SABEDORIA NAS HISTÓRIAS DE NASRUDDIN

Postado por Norma Villares


O VALOR DE UM DESEJO

O Mullah Nasrudin tinha um búfalo, cujos chifres eram bem afastados um do outro. Sempre imaginava que, caso conseguisse instalar-se entre eles, seria exatamente como estar sentado num trono.
Um dia, o animal sentou-se bem próximo, e a coisa mais simples do mundo seria acomodar-se entre os chifres. Nasrudin não pôde resistir à tentação. O búfalo, quase de imediato, levantou-se e jogou-o longe.
Sua mulher, ao encontrá-lo desmaiado no chão, começou a chorar.
"Não chore", disse Nasrudin assim que voltou a si.
"Tive meu sofrimento, mas ao menos realizei também o meu desejo."




DESCIDA


- Nasrudin, como caíste do burro?
- Não estive mal. Eu ia descer, de qualquer maneira.



NASRUDIN E OVO

Certa manhã, Nasrudin - o grande místico sufi que sempre fingia ser louco - colocou um ovo embrulhado em um lenço, foi para o meio da praça de sua cidade, e chamou aqueles que estavam ali.
- Hoje teremos um importante concurso! - disse - Quem descobrir o que está embrulhado neste lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!
As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:
- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer adivinhações!
Nasrudin insistiu:
- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que quebra facilmente. É um símbolo de fertilidade, e nos lembra dos pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem pode me dizer o que está escondido?
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha em suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros.
E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido ao redor talvez fosse um preparado alquímico. Não, aquele louco estava querendo fazer alguém de ridículo.
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém se arriscou a dizer algo impróprio.
Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o ovo.
- Todos vocês sabiam a resposta - afirmou. - E ninguém ousou traduzi-la em palavras.
"É assim a vida daqueles que não tem coragem de arriscar: as soluções nos são dadas generosamente por Deus, mas estas pessoas sempre procuram explicações mais complicadas, e terminam não fazendo nada."

o Mulláh Nasrudin é o mais famoso personagem dos contos e parábolas sufis.
Ele age sempre de forma estúpida, pra servir como espelho para muitas de nossas atitudes.
Todos temos um pouco de Nasrudin, ainda.
E essas estória trazem insights preciosos, com um refinado senso de humor.



A MULHER PERFEITA

Certa tarde, conta uma antiga história sufi, Nasrudin tomava chá e conversava com um amigo sobre a vida e o amor. -"Por que você nunca se casou, Nasrudinn?", perguntou o amigo. -"Bem", respondeu, Nasrudin, "para dizeer a verdade, passei toda a minha juventude a procurar a mulher perfeita. No Cairo conheci uma môça linda e inteligente, com olhos que pareciam olivas pretas, mas ela não era muito cortês. Depois, em Bagdá, conheci uma mulher de alma generosa e amiga, mas não tínhamos muito interesses em comum. Muitas mulheres passaram pela minha vida, mas em cada uma delas faltava alguma coisa, ou alguma coisa estava demais.

Então, um dia, eu a conheci. Era linda, inteligente, generosa e bem- educada. Tínhamos tudo em comum. Na verdade, ela era perfeita". -"E então", replicou o amigo de Nasrudiin, "o que aconteceu? Por que você não se casou com ela?" Pensativo, Nasrudin sorveu mais um gole de chá e concluiu: -"Infelizmente, parece que ela estava aa procura do homem perfeito."



DOENTE, GRAÇAS A DEUS

Nasrudin, sentado na sala de espera do consultório médico, repetia em voz alta:
"Espero que eu esteja muito doente", o que intrigava os outros pacientes.
Quando o médico apareceu, Nasrudin repetia quase gritando:
"Espero que eu esteja muito doente".
"Por que você diz isso?", perguntou o médico.
"Detestaria pensar em alguém que se sinta tão mal como eu não tenha nada!".



OS MELHORES CONSELHOS

Nasrudin começou a construir uma casa : seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mullá estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.
Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.
- Que curioso! - disse Nasrudin - e contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!



NASRUDDIN E A ESPOSA

Certa feita, o Mulla Nasrudin e sua esposa estavam saindo de uma festa, e Mulla disse:
"Querida, alguma vez alguém já lhe disse que você é fascinante, linda, maravilhosa?"
Sua esposa sentiu-se muito, muito bem, ficou muito feliz. Ela disse: "Eu me pergunto por que ninguém jamais me disse isso."
Nasrudin disse: "Mas então de onde você tirou essa idéia?"

