24 de jun. de 2014

Pequena História das Traduções Bíblicas




A obra Consultada para escrever esse texto foi o livro: "Analisando as Traduções Bíblicas", de autoria de Severino Celestino da Silva - Editora Idéia .

A Septuaginta ou Versão dos LXX - A Bíblia Grega
Durante o século II a.C., Alexandria, onde se falava o idioma grego, vivia o reinado do rei egípcio Ptolomeu Filadelfo II (285-247 a.C.), que se orgulhava de possuir em sua rica biblioteca todos os 'livros do mundo'. Havia também em Alexandria uma importante colônia judaica.

Informado o soberano por seu bibliotecário, Demétrio Falário de que não existia uma versão da Bíblia em grego, prontamente estabeleceu um projeto para tal.


De Israel foram enviados 72 sábios (6 para cada uma das doze tribos de Israel) com a incumbência de traduzir as escrituras do hebraico para o grego, trabalho que cada um completou, segundo o Talmude ou Guemará (estudo), em 72 dias, estando cada um desses sábios confinado em celas separadas, na ilha de Faros. Somente o Pentateuco - Torá, foi traduzido nesta etapa, os demais livros, completando O Tanách - Bíblia, a saber, Nevii - Profetas (8) e Ketuvim - Escritos (11), foram traduzidos posteriormente, até o final do século II a.C. (a bíblia em hebraico é composta somente do Velho Testamento - Primeira Aliança). O Novo Testamento, também em grego, não é acoplado à Septuaginta, somente existindo em separado.


No entanto, conta a história que, devido aos corações desses sábios estarem 'plenos de sabedoria divina', quando as 72 traduções foram comparadas, 'elas eram idênticas' . Imagina-se que tenham feito as mesmas mudanças para que o rei não alimentasse qualquer dúvida a respeito de sua autenticidade, pois a tradução de um idioma oriental, consonantal, com um conjunto de regras interpretativas, que se escreve da direita para a esquerda, para um idioma ocidental, vocálico (7), que se escreve da esquerda para a direita, rico em declinações, conjugações e casos gramaticais e que não possui a simbologia do hebraico, realmente deveria produzir uma Nova Torre de Babel. 


Segundo o Talmude, "o dia da tradução foi tão doloroso quanto o dia em que o Bezerro de Ouro foi construído, pois a Torá não poderia ser acuradamente traduzida". Alguns rabinos disseram que "as trevas cobriram a Terra por três dias" quando a LXX (Setenta ou Septuaginta) foi escrita. 

A alteração começou pelos nomes originais dos livros do Pentateuco (Torá), que ficaram da seguinte forma, conforme perguntado em Nosso Desafio:

HEBRAICO Transliterado (primeira ou principal palavra do início de cada livro) GREGO / PORTUGUÊS
(respeito ao conteúdo)
Bereshit (No princípio) Gênesis / Gênese (origem)
Shemôt (Nomes) ... dos filhos de Israel Exodos / Êxodo (saída)
Vaicrá (Ele Clama) ou Sêfer Torat Cohanim (livro dos sacerdotes) Levitikon / Levítico (sacerdotes) (descendentes de Levi)
Bamidbar (No deserto) ou Humash
Hapecudim (Livro dos Censos)
Arithmoi / Números (as duas contagens do povo ou recenseamentos)
Dvarim (Palavras) ou Misné Torá
(Segunda Torá)
Deuteronomos / Deuteronômio (deutéros = segundo / nomos = lei) (Segunda Lei)

A tradução grega passou a fazer parte da biblioteca do rei Ptolomeu Filadelfo II, em Alexandria e recebeu o nome de Septuaginta ou Versão dos LXX em virtude dos principais idiomas do mundo serem em número de Setenta e os outros, variantes, híbridas ou dialetos desses setenta.

A Vulgata de São Jerônimo - A Bíblia Latina da Igreja Católica

Devido às dificuldades reinantes no século III d.C., grandes divergências dogmáticas agitaram o mundo cristão e provocaram sanguinolentas perturbações, até que o imperador Teodósio conferiu a supremacia ao papado, impondo a opinião do bispo de Roma à cristandade.

