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12 de dez. de 2017

QUANDO O BOTSATWA BATE A PORTA...





Todas as experiências sempre serão bem-vindas em minha vida: as experiências alegres serão lembradas como um amuleto de sorte e, guardadas com cuidado; e as experiências tristes serão estudadas como um mestre que fala aos ouvidos moucos, um verdadeiro Botsatwa. 


Quando o mestre da experiência dolorosa me visita, bate a minha porta, thum...thum...thum... 

Eu pergunto: - Quem bate?
Ele responde: - Sou eu, o botsatwa. 

E o outro mestre,  muito amado mestre Paramahansa Yogananda, me sacode e lembra com muito amor:

"Nossas experiências dolorosas não são para nos destruir, mas para queimar as nossas impurezas, a fim de que a nossa volta ao Lar seja apressada. Ninguém está mais esperançoso pela nossa libertação do que Deus."

Recorda!
Acorda!
E retorna ao caminho!
Liberta suas asas para voar...
Eis o chamado...
 

E que todos os seres sencientes possam se beneficiar.
Bom dia caminheiros evolutivos! 


Norma Lúcia Villares

4 de fev. de 2015

HISTÓRIA DE BUDA PARA CRIANÇAS


A HISTÓRIA DE BUDA


"Essencialmente todos os seres vivos são Budas, dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber."
- Siddhārtha Gautama -

Buda nasceu em uma família real, em 624 a.c., na India, e seu nome era Principe Siddhartha.
Principe Siddhartha era uma pessoa muito compassiva. Toda a vez que via pessoas sofrendo de doenças, imediatamente ele rezava por elas.Toda a vez que via pessoas sofrendo por causa da velhice, imediatamente ele rezava por elas.Toda a vez que ouvia falar de pessoas que haviam morrido, imediatamente ele rezava por elas.

Porque a mente de Siddhartha era completamente pura, ele frequentemente via, em todas as direcções, muitos Budas iluminados. Quando tinha 29 anos de idade, Siddhartha teve uma visão de todos os Budas das dez direcções, que falavam com ele ao mesmo tempo, dizendo:
" Ó Siddhartha, anteriormente você prometeu se tornar um Buda Conquistador para ajudar directamente todos os seres vivos que estão aprisionados no ciclo de vidas infelizes. Agora é a hora de você fazer isso."
Imediatamente, o príncipe foi até seus pais e disse a eles:
" Eu desejo ir para um lugar tranquilo na floresta, onde eu possa treinar em meditação profunda e conquistar a plena iluminação rapidamente. Uma vez que eu tenha conquistado a iluminação, darei felicidade a todos os seres vivos, especialmente vocês. Portanto, agora estou pedindo sua permissão para deixar o palácio."
Quando os pais ouviram isso, ficaram chocados. O rei se recusou a dar permissão, dizendo:
"Isso é impossível."
O Príncipe Siddhartha disse a seu pai:
"Pai, se você puder me libertar dos problemas da raiva, ignorância e inveja para sempre, eu ficarei no palácio, mas se você não puder, devo partir e tornar a minha vida humana significativa."

O rei tentou muitas maneiras de impedir seu filho de deixar o palácio. Na esperança de que o príncipe mudasse de ideia, o rei reuniu muitos cantores e dançarinas para diverti-lo. Para evitar que o príncipe fugisse escondido, o rei colocou muitos guardas em volta das muralhas do palácio. No entanto, a determinação do príncipe em deixar o palácio não foi abalada. Uma noite , ele usou seus poderes miraculosos para lançar os guardas e todas as pessoas do palácio em um sono profundo e então, fugiu do palácio com a ajuda de um amigo.

Siddhartha foi para um lugar perto de Bodh Gaya e ali ele encontrou uma caverna adequada para sua meditação, onde praticou principalmente uma meditação chamada "concentração semelhante-ao-espaço", concentrando-se na verdade última de todos os fenómenos. Depois de treinar nessa meditação por seis anos, Sidhartha percebeu que estava muito perto de conquistar a plena iluminação. Então, ele andou até Bodh Gaya, ond se sentou em postura de meditação, sob a Árvore Bodhi, e prometeu não sair da meditação até alcançar a plena iluminação. Desse modo, ele entrou na concentração semelhante-ao-espaço, concentrando-se na verdade ultima de todos os fenómenos.

Ao anoitecer, o espírito de Devaputra , o chefe de todos os demónios deste mundo, tentou perturbar a concentração de Sidhartha, conjurando muitas coisas assustadoras, como demónios terríveis : alguns, atirando lanças, outros, disparando flechas ; e outros, jogando pedras nele.

Siddhartha, entretanto, permaneceu completamente imperturbável. Pela força de sua concentração, as lanças, as flechas e as pedras apareciam para ele como uma chuva de flores perfumadas. Dessa maneira, Siddhartha conquistou todos os demónios deste mundo e, por essa razão, ele agora é conhecido como "Buda Conquistador".

Siddhartha, então, prosseguiu com sua meditação até ao amanhecer, quando, por meio de sua concentração , removeu totalmente até a mínima aparência equivocada de todos os fenómenos de sua mente e se tornou Buda, um ser plenamente iluminado. Não há nada que um Buda não conheça. A razão disso é que Buda despertou do sono da ignorância e removeu de sua mente todas as obstruções da aparência equivocada e os pensamentos obstrutivos, que são semelhantes a nuvens. Buda conhece tudo sobre o passado, o presente e o futuro, directamente e ao mesmo tempo.

Buda tem compaixão por todos os seres vivos, sem excepção. Por isso , ele beneficia todos os seres vivos, sem discriminação, fazendo várias coisas aparecerem por todo o Universo e abençoando suas mentes. Aos poucos, por encontrar um Guia Espiritual como Buda, todos terão a oportunidade de obter a libertação do sofrimento e a suprema felicidade da plena iluminação. De tempos em tempos, por receber as bençãos de Buda, todos experienciam uma mente pacifica, e quando suas mentes estão pacificas, eles são verdadeiramente felizes, mesmo que suas condições exteriores sejam pobres. Por isso, Buda é fonte de nossa felicidade pura.

