PAI NOSSSO - Jean Yves Leloup

Postado por Norma Villares


Continuação do PAI NOSSO. 


PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS, ASSIM COMO PERDOAMOS A QUEM NOS DEVE

Se tivermos dívida em relação a Ele.  Nós devemos perdoar a quem nos deve.

A palavra dívida pode ser traduzida como falta, ofensa, dispersão ou carência. 

Literalmente a palavra dívida, quer dizer olhar ao lado, e o que a gente vai traduzir como pecado, indica um erro de alvo. Uma desorientação de nosso alvo. Ser um pecador é estar ao lado de si mesmo, é haver perdido o seu eixo.

Jesus perdoa nossos pecados porque ele nos devolve ao nosso eixo. A palavra pecar é uma palavra difícil e alguns se servem para nos enclausurar dentro de culpas.

Qual a origem da palavra pecado?

Em que momento da Bíblia a gente fala pela primeira vez no pecado?

Santo Agostinho, adiante,  fala de um pecado original.

Alguns podem dizer que foi no livro do Gêneses. Foi no momento em que o Rei Davi, se fixa em Jerusalém. 

Davi que tinha muitas concubinas e eis que uma noite ele sentiu desejo pela mulher do General Golias e para ter esta mulher, Davi vai enviar Golias ao front para que ele morra. Com a morte de Golias, Davi toma a mulher para ele.

E então, Natan conta-lhe uma  parábola (porque não é fácil  falar com um rei). Natan conta: – Era uma vez um homem rico, com milhares de carneiros, e um pobre, com um só carneirinho. No inverno o carneirinho dormia com o homem pobre. Os estrangeiros vieram de passagem e este único carneirinho foi sacrificado. 

Davi disse: - É preciso punir este homem.

E Natan, disse – este homem é você.

Davi, então despertou em si uma consciência ética.

Não podemos fazer do outro um objeto de consumo. Comungar com o outro e não consumir o outro. Foi a primeira vez que foi empregada a palavra pecado. Davi sentiu que feriu a vida.  E que, sobretudo ele se utilizou do seu título de rei e de Messias para fazer do outro um objeto. Ele está no nascedouro de uma consciência ética. Ele havia chegado no limite do seu poder, enquanto rei. Foi quando foi escrito o texto do jardim, onde era permitido comer todas as frutas, menos uma.

Você pode comer de todos os frutos daquela árvore, mas daquela você não pode comer. Esta frase chega no momento em que Eva e Adão vão se diferenciar. 

Você não vai fazer do outro um objeto de consumo. Você pode comungar com o outro. Mas não pode fazer do outro um meio. O outro nunca deve ser um meio para que se possa atingir um fim.

Um ser humano nunca pode ser tratado como um objeto, uma coisa. Dessa forma você passa ao lado da sua humanidade. Ë uma falta de amor, falta de respeito.

Perdoar a nossa falta de consciência, de respeito. E este tempo de perdão é muito importante.

É preciso tempo para perguntar: - O que não se consegue perdoar nos outros?

Existe algo que é imperdoável. Às vezes não é para perdoar muito rapidamente. É bom ficar enfurecido, e reclamar a justiça. Perdão é não se fechar em si mesmo e não fechar o outro na consequência dos seus atos.

Você mentiu? Mas você não é só um mentiroso. Você não é só um ladrão. Você não é só um criminoso.

Quem pode perdoar se não somente Deus?

A experiência do perdão é a experiência mais divina. Ser capaz de perdoar é ser maior do que a gente é. O Eu não pode perdoar. É o self que perdoa. Façamos um chamado da força do perdão dentro de nós. Se a gente não se perdoar um ao outro. A vida se torna impossível.

Dostoevisk, que era um profundo psicólogo, dizia: - A única falta que Deus não pode perdoar, é a gente não  se perdoar a nós mesmos. É a saída da culpa. Sair de todos “esses olhares” que colocaram sobre nós e nos fecharam, dentro da conseqüência dos nossos olhos.  Jesus olha para a prostituta como aquela mulher que não encontrou o amor no seu marido, mas encontrou noutro.

E Jesus olha a terra, toca a terra e diz : - “Aquele que nunca pecou atire a primeira pedra. O que nunca se enganou, acuse. Aquele que é impecável, que consegue amar sempre, e que nunca faltou consciência que atire a primeira pedra”.