A fim de por termo a essas divergências de opinião, no momento em que vários concílios discutiam acerca da natureza de Jesus, uns admitindo e outros rejeitando sua divindade, o Papa Dâmaso confia a São Jerônimo, no ano 384, a missão de redigir uma tradução latina do Antigo e do Novo Testamento. Essa tradução passaria ser a única reputada ortodoxa e aceita pela Igreja.

São Jerônimo sentiu o peso da responsabilidade, escrevendo ao papa sobre suas preocupações acerca da tradução. Eis o seu desabafo:
"Da velha obra me obrigais a fazer obra nova. Quereis que, de alguma sorte, me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersos por todo o mundo e, como diferem entre si, que eu distinga os que estão de acordo com o verdadeiro texto grego. É um piedoso trabalho, mas é também um perigoso arrojo, da parte de quem deve ser por todos julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido."
"Qual de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar novo, depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros ?"
"Um duplo motivo me consola desta acusação. O primeiro é que vós, que sois o soberanos pontífice, me ordenais que o faça; o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem, mesmo quanto tivessem elas por si a aprovação dos maus."
Vemos nessas declarações o testemunho das modificações e adaptações por que passou a Bíblia e, por isso, não se pode afirmar, categoricamente, que tudo que existe neste livro, em português, é a pura verdade.
Santo Agostinho, bispo de Hipona, escreve a São Jerônimo no ano 395, demonstrando sua preocupação com relação à sua tradução e testificando a inexistência de exatidão nas traduções bíblicas. Vejamos sua carta:

"A meu ver, eu preferiria que tu antes nos interpretasse as Escrituras gregas canônicas que são atribuídas aos setenta intérpretes, pois se há dissonância entre o latim das antigas versões e o grego da Setenta, pode-se ir verificar, mas se há dissonância entre o latim da nova versão e o texto conhecido do público, como dar a prova da sua exatidão ?"

As Divisões da Bíblia

A Bíblia nem sempre foi dividida em capítulos e versículos como ocorre atualmente. Inicialmente, a Torá (O Pentateuco - 5 livros de Moisés), foi dividida em Seções (peraxiôt) para leitura nas sinagogas judaicas, cada uma dessas seções lida em uma semana, com a quantidade de "peraxiôt" igual ao número de semanas do ano judaico. O restante da Bíblia hebraica completando o Tanách, ou seja, a "Primeira Aliança" ou Velho Testamento era dividida em versículos e seções para leitura nas sinagogas, antes da era cristã.

A divisão moderna do Antigo Testamento e sua numeração em Capítulos foi efetuada em 1228 e é atribuída a Estêvão Langton, professor em Paris e nomeado Arcebispo de Canterbury. É possível que ele tenha usado a divisão já existente. A numeração do Antigo Testamento em Versículos foi realizada por Sante Pagnini, em 1528.


Severino Celestino
Em 1555, o redator parisiense Robert Etienne adotou a numeração de Pagnini e numerou os versículos do Novo Testamento de acordo com ela.
Tal divisão e distribuição, como também o título e a ordem dos Livros Sagrados apresentam leve diferença entre a Vulgata e as traduções atuais. Por exemplo: do Salmo 10 ao 148, a numeração da Bíblia hebraica está uma unidade à frente da numeração da Bíblia grega e da Vulgata, que reúnem os Salmos 9 e 10 e os Salmos 114 e 115, mas dividem em dois os Salmos 116 e 147.
Existem, ainda, nas bíblias, diferenças de ordem na disposição dos livros. Por exemplo: na Bíblia judaica (O Tanách), temos como último livro o II Livro das Crônicas; na Vulgata, o último livro do Velho Testamento é o II livro dos Macabeus; nas Bíblias ocidentais católicas ou protestantes, o último livro do Velho Testamento é o Livro de Malaquias, descobrindo-se ainda outras diferenças, à medida que manuseamos cada uma delas ...