Quarenta e nove dias após Buda ter alcançado a iluminação, os deuses Brahma e Indra pediram a ele para ensinar, dizendo:
"Ó Buda, Tesouro de Compaixão,
Os seres vivos são como cegos, em
constante perigo de caírem em reinos inferiores.
Além de ti, não há outro protector neste mundo.
Por essa razão, rogamos a ti, por favor,
deixa a tua meditação e gira a roda do Dharma."


Como resultado desse pedido, Buda deu seu primeiro ensinamento, chamado "As quatro Nobres Verdades", em um lugar chamado Varanasi. Depois, na montanha do Bando de abutres, ele deu ensinamentos sobre a Perfeição de Sabedoria. Porque as pessoas têm capacidades diferentes para entender e praticar ensinamentos espirituais, Buda deu, motivado por sua compaixão, muitos níveis de ensinamentos, do mesmo modo que um habilidoso médico prescreve diferentes remédios para tratar diferentes tipos de doentes. Buda deu 84 mil diferentes tipos de ensinamentos e, dessa forma, seus preciosos ensinamentos permearam o mundo inteiro.

Se ouvirmos e praticarmos continuamente os ensinamentos de Buda, poderemos manter a mente pacifica o tempo todo e, assim, poderemos ser felizes o tempo todo.

Este texto foi encontrado no livro "A História de Buda- Budismo para crianças", de  Geshe Kelsang Gyatso.


Sempre que leoi sobre o Buda, o Meu Coração Se Alegra.

__/\__  Namaste!

Bom dia flores do dia!

24 de jul. de 2014

PÉS DILIGENTE E MÃOS LABORIOSAS





"Caminhos pede o pé diligente; ferramentas, a mão laboriosa.”




Bom dia amigos do sagrado coração!
Eu sou andarilha nas areias desertas com um sol escaldante. E, sendo assim acabo construindo o caminho criativo de uma anacoreta artista da lida, da vida bem ou mal vivida. Quando imito a língua dos sábios,  sinto n'alma o sabor dos conhecimentos ancestrais arquetípicos.

As mãos de Jesus operam milagres nos corações que a elas se entregam com segurança. Afastam pesares, curam chagas, adormecem a dor. Levantam-nos para o trabalho e sustentam-nos na tarefa que nos cabe desenvolver. Dissipam a neblina da angústia e acendem nova luz nos horizontes de nossa fé. Multiplicam nossas forças dilatando-as no serviço a que nos afeiçoamos, a favor de nosso próprio bem. Cerram nossos lábios quando a fadiga nos sugere observações imprudentes e constituem infalível apoio para que não venhamos a cair nos despenhadeiros que se alongam nas margens do caminho que devemos trilhar.

São arrimos valiosos que nos garantem de pé e asas luminosas, transportando-nos às visões do Céu...
Procuro cada dia, as mãos do Senhor. Sem elas, não seria possível um passo à frente, na estrada da redenção, a que fomos  conduzidos pela Bondade Celestial. Com a Mestre da Verdade, sabemos que tudo perder no mundo transitório é tudo reencontrar na Vida Eterna.  Recordemos que as mãos de Jesus permanecem nas diretrizes de nossa marcha.  São duas argolas de ouro que o caminheiro deve usar, uma no pé e outra na mão. Essa simbologia tem uma representação bonita de encantamento com a trilha espiritual.

O ouro significa poder, pureza, um céu limpo, tempo bom, significando uma atmosfera mental e emocional imaculada. Também no sentido espiritual, representando o poder de Deus com plena identificação com os valores Divinos e espirituais da vida. Na medida em que der atenção às verdades eternas da vida, experimentará em todos seus caminhos essa sensação benévola de 'pé diligente' e 'mãos laboriosas'. 

O tempo passa, como tudo passa na vida. E só depois, com dizia Freud... Só depois... a ficha vai cair... E vai construir na prática o que o conhecimento proporcionou. Aí então, redescobri o caminho da desconstrução e, sigo sozinha o caminho com os pés escaldados de muitos conhecimentos dos outros.
Grande escaldo solitário!
Bendita dor!

Eu encerro com uma frase do Mestre Satya Sai Baba:

Mãos que servem são mais santas que lábios que oram.” Sai Baba




19 de jul. de 2014

A DOR É UMA ILUSÃO!?




Um mestre Zen chinês, explicava sobre a dor, ensinando a seus discípulos que no atual estágio evolucionário da humanidade, ela permeia a vida, tanto a dor física pessoal, mental, emocional, espiritual, como a coletiva e, que se intensifica antes da sua inevitável extinção.

Então um discípulo diz: - A dor é uma ilusão, não é nada, é simplesmente um drama.

O mestre que era um homem grande e muito forte, fechou a mão e com bastante força deu um cascudo no discípulo.
O discípulo deu um grito forte de dor: - Aiiiiiiiiiiiiiiiiii ... Doeu... Doeu... Doeu...

Em seu canto, silenciou e foi meditar.
___________________________________  x __________________________________

Este conto Zen, ensina reflexionar sobre a dor do outro. Somente quem passa pelo sofrimento, quem sente a dor pode saber a intensidade a dor... Racionalmente todos sabem, isto não é nada. Mas, a mente, o corpo, as emoções tem memórias arquetípicas e acessam outras dores de um passado longínquo.

Jean Yves Leloup dizia: Ao tocar um corpo lembre-se que neste casulo guarda as memórias de todas dores da alma.