Jesus vira o espelho em direção a nós mesmos. Não temos que usar a lei e a escritura para julgar os outros, mas como se fosse um espelho para nós próprios.

Ser capaz de perdoar é uma grande experiência.

A história faz um elo entre o perdão e algumas doenças psicossomáticas, que se enraízam no não perdão.  

Num domingo eu levava para a Igreja uma mulher que tinha esclerose e que durante os meses eu aprendi a conhecer esta mulher e o drama que ela vivia. Ela amava um homem, mas não podia casar com o homem, porque durante anos ela teve de servir a mãe dela, com um ódio no coração. O seu coração e o corpo começaram a petrificar e se transformar num corpo de pedra. Um dia a mulher ouviu que tinha que perdoar a mãe e a mulher disse que o ódio era o único tesouro que ela tinha. 

Refletindo eu disse: - Você não pode perdoar a sua mãe porque ela envenenou a sua vida.... Será que você pode acreditar que o Cristo que vive dentro de você, você pode imaginar que Ele pode perdoar? 

Nós vivemos minutos de uma intensidade muito forte e dava para sentir o combate que estava se travando dentro desta mulher. Fazia mais de vinte anos que esta mulher não chorava e a partir daí, ela começou a andar. A filha deixou um espaço dentro dela para que Cristo pudesse perdoar.

Enquanto nós não perdoarmos, haverá um nó de memórias, como algo impedindo a vida de circular. Sem o perdão, vida de Deus não pode circular dentro de nós. Eu saio do rancor, da raiva, de tudo o que envenena o sangue e minha vida. Eu liberto meu coração dos piores venenos e a vida pode circular. O dom de Deus pode viver dentro de nós, nos perguntando muito intimamente: O que não conseguimos perdoar em nós mesmos? Estes nós de memória nos fazem mal até dentro do nosso próprio corpo, e na nossa vida.

Cristo nos ensinou que o perdão de Deus pode novamente circular dentro de nós. É por esta razão que o perdão é uma forma de cura, liberta o coração e me faz amar novamente.

O perdão é o que nos faz sair do inferno. Do enclausuramento do nosso passado, das nossas memórias negativas.

O perdão é um caminho de vida, de divinização. De participar dentro da própria vida de Deus.

O que impede a união, é a mistura. Jesus disse:  “Eu vim para diferenciar”.

Meu filho, você não é simplesmente um apêndice da mãe, mas é um ser autônomo. O que o impede, é a mistura da energia do filho com a mãe. E não se consegue diferenciar.

Uma das funções de Jesus é de introduzir esta distância que está a serviço da comunhão. Para que dois seres seja um, é preciso que haja diferenciação. Podemos fazer em três etapas. Na ligação com um parente, com o terapeuta e com o próprio Deus. No encontro amoroso há uma fusão, eu não sei mais onde eu acabo e você termina.  Quando conseguimos fazer a diferenciação, saímos do um para o dois.

Para que haja uma aliança, é preciso três etapas. A primeira, o laço, a fusão, a indiferenciação. O dois é o símbolo da individualidade. O momento em que a criança descobre que não é sua mãe, que seu desejo não é o desejo da mãe, nem a palavra da sua mãe e do seu pai, nem daqueles que rodeiam, é para firmar sua própria palavra. E às vezes se passa pelo conflito.

Se Jesus chama cada um para se tornar ele mesmo, isto pode gerar conflito. É um convite para sair da relação, dominante  e dominado. “Eu não vou sair da minha idéia para aceitar o desejo do outro”. Você é você e eu sou eu. Para alguns isto é muito difícil. Eu percebo que a imagem que eu fiz do outro, é só a imagem que eu fiz. Eu preciso amar o outro na realidade e não na imagem que eu criei. É preciso buscar uma fusão amorosa

É preciso passar do dois para o três. O “Eu” ou “o EU que sou”, você é o que é, e  mesmo assim existe uma possibilidade de realizar uma aliança e não uma submissão. Duas liberdades, duas humanidades que se inclinam uma à outra.

São três etapas: Ligado, desligado, aliado. É preciso restabelecer o elo, depois de sair da transferência. Você não é seu pai e sua mãe, para que haja o encontro de duas liberdades. S.João da Cruz, fala da graça do começo de fusão com a fonte do ser, quando se sente a presença de deus em todas as coisas.