Aos interessados em mais informações preciosas acerca das contradições entre o original hebraico e as atuais traduções em português, indicamos a consulta de: "Analisando as Traduções Bíblicas", de Severino Celestino da Silva - Editora Idéia.

 Eu recebi este texto por email por ocasião de uma apresentação de Severino Celestino da Silva, e ainda não comprei o livro dele, mas está em minha lista.

Melhores abraços
Norma Villares

 
Fonte:
http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Educacao/M_BibliaTraducoes.htm

23 de jun. de 2014

DEFINIÇÃO DE UM VERDADEIRO GURU





Oh!  Mestre Imortal! Te reverencio como a palavra em voz alta do Deus silencioso.  Te reverencio como a porta sagrada pela qual se entra ao templo da salvação. Ponho a teus pés as flôres de devoção; e também sobre o altar de teu Guru Lahiri Mahasaya, percursor do Yoga  moderno, e também  a de  Seu  Mestre , o imperecível  e onipresente Babaji.

Por Paramahansa Yogananda, ao seu grande guru - Swami Sri Yukteswar Giri.




O Senhor responde àquele que busca, conduzindo-o a um professor ou a livros filosóficos e religiosos que satisfaçam esta sede inicial de compreensão.
À medida que ele absorve os conhecimentos de outras pessoas, seu entendimento se desenvolve e o crescimento espiritual se acelera. Ele se aproxima um pouco mais da verdade, ou seja de Deus. Finalmente, até mesmo esse conhecimento se torna insatisfatório e ele almeja por uma realização pessoal da Verdade. (..) "Li a respeito da Verdade; ouvi a respeito da Verdade. Agora preciso conhece-la!"
Em resposta ao angustiado apelo de Seu filho, o Senhor, em sua compaixão, envia-lhe um mestre iluminado, um verdadeiro guru que, tendo alcançado a realização do Ser, sabe que este Ser é Espírito. A vida de semelhante mestre é uma expressão plena da Divindade.



Swami Shankara descreveu o guru da seguinte maneira:
"Não existe, em nenhum dos tres mundos, nada que possa se comparar a um verdadeiro guru. Se a pedra filosofal existe, ela só pode transformar ferro em ouro e não em outra pedra filosofal. O venerado mestre, por outro lado, torna igual a si próprio o discípulo que busca refúgio a seus pés. O guru portanto, não só é incomparável, mas também transcendental".




Yogananda disse: "O guru é o Deus desperto que acorda o Deus adormecido no discípulo. Através de sua compaixão e profunda percepção espiritual, o verdadeiro guru vê o próprio Senhor sofrendo naqueles que se encontram física, mental e espiritualmente empobrecidos. Por essa razão ele sente ser seu o jubiloso dever de ajudá-los. Ele procura alimentar o Deus faminto no carente; animar o Deus adormecido nos que padecem de ignorância espiritual; amar o Deus inconsciente no inimigo e acordar o Deus semi-desperto no devoto fervoroso. Com um suave toque de amor ele desperta, instantaneamente, o Deus já quase desperto no buscador adiantado. Dentre todos os homens, o guru é o mais generoso.
Assim como o próprio Senhor, sua generosidade não tem limites."




A espiritualidade não pode ser comprada num mercado. Devemos buscar Deus com afinco. Quando abrigas um profundo anelo de encontra-Lo, o Senhor te envia um guru. Um verdadeiro guru constitui um vínculo direto com Deus e abriga um só propósito: presentear seu discípulo ao Pai Celestial. Quando estás em sintonia com um verdadeiro guru, te encontras em sintonia com Deus. Esta relação é eterna. Um guru continua ajudando a seus discípulos - melhor dizendo, a quem o reconhece como tal e segue seus ensinamentos - mesmo depois da morte. Esta é uma lei espiritual.