Por isso, se desconhecemos as ancestrais memórias das dores alheias, não devemos vilipendiar de sua dor. E, muitas vezes, um cascudo bem forte, daqueles que desnorteia a cabeça, ensina o que é a dor aos insensíveis.

E Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, diz muito bem, em sua canção:

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor...

Assim é a vida, assim é a vida...
Cada qual no seu quadrado, cada qual entendendo sua própria dor, e que se intensifica até a sua extinção... O tempo é de cada um individualmente.
Venha lá Sr. Tempo...
Ainda não chegou o Sr. tempo...
O tempo já chegou...
Assim é a vida...

Norma Lúcia Villares

30.03.2014

18 de jul. de 2014

CONFIANÇA NA INTUIÇÂO












No budismo Tibetano, há um provérbio que diz: " entre  duas  testemunhas, confie na mais importante". Isto significa que, quando se deparar com dois pontos de  vistas, você deve confiar sobretudo em sua intuição e na Verdade Interior. Para compreender nosso lugar numa determinada situação, temos  de  ser capazes  de confiar em nossa sabedoria interior, e em nossa intuição.  E daí,  devemos  agir  de acordo  com  a  própria verdade interior.


Namaste!
Norma Lúcia Villares Barral
01.04.2014

13 de jul. de 2014

OS DEZESSEIS PRECEITOS


Três Preceitos Iniciais:

- Buda.
- Dharma
- Sangha.

Três Preceitos Puros:

- Evitar cometer atos maus.
- Fazer o bem.
- Acudir e beneficiar todos os seres.

Dez preceitos das ações perniciosas:

- Não tirar a vida.
- Não roubar.
- Não se deixar levar por arroubos sensuais.
- Não mentir.
- Não tomar bebida inebriante.
- Não falar do defeito dos outros.
- Não elogiar a si mesmo e nem caluniar os outros.
- Não ter vaidade em praticar o Dharma.
- Não alimentar a raiva.
- Não maldizer os Três Tesouros.





Os Preceitos de Bodisatva

 Monja Coen Sensei 

Perspectivas literal, subjetiva e intrínseca.


Tanto nas escolas Rinzai quanto Soto do Zen, o estudo detalhado dos preceitos ocorre ao término do treinamento formal. Os estudantes de koans da escola Rinzai podem se preparar constantemente, por até dez anos, antes de começarem a estudar koans sobre os preceitos (ou vinte ou trinta anos, se a preparação não for contínua). Similarmente, na escola Soto, o estudo detalhado dos preceitos ocorre quando o aluno está chegando ao fim do treinamento formal.

Em minha linhagem, o exame detalhado dos preceitos envolve o estudo dos dezesseis preceitos de Bodisatva bem como dos comentários feitos sobre eles por Bodidarma (que trouxe o Budismo da Índia para a China) e por Dogen. O estudo inclui 150 a 200 koans que tratam especificamente dos preceitos como formulados pelo professor Soto, do século XX, Daiun Harada Roshi.

Mesmo que, na abordagem tradicional, o estudo dos preceitos ocorra mais ao fim do que no início da preparação dos estudantes, devemos recordar que os preceitos são parte do sangue e da medula do treinamento do monge Zen, implicitamente presentes em cada aspecto da prática. De fato, a vida monástica é estruturada de tal forma que as atividades diárias incorporam esses preceitos. Além disso, os monges Zen japoneses leem muito sobre os preceitos antes de estudá-los formalmente; o número de livros japoneses sobre o tema é extenso!

Por isso acredito que, no Ocidente, onde a maioria dos praticantes Zen não é monástica, devemos estudar e discutir os preceitos no começo do estudo formal em vez de no final, mantendo o hábito de retornar aos mesmos enquanto nossa prática amadurece. Ao fim podemos fazer um estudo mais formal dos preceitos, porém é importante que estes se tornem parte de nossa medula, de nossa essência e de nossa vida desde o início.

E por que, no Japão, considera-se inapropriado o estudo dos preceitos nos primeiros estágios da prática? Porque, a princípio, o praticante não tem a chamada sabedoria fundamental ou um insight penetrante sobre o vazio que lhe permita ver ou apreciar facilmente os preceitos de um ponto de vista intrínseco.

Na época de Xaquiamuni Buda, as regras ou linhas diretivas que governavam as ações da sanga se desenvolviam de uma maneira orgânica, específica, em resposta a determinadas situações. Geralmente, para cada regra formulada por Xaquiamuni Buda, havia uma situação concreta correspondente. Por exemplo, naquela época, o algodão era um tecido caro e luxuoso[1]. Os monges mendicantes eram sempre convidados a visitar os lares dos leigos que se desdobravam para conseguir lhes oferecer camas e travesseiros de algodão. Já que se pressupunha que os monges deveriam levar uma vida muito simples e não se considerar como seres especiais, Xaquiamuni Buda formulou uma regra contra o uso do algodão. O propósito geral de todas as regras era promover a harmonia da sanga.

Entretanto, quando essas regras foram transportadas de cultura para cultura através dos séculos, a tendência foi cada vez mais esquecer seu contexto original. Assim, indicações, que começaram relativas, situacionais, acabaram se tornando normas absolutas, obrigatórias. Outra consequência dessa assimilação cultural foi uma divisão entre as comunidades leigas e monásticas. Tornou-se comum, em determinadas formas de Budismo, somente os monges receberem a série completa de preceitos enquanto os praticantes leigos recebiam uma série bem menor. Além disso, em estágios diferentes da vida monástica, os monges passaram a receber grupos diferentes de preceitos tirados da série completa. Em algum ponto na história da seita Zen, a transmissão da série completa de preceitos aos monges foi interrompida. Em vez disso, passaram a ser transmitidos os agora chamados Preceitos de Bodisatva, dados tanto a leigos quanto a monásticos.