A esposa de Mulla Nasrudin morreu. Os vizinhos reuniram-se, mas Mulla Nasrudin permanecia em pé, completamente tranqüilo, como se nada tivesse acontecido. Os vizinhos começaram a gritar, a chorar e disseram: -"Que estás tu fazendo aí, em pé, Nasrudin? Ela está morta!"

Nasrudin disse: - "Esperem! Ela era tão mentirosa que eu devo esperar pelo menos três dias para ver se é verdade ou não."


O HOMEM E A FORTUNA

“Um homem herdou uma grande fortuna, mas, em pouco tempo, dilapidou seu patrimônio de uma tal maneira que não lhe restou um centavo sequer. Sem saber o que fazer, foi queixar-se a Nasrudin:
“Mullá, estou numa situação terrível”, disse “Estou a ponto de ter que pedir esmolas para sobreviver.
Que faço?
Qual é o remédio?
” Nasrudin refletiu por um instante e respondeu: “Não se preocupe, suas aflições terminarão em breve.”
O perdulário entusiasmou-se: “Como?
Acaso voltarei a ser rico?”
“Não, não.” Respondeu o Mullá. “você se acostumará a ser pobre!”


AS CHAVES

Numa certa noite muito escura, Nasrudin foi visto procurando algo no chão debaixo de um poste de luz que iluminava uma boa área a seu redor. Querendo ajudar o velho mestre, um jovem perguntou o que ele estava procurando.
“Minhas chaves! Deixei-as cair!”, disse ele.
O jovem se pôs então de quatro ao lado de Nasrudin para procurá-las. Depois de um certo tempo sem encontrar nada, o jovem perguntou a Nasrudin.
“Mullá, tem certeza de que deixou cair suas chaves por aqui?
” O mestre respondeu: “Claro que não! Deixei-as cair em frente de casa!” Perplexo, o jovem perguntou: “Por que então está procurando aqui?” Respondeu Mullá Nasrudin: “Ora, porque aqui há muito mais luz!”

Ensinamento da história: muitas vezes buscamos a felicidade apenas no que está mais aparente e visível, no que tem mais luz, isto é, nas coisas do mundo, quando é preciso dar um mergulho no escuro, enfrentando medos e emoções turbulentas, para obter as chaves de uma transformação real.


NUNCA PERCO UM BOM NEGÓCIO

Nasrudin tinha tanta coisa contra seu jumento, que o mais óbvio a fazer seria vendê-lo para poder arranjar outro. Então foi ao mercado, encontrou o leiloeiro e entregou-lhe o jumento para que fosse vendido.
Quando o animal foi exposto à venda, lá estava Nasrudin de prontidão.

"E o próximo lote", anunciou o leiloeiro, "é este soberbo, inigualável, maravilhoso jumento.
Quem dá o primeiro lance, oferecendo cinco moedas de ouro?"
"Só cinco moedas de ouro por um jumento?", impressionou-se Nasrudin.
Então ele mesmo abriu o leilão. À medida que o preço ia ficando mais e mais alto, com o leiloeiro apregoando a cada lance as maravilhas daquele jumento, Nasrudin foi ficando mais e mais ansioso por comprá-lo.
Afinal, a disputa concentrou-se em Nasrudin e um fazendeiro. Assim que se alcançou o lance de quarenta moedas de ouro, o leiloeiro bateu o martelo e o jumento foi arrematado por Nasrudin.
Pagou ao leiloeiro a comissão de um terço e ficou com a parte do dinheiro que correspondia ao vendedor; então, tomou posse do jumento conforme cabia ao comprador fazê-lo.
O jumento talvez valesse umas vinte moedas de ouro. Ou seja, Nasrudin ficou sem um tostão: mas tinha comprado um jumento, cujos méritos ignorara, conforme agora se dava conta, até que tivessem sido tão brilhantemente retratados pelo leiloeiro da cidade.
"Nunca perco um bom negócio", disse Nasrudin a si mesmo, enquanto voltava para casa com seu prêmio.


ONDE ESTÁ O VALOR DO TURBANTE DE NASRUDIN?

O turbante de Nasrudin era muito valoroso. E Nasrudin apareceu na corte com este magnífico turbante, pedindo dinheiro para caridade.

- Você veio me pedir dinheiro, e está usando um ornamento muito caro na cabeça. Quanto custou esta peça extraordinária? - perguntou o soberano.

- Quinhentas moedas de ouro - respondeu o sábio sufi.


O ministro sussurrou: “É mentira. Nenhum turbante custa esta fortuna”.