(Do livro O relacionamento Guru - discípulo)




" Lembrem-se sempre que quando eu tiver deixado este corpo, mesmo não me sendo mais possível falar com vocês com esta mesma voz, eu conhecerei cada um de seus pensamentos e estarei consciente de cada ato que praticarem ".
" Depois que eu partir, os ensinamentos serão o guru. Aqueles que seguirem fielmente o caminho da Self  Realization e praticarem estes ensinamentos, estarão em sintonia comigo, com Deus e com os Paramgurus que enviaram esta obra ".


 Paramahansa Yogananda


 Texto cedidos por Mônica do site ALMAS DIVINAS. 
 Paz Profunda!
 Sublimes abraços
 Norma

 Fonte:

 http://www.almasdivinas.com.br/yog/definindo_um_guru.htm



22 de jun. de 2014

AMOR À DEUS






"A única maneira de conquistar Deus é por amor.
O conhecimento prepara o caminho para o amor.
Você não pode amar o que não conhece.
O conhecimento de Deus deve, portanto, preceder o amor a Ele.
Esse conhecimento surge com a prática da Kriya Yoga.
Quando conhecer Deus, voce O amará e, amando-O, entregar-se-á a Ele.
Então, a paz Dele, entrará em seu coração.

Nosso amor é a única coisa que Deus não possui, a menos nós o ofereçamos.
Assim - veja você - até o Senhor tem algo para conquistar: o nosso amor.
E não existe amor maior que o Dele.

Para amar a Deus, é preciso conhece-Lo"


 Paramahansa Yogananda


Os ensinamentos devem ser lidos, anotados e digeridos. Assim como o alimento não o satisfará se você não o ingerir, do mesmo modo o ensinamento não significará nada se você não procurar se nutrir dele." PY



 http://www.almasdivinas.com.br/seres_iluminados.htm

21 de jun. de 2014

A ESCOLA DO CORAÇÂO




O lar, na essência, é academia da alma.

Dentro dele, todos os sentimentos funcionam
por matérias educativas.
A responsabilidade governa.
A afeição inspira.
O dever obriga.
O trabalho soluciona.
A necessidade propõe.
A cooperação resolve.
O desafio provoca.
A bondade auxilia.
A ingratidão espanca.
O perdão balsamiza.
A doença corrige.
O cuidado preserva.
A renúncia liberta.
A ilusão ensombra.
A dor ilumina.
A exigência destrói.
A humildade refunde.
A luta renova.
A experiência edifica.

Todas as disciplinas referentes ao aprimoramento do cérebro são facilmente encontradas nas universidades da Terra, mas a família é a escola do coração, erguendo entes amados à condição de professores do espírito.

E somente nela conseguimos compreender que as diversas posições afetivas, que adotamos na esfera convencional, são apenas caminhos para a verdadeira fraternidade que nos irmana a todos,
no amor puro, em sagrada união, diante de Deus.
 
 
*Emmanuel *

 >>Mensagem extraída do livro “Seara dos Médiuns”. Pelo espírito Emmanuel através de Chico Xavier, na reunião pública de 27-07-60, sobre a questão nº 341 de O livro dos médiuns.

Amigos de Chico Xavier


20 de jun. de 2014

O Preço da Luz



Não recebemos qualquer aquisição sem preço correspondente. Fatos comezinhos da existência material esclarecem-nos vivamante nesse sentido. Por que motivo aguardaríamos vantagens da compreensão sem o trabalho preciso? Não se dependura a virtude no santuário da consciência, como objeto de adorno em tabiques exteriores. 

Faz-se preciso renovar a mente e purificar o coração. Não adquiriremos patrimônios da imortalidade, guardando acervos de pensamentos do campo mortal.

Não nos renovaremos em Cristo, perseverando nas velhas fantasias da esfera transitória.
Para elevar a própria vida é imprescindível gastar muitas emoções, aparar inúmeras arestas da personalidade, reajustar conceitos e combater sistematicamente a ilusão.



Emmanuel

(psicografado por Francisco C. Xavier - Grupo Espírita "Os Mensageiros")

DIFÍCIL SER TRANSPARENTE?




 Rosana Braga


Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente? Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso. É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... 

Ser transparente é desnudar a alma,é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar...

Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre,a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana. Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser...

Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo! Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção... E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos.

Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado. Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar, doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!


Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar,agredir, acusar,criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando... pode parar, por favor?". Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor... Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo,não desejar parecer tão invencível. 

Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto, que consigamos docemente viver, sentir, amar... E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento. 

Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.




19 de jun. de 2014

ENSINAMENTOS DE SRI SATHYA SAI BABA




Semeie no campo de seu coração as sementes dos bons pensamentos, carregados com humildade e regados com as águas do amor; proteja a colheita com um remédio chamado coragem; nutra a plantação com o fertilizante da concentração mental; assim, então, as plantas da devoção (bhakti) propiciarão a ceifa da sabedoria que consiste em se dar conta de que você é Ele. Quando este des-velar acontecer, você se tornará Ele; aliás, você é sempre Ele, não obstante não o saiba.

- Grandes poemas versam sobre a eterna sede do homem por Deus; são ricos da ambrosia que mitiga tal sede. Satisfazem e suscitam forças para sorrir às tribulações da vida. Sem o sadhana (disciplina) espiritual, sem a expansão da consciência, sem a ampliação da simpatia, sem o aguçar da visão, sem o aprofundamento dos contatos com a Fonte da Sabedoria, que está dentro de nós e dentro dos outros, a poesia não é mais que passatempo pálido e sem propósito.

- Quando você entra numa loja e escolhe uma fazenda para uma calça ou camisa, prefere uma escura. A razão da preferência pela cor preta e não clara, pelos tons de branco, é porque a cor escura não mostra o sujo. Geralmente o desejo não é o de remover a sujeira, mas o de ocultá-la. Isso tem se tornado uma fraqueza universal. As pessoas envergonham-se da impureza no coração, mas não tentam limpá-lo. Tal limpeza, a do coração, só se consegue através do Amor (prema) e da Verdade (sathya), através da repetição do mantra dado pelo Guru e pelo sadhana (disciplina espiritual) quando regular e firmemente praticado com fé.

- Os olhos devem ser treinados para descobrir as pegadas de Deus. Neste processo, a mente tem de ser controlada. Ela é o pivô dos pensamentos e sentimentos. A mente é o aspecto pensante da Consciência Absoluta, isto é, Brahman. O Ser Absoluto, manifestando-se na atividade imaginativa, é a mente. Ela, em vez de voltar-se para o Absoluto, volta-se para fora, e começa a utilizar os sentidos como instrumentos seus, esquecendo sua fonte - o Absoluto. Como e por que tal acontece é inexplicável. Sabemos que é isso o que acontece, mas também sabemos que pode ser evitado. O intelecto não pode apreender o segredo, que a ilusão (maya) é, porque ele também é limitado por ela. Isso é um fato, e, com fato, deve ser encarado. A mente é um pano de fundo do mundo. Se seus pensamentos e atividades são válidos, sadios, isentos de violência, plenos de amor, e moralmente harmoniosos, a Paz está à mão, e Brahman pode ser alcançado. Eis porque a disciplina tem de ser rigorosamente seguida, visando a conduzir a mente para o interior, para Deus, para Sua fonte.

- Quando o ímã não consegue atrair a agulha, a falha está na poeira que cobre a agulha. Quando o Senhor não está próximo do devoto, a falha está no coração deste que não se acha suficientemente puro.

- Cresçam dia-a-dia, não só fisicamente, mas também na vida espiritual. Há quanto tempo estão retidos na escola primária, a aprender as letras do alfabeto? Ergam-se. Requeiram um exame. Sejam aprovados. Vão em frente, para as classes mais adiantadas.

- Cada sentido é uma porta de saída parra a energia do homem, numa direção que o prende ao mundo objetivo. Os sentidos são pela mente induzidos a se externarem, vinculando-se aos objetos. Ao homem convém submeter sua mente a viveka, ou seja, à inteligência que discerne, e, assim, a mente em vez de o lesar, o ajudará.