Esses dezesseis Preceitos de Bodisatva diferem significativamente, em espírito e intenção, daqueles da série de regras originais desenvolvidas nos dias de Xaquiamuni Buda. Em vez de prescrever regras de conduta, eles descrevem os vários aspectos que nos constituem fundamentalmente. Por essa razão, é impossível transgredi-los em essência; de fato, não tem sentido falar de transgressão. Todavia, quando nós os estudamos, parece impossível não transgredi-los. Ambas as afirmativas são verdadeiras. Torna-se necessário apenas estabelecer uma distinção entre transgredi-los, por um lado, e quebrá-los, por outro.

Pegue um copo e pense nele como sendo os preceitos. A cada momento nós o sujamos, turvamos, deixamos manchas no vidro. Por quê? Porque nós o utilizamos! Mesmo se o deixarmos de lado, sem usá-lo, ele ficará sujo. Transgredir os preceitos é sujar o copo pelo uso; quebrá-los é deliberadamente despedaçar o vidro. Nós dizemos que, a não ser por um completo colapso nervoso ou suicídio, nada quebra os preceitos, apenas os transgride. Tudo, exceto a real autodestruição, implica somente uma transgressão que constantemente reparamos ao limpar o copo.

Deixe-me falar sobre três maneiras de olhar os preceitos e assim explicar porque nós não podemos transgredi-los, embora a cada instante o façamos. São três as maneiras de olhar os preceitos: a literal, a subjetiva e a intrínseca (a natureza-buda). Da perspectiva literal, é simplesmente proibido desobedecer qualquer dos preceitos por qualquer razão, independente do contexto ou das circunstâncias cambiantes. Por exemplo, consideremos a regra de que um monge não deve sentar ou dormir – ou mesmo ficar em pé – sobre qualquer objeto de algodão. Certa vez um monge budista Theravada visitou o Zen Center de Los Angeles. Como ele observava essa regra, nós removemos tudo que era feito de algodão do centro, incluindo as almofadas e esteiras que usávamos para meditação. Da perspectiva literal, o que fizemos foi absolutamente necessário; não havia razão ou desculpa para não concordar com a remoção. Tal espírito de obrigação incondicional e de obediência caracteriza a perspectiva literal. De seu ponto de vista, cada um dos dezesseis preceitos expressa um mandamento realmente obrigatório.

Não é o mesmo caso, porém, das perspectivas subjetiva e intrínseca. A perspectiva subjetiva tem dois aspectos: a compaixão e um sentido mais ou menos intuitivo de retidão e do que é apropriado. Já que compaixão aqui significa o funcionamento da sabedoria prajna, esse aspecto depende da profundidade da realização do praticante, o que também salienta sua habilidade de determinar intuitivamente o certo ou o errado em uma dada situação ou circunstância. Dessa perspectiva, a agitação e o aborrecimento causados pela acomodação do monge Theravada, em razão de todo aquele esforço estar sendo feito apenas para uma pessoa e de o algodão não ser mais um item de luxo, tudo teria que ser levado em consideração antes da tomada de qualquer atitude.

A terceira perspectiva é a intrínseca, a que expressa o ponto de vista do estado do vazio, o reino da unicidade. Desse ponto de vista, é impossível transgredir qualquer dos preceitos porque não há algo chamado preceitos nesse reino (ou qualquer outra coisa, aliás). Não há aspectos da vida, há somente o Corpo Único da vida em si mesma, desprovido de qualquer traço de multiplicidade, mas nunca o mesmo a cada instante. Não há diferença entre o algodão e qualquer outro produto, não há distinção entre luxuoso e não luxuoso. Não há distinções em absoluto no estado do vazio.

O problema é que supostamente deveríamos manter os preceitos a partir de todas as três perspectivas ao mesmo tempo, sem fazer escolhas entre uma ou outra. Do ponto de vista intrínseco, não há como transgredir os preceitos; do ponto de vista literal, quase não há como não transgredi-los. Parece impossível manter as três perspectivas de modo simultaneo, a não ser permanecendo plenamente no estado de unicidade.  De fato, a forma como podemos evitar as transgressões aos preceitos é pela “expiação” das mesmas, penetrando no estado de não-separação.

Da perspectiva intrínseca, dizemos que os dezesseis Preceitos de Bodisatva podem ser condensados no primeiro: Seja Buda, Seja o Iluminado, esteja em harmonia (seja em-um). Este primeiro preceito então se desdobra nos Três Tesouros:

Seja Buda.
Seja o Darma.
Seja a Sanga.
Os Três Tesouros são o fundamento ou a manifestação da fonte de nossa vida.
Em seguida, vem os Três Preceitos Puros:
Evitar o mal.
Fazer o bem.
Fazer o bem aos outros.

Eles são chamados o Corpo dos Três Tesouros. Os Preceitos Puros, quando desdobrados, tornam-se os Dez Preceitos Graves, que são o funcionamento do corpo dos Três Tesouros.

O propósito do estudo dos preceitos consiste em aprofundar nossa consciência sobre os diferentes aspectos de nossas vidas e sobre o fato de que sujamos o copo o tempo inteiro. Como resultado, somos guiados no sentido de cuidar melhor do copo. As razões ou causas pelas quais o copo fica sujo não são necessariamente uma questão de certo ou errado nem, no fim das contas, tão importantes quanto limpar o copo. Quando estudamos os preceitos, nosso entendimento de – e gratidão por – tudo envolvido no processo de sujar e limpar o copo é aprofundado e desdobrado.  Essa é a razão pela qual se dá ênfase à limpeza em um monastério Zen.  Não importa se achamos que algo está de fato limpo ou sujo; simplesmente limpamos! A limpeza continua constantemente. Nessa lida, o estudante Zen acaba por se tornar o processo de limpeza, mudando inevitavelmente em sua relação consigo mesmo, com seu meio-ambiente e com as pessoas que encontra. Entretanto, embora sempre presente desde o começo da prática, o processo de limpeza convive, ao mesmo tempo, com o desenrolar dos eventos cotidianos que tornam a vida igualmente uma bagunça constante. É interminável. Nunca alcançamos o ponto de não mais precisar limpar o copo.