Aí vem o tempo do deserto, onde a gente não sente nada e é o momento em que a gente pode aprofundar a relação com o outro. E isto é que vai tornar  possível a aliança com ele. A aliança de uma liberdade humana com a liberdade criadora. Para que haja o amor é preciso que haja diferenciação.

Depois de ter um conflito com alguém e se formos capazes de  superar e se perdoar, acaba-se  por respeitar e se amar a diferença do outro.

O amor é uma dualidade superada.

Esta é a travessia da diferenciação.

Jesus disse que veio para diferenciar, porque esta diferenciação é necessária para se poder unir. É preciso que analise e diferencie os planos da realidade. Diferenciar o humano do angélico.

Diferenciar não é separar. A diferenciação canta no pássaro, e se reflete na primavera. . Cada nível é diferenciado. O rosto da criança que morre não é a mesma imagem de uma nuvem que se desfaz.

É preciso reconhecer a beleza do ser na variedade das suas manifestações. A unidade  não é a uniformidade.

Quando Jesus diz somente um Deus é bom, Ele nos lembra: Somente Deus é Pai e Criador da vida. Mesmo que esta vida passe por intermediários. Ele é a Fonte da Vida. E esta frase nos convida a tornamos livres em relação à idolatria.

Alguém muito inteligente, não é tudo, e sim apenas  uma participação  relativa da presença do absoluto. Quando me inclino diante de alguém, não é diante dessa pessoa, É diante da vida que se manifesta nesta pessoa.

Algumas vezes se diz que as civilizações primitivas eram idólatras. Isto não é claro. Quando se inclina diante do sol, não é o sol que adora, mas ao criador do sol. Não se adora a árvore e sim à parte do Real que se manifesta. Jesus não gosta de quem lhe idolatra e ele diz que somente Deus é bom, e ele é apenas a manifestação dessa bondade.

Deus é mais do que se possa compreender e apreender.

A Fonte da Vida e a vida que está em nós, não estão separadas. Entretanto, a Fonte da Vida é infinitamente maior que a vida em nós.
Pergunta: O que fazer quando não gostamos do nosso nome?
A criança que carrega um nome mal pronunciado, pronunciado sem amor e sem desejo,  carrega também o sofrimento desse nome.

Mudar de nome é uma terapia. Às vezes, é preciso descobrir a beleza do nome, outras vezes é preciso mudar de nome,  é uma outra maneira de se escrever a história.

O nome tem algo de sagrado porque é o eco de um grande nome - Eu Sou . É a minha maneira de encarnar a vida. É uma vibração, um comprimento de onda, que nem sempre se harmoniza com a origem do Eu Sou, e nesse caso, é preciso mudar de nome.

O nome não é uma etiqueta social, mas pode se tornar o meu nome de filho de Deus, lembra a minha identidade profunda.

Na vida monástica, aquele que entra neste caminho, também muda de nome. É para lembrar que ele não vive no mesmo comprimento de onda de antes.

Assim, quem não ama o nome, começe a procurar o porquê não ama, e aceitar. A gente só é livre quando aceita. O que não é assumido não é transformado.

Não só assumir o seu nome, mas aprender a amá-lo, mas também trocá-lo. E isto nos convida a ir mais longe.

A minha definição de espiritualidade é dar um passo a mais, a partir de onde eu me encontro neste momento, ir mais longe. Para alguns é preciso ir além do seu nome.

O nome impronunciável.

Se a gente quiser se aproximar do nome de Deus, é no mistério do sopro. O Nome de Deus a gente pronuncia a cada sopro. É preciso toda uma vida para dizer o nome de Deus. No momento do nascimento, com a nossa inspiração nós começamos a pronunciá-lo e quando estiver morrendo, você possa pronunciá-lo quando estiver no último sopro.

Com a letra “china” no meio indica que o ser que é o que é, é o ser que ama, é o ser que salva. A maneira como eu dispus as quatro letras é para lembrar o simbolismo do sopro.

