (?) que volta então em direção
ao Pai.
Estamos
no interior desse movimento. Trata-se de acolher o sopro do vivente e
unir-se a ela, à Fonte. A unidade com Aquele que nos dá a vida e tudo
isto está escrito no movimento das letras.
Voltando ao Pai Nosso.
NÃO NOS DEIXE CAIR EM TENTAÇÃO
Qual é a nossa provação? Qual é a nossa tentação?
A tentação não é admirar ou desejar o outro, e sim, fazer do outro um objeto.
Existem ainda dois desejos que habitam o corpo, o coração e o espírito do Cristo.
Não
nos deixe conduzir a tentação. Novamente qual é a verdadeira tradução.
Não nos deixe conduzir a tentação, não nos deixe ser carregado pelas
provações.
O que Jesus está nos pedindo, não é que a gente seja preservado da provação. É que eu seja protegido nas provações.
Graças
a estas tentações e provações é que a gente pode prosseguir e proteger
a si mesmo. Não se identifique com o que vem para você.
Tem gente que diz: - Eu tenho um câncer, mas eu não sou o câncer.
Existe algo dentro de nós que é maior que o câncer. Que está protegido das provações.
O que nos testa? O que nos tenta?
A palavra provação é superficial. Porque dizemos nós que uma mulher bonita é uma tentação?
A tentação não é nem o homem nem a mulher. Não é culpa dela ser bonita. A tentação é fazer do outro um objeto.
Tudo é puro para quem é puro. Nada é ruim tudo depende do que a gente faz com isto.
Não me deixe sucumbir, a fazer do outro um objeto. E
mais profundamente, a tentação é o desespero de se deixar levar pelo
absurdo. E esta foi a grande tentação de Judas. Ele estava decepcionado
porque o outro, Jesus, não correspondeu as suas expectativas.
É
importante sabermos que expectativa que podemos projetar. Não é a
pessoa que vai nos decepcionar e sim as expectativas. Eu projetei algo
que ele não era. Judas projetava um chefe político em Jesus. Ele
projetava sobre Cristo um messias que ele não era e ficou decepcionado.
Às
vezes a gente se decepciona em razão da nossa expectativa. Uma pessoa
decepcionada é uma pessoa perigosa e isto a gente sabe, não apenas
observando Judas, mas a partir de nós mesmo.
Quando se está decepcionado a gente quer que o outro pague a amargura dentro de nós. Isto é muito perigoso.
Sobre aquilo que a gente projeta sobre as outras pessoas pode chegar ao desespero Desesperar-se com o outro e consigo mesmo.
É bom estarmos vigilantes em relação às nossas expectativas.
Pedro não ficou fechado dentro do seu próprio desespero e acreditou que Jesus poderia perdoá-lo.
São João nos diz: “Se teu coração te condena.... Deus é maior que o teu coração”.
Muitas vezes a gente se fecha dentro da própria culpa e o fechamento é o inferno.
Judas acreditou que Deus não podia perdoar. Esta é muitas vezes a nossa maior tentação. É duvidar do amor de Deus.
Os
textos nos falam que é a tentação da mulher. Guarda-nos da apostasia.
Trata-se de negar aquilo que nos amou. Negou nas trevas o que amou na
luz.
Existe
uma maneira de trair e renunciar o melhor de si mesmo. E é esta
tentação que muitas vezes pode nos arrastar. O que a gente gostaria é de
não se afastar da vontade de Deus, não trair o que tem de melhor dentro
de nós mesmos. Este é um desejo muito profundo. O desejo é ser fiel
àquilo que há de melhor de nós. De não se trair ao melhor de si mesmo.
Jesus resistiu a tentação do orgulho, da vontade, do poder de dominação, que não respeita a liberdade de outro.
A única coisa que o poder não pode fazer, é nos fazer amar. Só Jesus encarna este amor e resiste às tentações.
No
momento da agonia, mais uma tentação - Jesus disse – “Pai, porque me
abandonastes?” Uma sensação de que Deus não está mais ali.