O ato de limpar – literal ou metaforicamente - é um dos pontos mais importantes no estudo Zen dos preceitos. Lavamos os pratos e daqui a pouco ganhamos uma nova pilha deles para lavar. Nunca termina! A consciência desse processo, porém, não produz passividade ou paralisação, levando as pessoas a deixarem os pratos se amontoarem na pia.  Olhamos para a bagunça se formando e partimos para a ação. Momento a momento, as circunstâncias nos empurram, para fora dos esquemas de auto-organização que temos em mente, e nos fazem funcionar em meio ao caos. Como agir? Agindo simplesmente!

Os Três Tesouros e os Três Preceitos Puros
Os três primeiros preceitos, que são os Três Tesouros, podem ser traduzidos de várias formas. Eu os traduzo como:
Seja Buda.
Seja o Darma.
Seja a Sanga.

Quando meu mestre, Taizan Maezumi Roshi, e eu trabalhamos na tradução dos Três Tesouros, para a cerimônia de recebimento dos preceitos, ponderamos qual seria a melhor tradução para o verbo “ser” na enunciação dos três primeiros preceitos: se na forma imperativa “seja” ou no gerúndio “sendo”. Decidimos, então, que o oficiante diria “Seja Buda, Seja o Darma, Seja a Sanga” e que a pessoa iniciante responderia “Sendo Buda, Sendo o Darma, Sendo a Sanga”. Outras traduções aceitáveis são “prestando tributo a Buda” ou “refugiando-se em Buda”.

Do ponto de vista intrínseco, a tradução apropriada seria “sendo Buda”, pois desde o início já somos o próprio Iluminado. Precisamos descobrir e experimentar essa realidade e, mesmo sem sucesso, devemos tê-la sempre em mente.

Da perspectiva intrínseca, não se pode vir a ser Buda. “Seja Buda” reflete o ponto de vista experimental. Você tem que entender que é Buda. Sendo Buda, temos que nos tornar Buda, temos que aprofundar nossa compreensão dessa natureza até que não tenhamos mais um conceito sobre ser o Iluminado. Uma vez que se tenha experimentado esse estado, “sendo Buda” e “Ser Buda” se fundem.

Há três formas diferentes de olhar para os Três Tesouros. A primeira consiste no Corpo Único dos Três Tesouros, refletindo a perspectiva de que somos todos uma coisa só, constantemente mudando, evoluindo e se desdobrando. Por exemplo, estamos caindo com e como a flor que se desprende da árvore em Los Angeles. Da perspectiva do Corpo Único dos Três Tesouros, Buda é o mundo do vazio. Não se trata de uma espécie de espaço vazio, mas, ao contrário, do universo inteiro; ou, em termos matemáticos, trata-se do conjunto universal que contém ou é tudo que existe.  Se esse conjunto universal está pleno a ponto de transbordar com tudo que existe sem exceção, em que sentido é vazio? No sentido de que contém toda a existência antes de nomearmos os seres assim ou assado, completamente independente de todos os conceitos, rótulos ou categorias. Se não houver conceitos, não haverá forma de excluir qualquer coisa desse conjunto universal; isso é o que o torna universal. Excluir algo requer a percepção, a consciência de que algo é isso ou aquilo. Esse interesse compulsivo por discriminar os objetos é o que nos mantém incapazes de compreender que nós somos o conjunto universal. Para ser o conjunto universal indivisível precisamos não-conceituar.

O Darma do Corpo Único dos Três Tesouros se constitui do mundo das formas, dos fenômenos, da multiplicidade. Equivale a todas as formas possíveis com as quais se pode classificar ou conceitualizar as partes do conjunto universal. Ao olharmos para uma mandala, vemos uma imagem ou modelo desse conjunto universal: no centro se encontra o Buda Vairochana representando o mundo do vazio e disseminando, a partir de seu centro, todas as formas possíveis. O centro se constitui de todas as formas possíveis; todas as formas possíveis constituem o centro. Assim ocorre porque o centro é um ponto sem dimensão. Sendo nada, não exclui nada; excluindo o nada, é tudo.

A Sanga do Corpo Único dos Três Tesouros se constitui da harmonia existente entre Buda e o Darma, a unicidade e a multiplicidade, o vazio e a forma. Essa harmonia resulta do fato de que Buda e o Darma são a mesma coisa. Eles são distintos e iguais simultaneamente. Então, quando assumimos o compromisso de nos tornar o Buda, o Darma e a Sanga, estamos nos comprometendo a ser tudo isso. Intrinsecamente, não há como não sermos os Três Tesouros, mas, ao mesmo tempo, precisamos experimentar essa realidade e tomar consciência dela. Não podemos nos contentar em simplesmente dizer: “Eu sou Buda, então não há mais nada a fazer”. Nós temos que assimilar o que são os Três Tesouros.

A segunda forma de olhar para os Três Tesouros é chamada Os Três Tesouros Realizados (ou Manifestados). Nesse caso, Buda é Xaquiamuni Buda, visto não como a figura histórica mas sim como a corporificarão da consciência de que somos todos essencialmente seres iluminados. Quem quer que seja iluminado é Xaquiamuni, a manifestação dessa consciência. Ao não se dar conta dessa realidade, embora qualquer um possa tranquilamente se chamar de Vairochana Buda (a representação da iluminação original ou intrínseca), não poderá, da mesma forma, chamar-se Xaquiamuni Buda (a realização da iluminação intrínseca).