(Aqui Jean-Yves nos apresenta um símbolo que contém cinco letras em hebraico, sendo 4 dispostas nas extremidades de uma cruz e uma central, no ponto comum, que ele chamou de “china”; na representação todas as letras estão interligadas –  pela cruz e por um círculo, e há a indicação gráfica de um movimento circular, no sentido horário, entre as quatro letras. E ele continua a seguir com a explicação desse símbolo.) 

A letra feminina é como uma porta. É como uma passagem que a gente deve atravessar.

O espírito que vem do pai. O espírito em hebreu, é feminino, é o Grande Sopro que vem sobre o filho que é a letra (?) que volta então em direção ao Pai.

Estamos no interior desse movimento. Trata-se de acolher o sopro do vivente e unir-se a ela, à Fonte.  A unidade com Aquele que nos dá a vida e tudo isto está escrito no movimento das letras.

Voltando ao Pai Nosso.

NÃO NOS DEIXE CAIR EM TENTAÇÃO

Qual é a nossa provação? Qual é a nossa tentação?

A tentação não é admirar ou desejar o outro, e sim, fazer do outro um objeto.

Existem ainda dois desejos que habitam o corpo, o coração e o espírito do Cristo.

Não nos deixe conduzir a tentação. Novamente qual é a verdadeira tradução. Não nos deixe conduzir a tentação, não nos deixe ser carregado pelas provações. 

O que Jesus está nos pedindo, não é que a gente seja preservado da provação. É que eu seja protegido nas provações.

Graças a estas tentações e provações  é que a gente pode prosseguir e proteger a si mesmo.  Não  se identifique com o que vem  para você. 

Tem gente que diz: -  Eu tenho um câncer, mas eu não  sou o câncer.

Existe algo dentro de nós que é maior que o câncer. Que está protegido das provações.

O que nos testa? O que nos tenta?

A palavra provação é superficial. Porque dizemos nós que uma mulher bonita é uma tentação?

A tentação não é nem o homem nem a mulher. Não é culpa dela ser bonita. A tentação é fazer do outro um objeto.

Tudo é puro para quem é puro. Nada é ruim tudo depende do que a gente faz com isto.

Não me deixe sucumbir, a fazer do outro um objeto.  E mais profundamente, a tentação é o desespero de se deixar levar pelo absurdo. E esta foi a grande tentação de Judas. Ele estava decepcionado porque o outro, Jesus, não correspondeu as suas expectativas.

É importante sabermos que expectativa que podemos projetar. Não é a pessoa que vai nos decepcionar e sim as expectativas. Eu projetei algo que ele não era. Judas projetava um chefe político em Jesus. Ele projetava sobre Cristo um messias que ele não era e ficou decepcionado.

Às vezes a gente se decepciona em razão da nossa expectativa. Uma pessoa decepcionada é uma pessoa perigosa e isto a gente sabe, não apenas observando Judas, mas a partir de nós mesmo.

Quando se está decepcionado a gente quer que o outro pague a amargura dentro de nós. Isto é muito perigoso.

Sobre aquilo que a gente projeta sobre as outras pessoas pode chegar ao desespero Desesperar-se com o outro e consigo mesmo.

É bom estarmos vigilantes em relação às nossas expectativas.

Pedro não ficou fechado dentro do seu próprio desespero e acreditou que Jesus poderia perdoá-lo.

São João nos diz: “Se teu coração te condena.... Deus é maior que o teu coração”.

Muitas vezes a gente se fecha dentro da própria culpa e o fechamento é o inferno.

Judas acreditou que Deus não podia perdoar. Esta é muitas vezes a nossa maior tentação. É duvidar do amor de Deus.

Os textos nos falam que é a tentação da mulher. Guarda-nos da apostasia. Trata-se de negar aquilo que nos amou. Negou nas trevas o que amou na luz.

Existe uma maneira de trair e renunciar o melhor de si mesmo. E é esta tentação que muitas vezes pode nos arrastar. O que a gente gostaria é de não se afastar da vontade de Deus, não trair o que tem de melhor dentro de nós mesmos. Este é um desejo muito profundo. O desejo é ser fiel  àquilo que há de melhor de nós. De não se trair ao melhor de si mesmo.

Jesus resistiu a tentação do orgulho, da vontade, do poder de dominação, que não respeita a liberdade de outro.

A única coisa que o poder não pode fazer, é nos fazer amar. Só Jesus encarna este amor e resiste às tentações.