- Passo a passo, tem-se de praticar o desapego, sem o que a ambição e a miséria dominarão a natureza mais sutil do ser humano. Esta natureza é divina, pois que sua verdadeira Substância é Deus, e desta Substância o homem não é mais que um nome e uma forma. Para que se alcance tão preciosa constatação, indispensável é desenvolver o sadhana, que consta dos seguintes componentes:
1. Nithyanithya viveka (discriminação entre o imutável e o mutável, entre o perene e o temporário), que consiste em dar-se conta de que o universo (jagat) está sempre sujeito a transformações e mudanças, mas Brahman (Deus) não muda;
2. Thamurthra-phala-bhoga-viraaga, que implica o desapego aos prazeres, mesmo aos do próprio Céu, depois de alcançada a convicção de que estes também são evanescentes e seguidos pela aflição;
3. Samadamaadi-shatka-sampaththi, que é constituído pelas virtudes desejáveis, isto é, o controle dos sentidos externos e internos e das sugestões sensoriais, a fortaleza dentro da angústia e da dor, da alegria e da vitória; a supressão de todas as atividades de conseqüências escravizantes; fé inabalável no Mestre e nos textos que ele expõe; e a imperturbável contemplação sobre o básico Brahman, sem se deixar perturbar por outras ondas de pensamento.

- O corpo é o veículo de que você dispõe para atingir o Estado de Bem-aventurança, e, assim, deve ser protegido e conservado forte para tão alto propósito. É um instrumento para o sadhana, que, por méritos obtidos em nascimentos prévios, você conquistou. Cada momento ele está seguindo para sua própria dissolução, e assim, o tempo não pode ser desperdiçado em buscas vãs. Melhor mesmo é considerar o corpo como um meio ou instrumento grosseiro do que o elevar ao nível de ser tudo na vida e finalidade da vida mesma. Trate-o como uma ferida que deve ser coberta por uma bandagem (as roupas), cuidada com medicamentos (os alimentos) e lavada (com água). Você pode livrar-se deste desordenado apego mediante este método - só este método.

- Renuncie à idéia de ser separado. Em todos os seres veja você mesmo, e sinta todos os seres em você. Esta é a mais alta renúncia do sentido do ego, o ego que o faz se apegar a esta sua temporária habitação, a este saco de ossos e carne, a esta casa que usa um nome e uma forma. De duas coisas consiste o exercício espiritual: a contemplação de Deus; e a descoberta da nossa natureza inata, ou seja, da Realidade.

- Da mesma forma como você atende às necessidades do corpo, nutrindo-o três vezes ao dia, a fim de o conservar em bom funcionamento, assim, também, empregue algum tempo regularmente, em cada dia, visando a conservar sua consciência interna também em boas condições. Dedique uma hora pela manhã e outra à noite, e uma terceira nos primeiros momentos da alvorada para a prática de japam (repetição do mantra) e dhyana (meditação) sobre o Senhor. Descobrirá grande paz descendo sobre você e dentro de você; sentirá o crescimento de grandes fontes de força, à medida que progrida neste sadhana (disciplina). Depois de algum tempo, a mente se fixará sobre o Nome (de Deus), onde quer que você esteja e no que quer que você esteja engajado, e, então, a Paz e a Alegria lhe serão inseparáveis companheiros.

- Durma dentro do mosquiteiro, e os insetos não o incomodarão. Assim, também, não deixe que os insetos de kama (luxúria), krodha (ira, ódio), lobha (avareza, ambição), moha (apego), mada (arrogância) e matsarya (inveja ou ciúme) o ameacem. Guarde-se dentro da cortina do sadhana (disciplina) enquanto permanecer neste mundo. Esteja dentro do mundo, mas não permita que o mundo esteja dentro de você. Este é um sinal de discernimento (viveka).