O Darma dos Três Tesouros Realizados consiste nos ensinamentos do Iluminado que geralmente se referem aos ensinamentos de Xaquiamuni Buda como expressos nos sutras. Entretanto, em um sentido mais amplo, nós também podemos falar sobre os ensinamentos de qualquer pessoa realizada como o Darma dos Três Tesouros Realizados. A sanga dos Três Tesouros Realizados se constitui dos discípulos do Iluminado que realizaram o Caminho. Assim quando assumimos o voto de ser Buda, o Darma e a Sanga, nós nos comprometemos a ser o Buda realizado, o Darma realizado e a Sanga realizada.

A terceira forma de olhar para os Três Tesouros é chamada os Três Tesouros Mantidos. Quando estudamos os Três Tesouros deste ponto de vista, estudamos a importância da linhagem e da transmissão do Darma. Embora, estritamente falando, não haja nada a transmitir, temos que transmitir o Darma; essa é a prioridade número-um dos professores Zen. Os Três Tesouros são mantidos pela continuidade da linhagem intrinsecamente ininterrupta desde Xaquiamuni Buda até o presente. (A linhagem de fato começa com os Sete Budas, anteriores a Xaquiamuni Buda, há um tempo incalculavelmente distante!).

O Buda dos Três Tesouros Mantidos se refere a todas as imagens, fotos e formas dos iluminados. Quando chegamos à sala de estudos e nos deparamos com os retratos de nossos professores, entendemos que eles também são parte de nosso compromisso de nos tornarmos o Buda dos Três Tesouros Mantidos.

O Darma dos Três Tesouros Mantidos consiste em todos os teishos, ou palestras Zen, de um mestre Zen. Teisho é uma palavra de difícil tradução porque não se encaixa em nenhuma classificação apropriada. Digamos que um teisho seja a fala de alguém iluminado. Os teishos afastam as opiniões em vez de acrescentar novas ideias a nossa bagagem de conceitos. O Darma nesse sentido inclui não apenas as falas como também as ações dos iluminados.

A Sanga dos Três Tesouros Mantidos se refere a todas as pessoas que se comprometem com o Caminho de Buda e praticam para realizá-lo.

Os Três Tesouros são importantes como a roda do leme que nos mantém no rumo certo.
Os Três Preceitos Puros são:
Evitar o mal.
Fazer o bem.
Fazer o bem aos outros.

“Evitar o mal” enfatiza não contribuir para o aumento da delusão no mundo, sendo essencialmente uma forma passiva de olhar a vida. Por contraste, “fazer o bem” enfatiza agir para o aumento da clarificação espiritual no mundo, sendo, por isso, uma forma mais ativa de ver a vida. “Fazer o bem” enfoca o que podemos fazer para melhorar nossa própria situação. “Fazer o bem aos outros” aciona todas as esferas aparentemente externas a nós mesmos. O primeiro e o segundo Preceitos Puros lidam conosco e o terceiro com os outros.

Quando falamos do ponto de vista intrínseco, onde não há separação entre o eu e o outro, os três preceitos se fundem.

Toda a ação que fazemos pode ser encarada do ponto de vista dos Três Preceitos Puros. Sempre podemos nos perguntar: o que estou fazendo, exatamente agora, é mau ou me torna uma pessoa mais deludida? O que estou fazendo, neste exato instante, melhora minha situação ou me traz o bem? O que estou fazendo agora é bom para os outros? “Evitar o mal” me diz para não fazer nada que possa vir a tornar uma situação mais deludida. O que estou fazendo me ajuda a entender o significado da vida? Essa questão se origina do ponto de vista do “Fazer o bem.” O que estou fazendo ajuda as pessoas a entenderem o significado da vida?  Essa questão se origina do ponto de vista do “Fazer o bem aos outros.”

Vamos dar uma olhada na atividade da meditação Zen (Zazen) em termos dos Três Preceitos Puros. Quando a vemos como um tempo que nos damos do estresse da vida diária, nós a consideramos em termos de “Evitar o Mal”. Quando a encaramos como uma terapia individual – para encontrar paz de espírito, tranquilidade, descanso, etc. - nós a encaramos em termos de “Fazer o Bem”.

Entretanto, é no “Fazer o bem aos outros” que reside a maior importância do Zazen porque este progressivamente quebra a distinção entre o eu e o outro. Trata-se de uma fonte de energia poderosa e irrestrita que flui de forma natural e se estende infinitamente a todo o universo. Não se pode tentar pará-la porque, se o fizermos, não se tratará mais de prática Zen, já que o Zen equivale a toda a vida. Aquelas pessoas que buscam no Zen algum tipo de santuário estão implicitamente rejeitando a vida inteira e se contentando com apenas uma parte dela onde possam se sentir à vontade. Temos que ser o Bodisatva “praticando em profunda prajanaparamita”, o que significa abandonar qualquer fantasia de descanso. Quando fazemos Zazen nos tornamos conscientes de um centro sem forma – como o olho de um furacão – que é extremamente calmo e, ao mesmo tempo, um redemoinho de tremenda atividade abrangendo tudo. A energia do Zazen naturalmente nos leva além dos preceitos “Evitar o mal” e “ Fazer o bem”, ambos restritos à esfera do eu, para a esfera do “Fazer o bem aos outros”.

Um poeta chinês certa vez perguntou a um mestre Zen: “-O que é mais importante no Budismo?” O professor respondeu: “-Evitar o mal e fazer o bem.” O poeta disse: “-Até uma criança de três anos pode repetir essas palavras.” O mestre replicou:    “- Sim, mesmo uma criança de três anos pode repetir essas palavras, mas até uma pessoa de oitenta anos ainda acha difícil realizá-las.”