Existem
dias que a nossa vida não faz mais sentido. São as provações do
deserto, Este abismo que nos atrai. E neste momento pode haver uma
vontade de suicidar-se para sair do sofrimento. Não deixe sucumbir às
provações, a fim de que este fracasso possa se tornar o caminho: um
lugar de páscoa, de passagem. E esta passagem é através do vazio. É o
túmulo vazio. É deste vazio que nasce a vida nova. Nasce uma nova
consciência.
LIVRAI-NOS DO MAL
Existem muitas traduções. Existe uma tradução mais personalizada.
Livrai-nos do maligno, do malvado.
Por
trás da tentação, trata-se da gente reconhecer o tentador, o perverso.
Livra-nos da perversidade. E neste aspecto, vamos ver o que é o
perverso: é uma pessoa muito perigosa. Dentro de um grupo, seja nas
relações, no trabalho, ela pode semear a discórdia. É normalmente muito
inteligente, mas como uma serpente, vai se insinuar; pega uma palavra e
com ela, pode destruir a dignidade de alguém. Pega uma palavra e a
distorce.
Trata-se de estar atento ao que chamamos de perversidade.
É
uma maneira de sempre fazer se tornar o pior no que há de melhor. O
perverso vai se ajeitar sempre e tentar destruir. E fazer você perder
toda a confiança em você mesmo. Temos que fugir do perverso, porque se
tentar entrar em contato com ele, sempre vai dar um jeito de tornar você
dependente.
O perverso nem sempre é outro. Ás vezes somos nós mesmos, e às vezes somos o mais perverso que há na gente, com nós mesmos.
E
muitas vezes dentro de nós, não existe só o caminho do anjo da luz,
existe o caminho do anjo das trevas. Não é o riso, é o escárnio. E isto a
gente pode observar naqueles que estão morrendo. É uma expressão de
revolta, de escárnio.
O anjo é o que é melhor do que nós.
O perverso, o nosso demônio é o pior do pior que temos dentro de nós.
E muitas vezes, existe dentro da gente algo que não é humano, é inumano, e que deseja a destruição do ser humano.
Alguns líderes políticos entraram em contato com o perverso, e conduziram o seu povo para a destruição.
Todos
estes desejos que o Cristo expressou, eles nos reúnem onde nós estamos,
e o pai nosso é uma certa maneira de fazer de todas as nossas
perguntas, uma oração.
Quem
é meu Pai? Quem é nossa mãe? Quem é o Pai e a Mãe desse mundo e desse
universo? Quem é a origem? Quem é o nosso Pai que está no céu? Qual
o meu nome realmente? Quem sou eu? Como eu me chamo? Qual é o nome do
absoluto? E que esse nome seja santificado! O Que reina em mim? Quem é o
mestre do desejo? A quem eu posso confiar? A
quem eu posso remeter o meu desejo? E que o reino dessa verdade venha! O
que eu realmente quero? Qual é o meu desejo mais profundo? Qual é a
vontade da vida? O que o amor quer de mim? Que tua vontade seja feita. O
que me nutre? O que nutre não apenas o meu corpo e minha afetividade, o
que alimenta em mim a vida eterna? Qual o alimento do meu ser? O que
nutre o essencial em mim? O que
eu não perdôo no outro e dentro de mim mesmo? O que dentro de mim pode
perdoar? Qual a força que além da justiça me conduz na misericórdia?
Perdoai-nos os nossos pecados. O que me sustenta? Quais as minhas
provações? O que me tira do meu
caminho? O que me faz desviar do meu ser essencial? O que dentro de mim
é ainda mais forte que a tentação? O que me impede de ser livre? O que
me impede de amar? De confiar na vida? Livre-me do perverso e da
perversão! Não permitais que eu Te negue e perca a confiança no amor.
Porque é em você que faz girar a
terra, o coração humano, e também as estrelas. Que a ti seja o louvor, a
glória, agora e para sempre. Amém.
Quando eu não posso, tem algo dentro de mim que pode!!!
Fonte:
http://jmgsgs.multiply.com/journal/item/159/Jean-Yves-Leloup-O-Pai-Nosso-Uma-Antropologia-do-Desejo?&show_interstitial=1&u=%2Fjournal%2Fitem