- Quando você joga sementes na superfície do solo elas não germinam. Terá de as manter dentro dele. Igualmente, o ensinamento, se ficar na superfície, não germinará, não se desenvolverá, criando a árvore do conhecimento, e assim, não produzirá o fruto da sabedoria. Plante o ensinamento no coração; regue-o com prema (Amor), adube-o com fé e coragem; defenda-o contra as pragas com o defensivo sathsanga (companhia de pessoas santas, puras e sábias) e bhajana (cânticos devocionais), tanto que, no fim, possa beneficiar-se. Você nem começou o sadhana (disciplina espiritual), e ainda assim, deseja shanti (Paz), e espera a Graça. Como é possível? Comece. Depois todas as coisas lhe serão acrescentadas.

- Esta proximidade (à Bem-aventurança) é ganha pelo bhaktha (devoto), o qual não pode estar firme, exceto após a anulação do “eu” e do “meu”. Quando um preso é conduzido de um lugar a outro, é escoltado por dois policiais. Não é? Quando o homem que é prisioneiro nesta cadeia (a cadeia de nascimentos e mortes, isto é, sansara) se move de um lugar a outro, é também acompanhado por ahamkara (egoísmo) e mamakara (possessividade). Quando ele se movimenta sem estes dois, esteja certo, ele é um homem livre, libertado da prisão.

- Se você tem de puxar potência da casa de força para sua residência, a fim de a iluminar, terá de fixar postes a intervalos regulares e ligar os fios. Assim também, se quiser a Graça de Deus, pratique sadhana (práticas disciplinares) em períodos regulares, e se ligue a Deus pelo fio de smarana (a lembrança contínua, a insistência n´Ele).

- Saiba que o Atma (o Ser divino em nós, a Centelha divina) é sua Realidade e também que Ele é a Força Interna deste Universo. Que sua inteligência penetre é a Força Interna deste Universo. Que sua inteligência penetre tal Verdade. Analise-se e descubra os diversos níveis da Consciência: o físico; o sensório; o nervoso; o mental; o intelectual, e assim, alcance até mesmo o âmago do último nível - o da alegria. Os panchakosas (os cinco envoltórios escondendo o Atma) têm de ser transcendidos, tanto que você possa alcançar sua Verdade, a de que você é Atma. O Atma pode ser apreendido somente por um acurado intelecto e uma mente pura. Como purificar a mente? Por mantê-la em jejum dos maus “alimentos” atrás dos quais ela corre, isto é, os prazeres mundanos. Além do mais, é preciso nutri-la com “alimentos” bons, principalmente o pensar em Deus. O intelecto se tornará acurado se devotar à discriminação entre o efêmero e o eterno. Que seus pensamentos estejam concentrados em Deus, em Seu Nome e em Sua Forma. Você sentirá então que está sempre com o que é puro e duradouro; gozará de pura e prolongada alegria. Eis por que dou tanta importância a namasmarana (repetição do Nome de Deus como disciplina espiritual).

 




- Muitos de nós estamos inclinados a acreditar em Deus se nossos desejos são atendidos, e nos negamos a acreditar quando o curso da vida flui contrariamente ao que pretendemos. Tais considerações, em qualquer caso, nada têm a ver com a verdade sobre Deus. As más propensões tendem a se transformar em hábitos consolidados. A doença de tais hábitos não pode ser curada por um sadhana (prática disciplinar) mecânico. Sobre isso, há uma pequena história. Um indivíduo sofria de indigestão. Porque a doença se fizera crônica, e ele tomara diversos medicamentos. Entretanto, para sua felicidade, apareceu um santo e sugeriu-lhe a cura. Disse-lhe para mascar e chupar pedras de sal durante o dia inteiro. Fazendo assim, tempos depois lhe veio um grande alívio. Essa pessoa costumava distribuir doces às crianças em dias de festival. Num dia de dipavali visitou várias lojas e em todas achou que os laddus (um tipo de doce) eram amargos. O dono de uma das lojas, que conhecia seu hábito de chupar sal, sugeriu-lhe que lavasse a boca antes de provar um laddu. Concordando, o homem constatou que o laddu era doce. Da mesma forma, enquanto sucumbindo a seus maus hábitos, você não alcançará a fragrância doce e santificante da sagrada companhia das divinas personalidades, que venha a encontrar. Somente depois de limpar a mente, você se beneficiará das boas companhias. Depois, pode vir a gozar a Bem-aventurança de Atma.