Frequentemente acontece de fazermos alguma coisa boa para nós – porque nos ajuda a clarificar a compreensão do sentido da vida – que pode não ser boa para os outros. Um exemplo é deixar nossas crianças se virarem sozinhas pela manhã para que possamos nos sentar no zendo. Precisamos sempre olhar para o que acontece da forma o mais objetiva possível, sabendo, ao mesmo tempo, que, independentemente do lugar de onde observamos, nunca veremos tudo com clareza suficiente.

Outra considerável fonte de conflito durante a prática tem a ver com optar por evitar o mal sem entender que essa opção passiva pode desrespeitar os outros Preceitos Puros que enfatizam a importância de se fazer algo, não apenas sentar. O importante é ter em mente que cada ação, cada decisão, deve ser encarada do ponto de vista de todos os três preceitos. Não se trata de escolher um em detrimento do outro. Os três estão simultanea e implicitamente presentes em qualquer ação ou decisão.

Trata-se de olhar o que ocorre tão claramente quanto possível, sabendo ou não o que fazer. A total confiança em nossas ações e decisões surge somente com a plena iluminação, então não podemos realisticamente ter grandes expectativas a esse respeito. Além do mais, mesmo após o surgimento da confiança plena, continuaremos a transgredir os preceitos. A diferença da situação anterior é que perceberemos porque os transgredimos. Vemos a forma pela qual cada ato se constrói, conjuntamente com um intrincado conjunto de circunstâncias e condições, e como a satisfação de uma ou mais perspectivas transgride algumas tantas outras. Por essa razão, precisamos estar constantemente reparando nossos erros, o que não significa autopunição. Significa, novamente, tornar-se em-um (estar em harmonia), condição imprescindível para o Zazen e para o aprofundamento da prajanapramita.

Fazer Zazen é ver a interconexão de toda a vida, de todo o Corpo Único. É perceber como nosso sentar e tudo que fazemos afeta todo o mundo e todas as coisas. No entanto, mesmo não conseguindo constatar essa realidade, devemos pelo menos aceitar o fato de que ela existe. Precisamos entender que o que chamamos eventos, pessoas ou objetos são apenas relacionamentos e intersecções de fenômenos que refletem todas as outras intersecções de fenômenos. Esse entendimento é o grande salto que devemos dar em nosso sentar, com a certeza de que teremos sucesso porque não somos nada além do que o próprio salto!

Tudo que fazemos, até dormir sozinhos no quarto com as luzes acesas, afeta o todo o universo. Quando realmente nos conscientizamos disso, nossa vida inteira muda. Compreender quem ou o que somos é compreender que somos este Corpo Único. No momento em que nos conscientizamos disso, tudo no Corpo Único é realizado. Então vemos quanto há para fazer porque nossa perspectiva, inicialmente restrita ao eu, não está mais limitada agora. Quando nos vemos como parte de tudo que existe, percebemos o quanto há para ser feito. Limpar o copo é uma tarefa sem fim, e é precisamente esse limpar interminável o que caracteriza o estado do Corpo Único.


GLASSMAN, Bernard (Bernard Tetsugen). The Bodhisattva Precepts. In: Infinite Circle in Zen/Bernie Glassman. Tradução de Gozen Míriam Martinho. Boston, Massachussets: Shambhala Publications, Inc, 2002, p. 109-117.

 Fonte:

 http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-diversos/345-os-preceitos-de-bodisatva




17 de jun. de 2014

CAUSA KÁRMICA RELIGIOSA




 Chagdud Tulku Rinpoche

"Uh oh! Não durmas agora, ser afortunado.
Desperta com diligência.
De tempos sem princípio até agora tens dormido em ignorância.
Agora é o momento de deixar o sono para trás e praticar virtude, com corpo, fala e mente.

Não te lembras de nascimento, doença, velhice e morte?

Todo sofrimento além da conta e além da medida?
Esqueceste?
Quem sabe se terás o dia inteiro?
Agora é o momento de praticar com diligência.
Ainda tens esta oportunidade de gerar benefício duradouro, então, por que desperdiçá-la por preguiça?

Se realmente contemplares a impermanência, consumarás a tua prática rapidamente.
Quando a hora da tua morte chegar, estarás confiante.
Com a tua prática consumada, não terás nenhum arrependimento.
Sem esta confiança, qual terá sido o propósito da tua vida?
A natureza de todos os fenômenos é vazia e sem identidade, como a lua refletida na água, uma bolha, uma alucinação, uma emanação, uma ilusão, uma miragem, um sonho, uma imagem no espelho, um eco.
Todo o samsara, todo o nirvana é assim.
Reconhece todas as coisas desta maneira.
Nada vem, nada fica, nada vai, além de qualquer descrição por palavras, além de qualquer concepção da mente.
Agora é o momento de alcançares a realização que é sem sinais."


— Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche

* As exatas palavras de Chagdud Tulku Rinpoche ao alto-falante numa manhã no Khadro Ling em Três Coroas.

Esta transmissão foi  dada  por  ocasião  do  Parinirvana  de  um  grande lama.  O   Rinpoche  deu  seu  último suspiro durante a madrugada de domingo, dia 17 de novembro, no Khadro Ling, no Brasil. 


"Quando um grande mestre morre, segue-se um período em que bênçãos descem sobre quem quer que as peça com devoção. Este é o momento de rezar para que as suas aspirações mais elevadas se realizem."


—

— Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche



A mística sobre a reencarnação tem sido, por séculos, objeto de fascinação para a mente curiosa. Desde o começo dos tempos o homem tem cogitado sobre a possibilidade da vida ser um tecido contínuo, no qual o processo de 'vida e morte' são somente fases que evoluem de um estágio da existência para outro. A astrologia em geral prevê que se os astros possuem influência sobre a nossa vida e se cada uma das vidas deixa marca para as próximas isso tem de forçosamente estar traçado um próximo projeto reencarnatório. 

Mas como?

O que se usa? 