No momento da agonia, mais uma tentação - Jesus disse – “Pai, porque me abandonastes?” Uma sensação de que Deus não está mais ali. 

Existem dias que a nossa vida não faz mais sentido. São as provações do deserto, Este abismo que nos atrai. E neste momento pode haver uma vontade de suicidar-se para sair do sofrimento. Não deixe sucumbir às provações, a fim de que este fracasso possa se tornar o caminho: um lugar de páscoa, de passagem. E esta passagem é através do vazio. É o túmulo vazio. É deste vazio que nasce a vida nova. Nasce uma nova consciência.

LIVRAI-NOS DO MAL

Existem muitas traduções. Existe uma tradução mais personalizada.

Livrai-nos do maligno,  do malvado.

Por trás da tentação, trata-se da gente reconhecer o tentador, o perverso. Livra-nos da perversidade. E neste aspecto, vamos ver o que é o perverso: é uma pessoa muito perigosa. Dentro de um grupo, seja nas relações, no trabalho, ela pode semear a discórdia. É  normalmente  muito inteligente, mas como uma serpente, vai se insinuar; pega uma palavra e com ela, pode destruir a dignidade de alguém. Pega uma palavra e a distorce.

Trata-se de estar atento ao que chamamos de perversidade.

É uma maneira de sempre fazer se tornar o pior no que há de melhor. O perverso vai se ajeitar sempre e tentar destruir. E fazer você perder toda a confiança em você mesmo. Temos que fugir do perverso, porque se tentar entrar em contato com ele, sempre vai dar um jeito de tornar você dependente.

O perverso nem sempre é outro. Ás vezes somos nós mesmos, e às vezes somos o mais perverso que há na gente, com nós mesmos. 

E muitas vezes dentro de nós, não existe só o caminho do anjo da luz, existe o caminho do anjo das trevas. Não é o riso, é o escárnio. E isto a gente pode observar naqueles que estão morrendo. É uma expressão de revolta, de  escárnio.

O anjo é o que é melhor do que nós.

O perverso, o nosso demônio é o pior do pior que temos dentro de nós.

E muitas vezes, existe dentro da gente algo que não é humano, é inumano, e que  deseja a destruição do ser humano.

Alguns líderes políticos entraram em contato com o perverso, e conduziram o seu povo para a destruição.

Todos estes desejos que o Cristo expressou, eles nos reúnem onde nós estamos, e o pai nosso é uma certa maneira de fazer de todas as nossas perguntas, uma oração.

Quem é meu Pai? Quem é nossa mãe? Quem é o Pai e a Mãe desse mundo e desse universo? Quem é a origem? Quem é o nosso Pai que está no céu?  Qual o meu nome realmente? Quem sou eu? Como eu me chamo? Qual é o nome do absoluto? E que esse nome seja santificado! O Que reina em mim? Quem é o mestre do desejo? A quem eu posso confiar?  A quem eu posso remeter o meu desejo? E que o reino dessa verdade venha! O que eu realmente quero? Qual é o meu desejo mais profundo? Qual é a vontade da vida? O que o amor quer de mim? Que tua vontade seja feita. O que me nutre? O que nutre não apenas o meu corpo e minha afetividade, o que alimenta em mim a vida eterna? Qual o alimento do meu ser? O que nutre o essencial em mim?  O que eu não perdôo no outro e dentro de mim mesmo? O que dentro de mim pode perdoar? Qual a força que além da justiça me conduz na misericórdia? Perdoai-nos os nossos pecados. O que me sustenta? Quais as minhas provações?  O que me tira do meu caminho? O que me faz desviar do meu ser essencial? O que dentro de mim é ainda mais forte que a tentação? O que me impede de ser livre? O que me impede de amar? De confiar na vida? Livre-me do perverso e da perversão! Não permitais que eu Te negue e perca a confiança no amor. Porque  é em você que faz girar a terra, o coração humano, e também as estrelas. Que a ti seja o louvor, a glória, agora e para sempre. Amém.

Quando eu não posso, tem algo dentro de mim que pode!!!
Fonte:

 http://jmgsgs.multiply.com/journal/item/159/Jean-Yves-Leloup-O-Pai-Nosso-Uma-Antropologia-do-Desejo?&show_interstitial=1&u=%2Fjournal%2Fitem

6 comentários:

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