Nasrudin insistiu:

- Não vim aqui só para pedir, vim também para negociar. Paguei tanto dinheiro pelo turbante, porque sabia que, em todo o mundo, apenas um soberano seria capaz de comprá-lo por seiscentas moedas, para que eu pudesse dar o lucro aos pobres.


O sultão, lisonjeado, pagou o que Nasrudin pedia. Na saída, o sábio comentou com o ministro:

- Você pode conhecer muito bem o valor de um turbante, mas sou eu quem conhece até onde a vaidade pode levar um homem.


O CONTRABANDISTA

Volta e meia, Nasrudin atravessava a fronteira entre a Pérsia e a Grécia montado no lombo de um burro. Toda vez passava com dois cestos cheios de palha e voltava sem eles, arrastando-se a pé. Toda vez o guarda procurava por contrabando. Nunca o encontrou.
"O que é que você transporta, Nasrudin?"
"Sou contrabandista."Anos mais tarde, com uma aparência cada vez mais próspera, Nasrudin mudou-se para o Egito. Lá encontrou um daqueles guardas de fronteira.
"Diga-me, Mullá, agora que você está fora da jurisdição grega e persa, instalado por aqui nesta vida boa - o que é que você contrabandeava, que nunca conseguimos pegar?"
"Burros."


O TOLO QUE ERA SÁBIO

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.
Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.
Nasrudin lhe respondeu:
- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.
E cheio de sabedoria acrescentou:
- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.
"Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!"


A PROCURA DA MULHER PERFEITA

Contos Sufi de Nasrudin
Nasrudin estava proseando com um conhecido , que lhe indagou:

- Mullah, responda-me, você nunca pensou em se casar?
... Ver mais
- Sim, claro que já. Quando eu era jovem, determinei-me a achar o meu par perfeito. Cruzei o deserto, cheguei em Damasco, e conheci uma mulher belíssima e espiritualmente muito evoluída; mas as coisas triviais, do dia a dia, a atrapalhavam.

Mudei de rumo e lá estava eu, em Isfahan; ali pude conhecer uma mulher com dom para as coisas materiais, da vida caseira, e além disso se mostrou muito espiritualizada. Porém, carecia de beleza física. Pensei: o que fazer?

E resolvi ir ao Cairo. Lá cheguei e logo fui apresentado a uma linda jovem, que também era religiosa, boa cozinheira e conhecedora dos afazeres do lar. Ali estava a minha mulher ideal.

- Entretanto você não se casou com ela. Porquê?

- Ah, meu prezado amigo, ela também estava buscando o homem ideal.

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Caros amigos da blogsfera, eu gosto muito de Nasruddin, por isso posto histórias que encantam a alma e liberta o espírito. Dêem muitas risadas com este Mestre do Sufismo.


Referência bibliográfica:
1. RANGEL, Alexandre. As Parábolas e contos de Nasruddin. Editora Leitura Ltda., 1ª edição, Belo-Horizonte.MG.
2. NASRAL-DIN, Khajah. Historias De Nasrudin. Editora Dervish. 1ª edição, 1994.
3. Internet: http://en.wikipedia.org/wiki/Nasreddin

6 comentários:

  1. Marcos Takata disse...

    Namaste
    Norma boa amiga,
    Que belo aprendizado com Nasruddin, é uma delícia ler este sábio.
    Um dia a gente aprende com certeza absoluta.
    E crescemos e amadurecemos. Esta é a riqueza do caminho.
    Bijusssss

  2. Viveka disse...

    Namaste
    Norma amiga,
    Este Nasruddin é um excelente sábio. Cada uma destas histórias trás boas reflexões para o aprendizado da vida.
    Beijinhos no core

  3. Norma Villares disse...

    Viveka querida, que Jesus, ilumine a sua vida. Muitas bênçãos! Tudo de bom para você.
    Namaste
    Beijinhos

  4. Norma Villares disse...

    Namaste
    Marcos amigo da alma e do coração,
    REalmente são belas histórias que trazem ensinamentos sem igual.
    Com certeza:
    Um dia a gente aprende com certeza absoluta.
    Bijusssss

  5. Maroca disse...

    Namaste
    Norma amiga,
    Estas histórias de Nasruddin relaxa muito, pois damos muitas risadas.
    Nada como RIR, é o melhor remédio.
    Além do mais são excelentes reflexões.
    Cada história mais linda que a outra.
    Bejos no coração

  6. Norma Villares disse...

    Muito obrigada Maroca, sempre tão gentil.
    Estas histórias faz-nos meditar e retornar ao caminho da evolução.
    É só meditar e reflexionar.
    Dar boas risadas também.
    Beijos no coração

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Muito obrigada pela sua presença iluminada

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