 Bem, os projetistas reencarnatórios conjuntamente com o reencarnante (se for seu merecimento participar) fazem um novo projeto,  e assim traçam a melhor forma de ser realizado este projeto com êxito. 

E uma das metas num projeto reencarnatório é a simpatia, ou mesmo empatia por uma religião específica,  Cada ser humano vem com uma trajetória religiosa específica,  onde se encontra e se sente bem. E Chagdud Tulku Rimpoche  denominava de ' causa kármica religiosa'.   Informava que, cada ser humano tem um número específico de camisa,   uns usam manequim 40, alguns 54, outros 50  e assim por diante.  Desta forma, aquele que usa camisa de manequim 40 não vai se sentir bem, em um de número 54.  Assim é a religião,    adequação perfeita numa religião é exatamente sua  'causa kármica religiosa'. Por isso,  se compramos e usamos uma roupa que serve perfeitamente em nós.

Este seminário  eu assisti, quando fiz a Formação Holística de Base da UNIPAZ  e, quando senti um profundo respeito pelo Zen Budismo.

Fico por aqui, despedindo de vocês com um desejo que cada um encontre a sua religião da alma.
Paz Profunda!
Norma
 


6 de jun. de 2014

Os oito versos que transformam a mente



1. Com a determinação de alcançar
o bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
a pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
e, com todo respeito, considerá-las supremas,
do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
e, sempre que surgir uma emoção negativa,
pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
e aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
ou a insultarem e caluniarem,
vou aprender a aceitar a derrota,
e a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
vou aprender a ver essa outra pessoa
como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
e a tomar sobre mim, em sigilo,
todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
e, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:

1. Desejar elogios
2. Rejeitar críticas
3. Desejar o prazer
4. Rejeitar a dor
5. Desejar o ganho
6. Rejeitar a perda
7. Desejar a fama
8. Rejeitar ser ignorado


São tantos ensinamentos que fazem movimentar essa energia espiritual com propostas lúcidas e sensatas  para ensinar a cerca da trilha espiritual.  E este blog prima em trazer vários Mestres com seus ensinamentos, para  todos seres sensíveis aprender e saborear estas pérolas.  Estes Mestres vieram ao  planeta ensinando a edificação da alma.

Esse texto foi ensinado por S.S. o Dalai Lama, no Brasil, em abril de 2006, no templo Zu Lai, em Cotia (SP).

Paz Profunda!
Norma Villares

DIA DE HOJE






Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito.
Um se chama ontem e o outro se chama amanhã,portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e viver.
Ame,acredite e principalmente faça.
 Dalai Lama  



Namaste! 
Paz e luz no coração de todos!
Abraços sublimes
Norma Villares

20 de mai. de 2014

SOMOS CAPAZES DE TOMAR CONTA DE NOSSOS PENSAMENTOS?



  É impossível descrever todas as boas qualidades de um ser que atingiu a iluminação. A compaixão de um Buda, a sabedoria e o poder estão completamente fora de concepção.
  Com nada que possa obscurecer sua mente, ele vê todos os fenômenos do universo tão claramente como ele vê uma joia na palma de sua mão. Pela força de sua compaixão, um Buda executa espontaneamente o que for apropriado para beneficiar os outros. Ele não tem necessidade de pensar sobre o que é a melhor maneira de ajudar os seres vivos - ele age naturalmente e sem esforço da maneira mais benéfica. Assim como o sol não precisa motivar-se para irradiar luz e calor, mas o faz simplesmente porque a luz e o calor são sua própria natureza, portanto, um Buda não precisa motivar a si mesmo em benefício de outros, mas fá-lo simplesmente porque está sendo benéfica para sua própria a natureza.

"Há um ditado ch’an (zen) que diz: “Não há nada que não possamos realizar quando somos capazes de nos concentrar, sem oscilações.” Quando o pensamento é sereno, o universo torna-se luminoso. 

O pensamento é como um lago: quando a superfície é plácida e calma, tudo se reflete com nitidez. Mas, quando o pensamento fica turbulento, tornamo-nos incapazes de enxergar nitidamente nossa verdadeira natureza. Por isso, devemos sempre manter pensamentos corretos para “cultivar qualquer bondade que porventura ainda não possuímos e desenvolver as já existentes e prevenir o desenvolvimento de qualquer mal e cessar os já existentes em nós.”

 Se formos capazes de tomar conta de nossos pensamentos, ainda que não alcancemos a budeidade, ao menos estaremos mais próximos de nos tornar santos e sábios!"

 Assim,  cada ser vivente poderá tomar de seus pensamentos se assim praticar continuamente e perseverantemente. 

O que acontece é que iniciam a prática e deixam de fazê-lo na primeira crise de 'preguicite aguda'.  E depois o preguicento  fala mal da técnica que ele mesmo não praticou, tampouco  perseverou. 

E a vida segue seu rumo,com ou sem a sua continuidade.
Quem perde???

Que tenho um excelente dia! 
Saudações luminosa.
Namaste!

Norma Lúcia

 
 Trecho do livro Receita para o coração, Venerável Mestre Hsing Yün, Escrituras Editora, São Paulo, 2007.

Fonte:
 http://books.google.com.br/books?id=p-MDJL_PIKkC&pg=PA71&lpg=PA71&dq=N%C3%A3o+h%C3%A1+nada+que+n%C3%A3o+possamos+realizar+quando+somos+capazes+de+nos+concentrar,+sem+oscila%C3%A7%C3%B5es.%E2%80%9D+Quando+o+pensamento+%C3%A9+sereno,+o+universo+torna-se+luminoso.&source=bl&ots=hlNfkg-xpN&sig=i2mkKOMcdKMXzX1F6Llj7geT4Qw&hl=pt-BR&sa=X&ei=hG57U56yJ42Bqgb01oE4&ved=0CDcQ6AEwAQ#v=onepage&q&f=false