Segue estes ensinamentos para reflexões do dia a dia.
Abrraços sublimes
Norma

Ensinamentos extraído do livro “Sadhana - O Caminho Interior” – editora Nova Era

18 de jun. de 2014

O QUE É XAMANISMO?






A Busca de uma Definição 

 Léo Artése

Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio. 

O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico. 

A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras. 

A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões. 

As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões. 



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Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.
Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial. 



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Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado, Shamanism:The Beginnings Of The Art.

 
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A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.
O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo. 


Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento. 


Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo. 


No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo. 

Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças. 

O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.
A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado. 


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O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático. 

Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial. 

O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta. 

O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação. 

O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas. 

No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :

  • A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática
  • A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo
  • Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.
  • O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.
  • Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo
  • Interação com espíritos da natureza
  • Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)
  • Conhecimento sobre o fogo
  • Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)
  • Canções de Poder
  • Danças
  • Respiratórios e dietas
  • Contação de histórias, preleições. 
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O Xamanismo como a mais antiga prática espiritual da humanidade tem como base em suas práticas o respeito pela ecologia, reconhecimento do Sagrado, necessidade de expandir a consciência e obter resposta em mundos paralelos, prática do amor incondicional . Suas práticas estabelecem contato com outros planos de consciência a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual. 

A interação harmônica dos elementos equilibra a Jornada da Nossa Alma, faz girar a Roda da Vida em harmonia. No xamanismo praticado na atualidade estudamos os talentos elementais:
  • A Terra é relacionada com o corpo físico e com as sensações.
  • A Água é relacionada com a alma e com as emoções e sentimentos.
  • O ar é relacionado com a mente e aos pensamentos e idéias.
  • O fogo é relacionado com o espírito e associado à consciência, a claridade, a inspirarão.
O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão de que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado nas práticas xamânicas das diversas tradições do planeta para os dias atuais. Assim, pretendemos contribuir para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo e resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecológicamente correta. 

Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres, pedras, plantas, animais, pássaros, peixes e até insetos.Para garantir sua sobrevivência em ambiente hostil os homens primitivos interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, manifestações da natureza, vento, chuva, etc. 


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Os caminhos do xamanismo são espirituais. A prática xamânica compreende a capacidade de entrar e sair de estados de consciência, de realidades não-ordinárias Os estados alterados de consciência não envolvem apenas o transe e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, promover curas, oráculos.
Os estados alterados de consciência incluem vários graus. Stanley Kryppner chega a classificar vinte estados diferentes de consciência. Elíade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc.,também são nomes para a mesma manifestação. 

São através desses estados que conseguimos conexão com nossos mitos, símbolos, nossa verdade interior. Conseguimos expandir a percepção para mistérios que estão guardados em nós mesmos. Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia.Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária não conseguimos alcançar níveis profundos do nosso ser. Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência, dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder (enteógenos), respirações, posturas corporais, e outros.
Através desses estados especiais alcança-se uma experiência divina, acessa-se uma fonte de Sabedoria Superior, podemos curar nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões, expandimos a nossa consciência. 

Aprende-se as influências e forças da Terra e como as energias naturais afetam a vida. Tudo na natureza cresce e muda. É um ciclo. Os povos antigos consideravam a viagem circular da Terra ao redor do Sol, uma roda, representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento, maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e novamente renascimento, refletido na vida humana e na natureza. 

Os nativos reconhecem o círculo como o principal símbolo para o entendimento dos mistérios da vida. Observaram que ele estava impresso em toda a natureza. O homem olha o mundo através dos olhos que é um círculo. A Terra, a Lua, o Sol, os planetas; são todos circulares. O nascer e o por do Sol acompanham um movimento circular. As estações formam um círculo. Os pássaros constroem ninhos em círculos, animais marcam seus territórios em círculos. As cabanas, ocas, tipis são circulares. 

O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas "Forças Verdadeira acessadas desde o princípio na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentí-las atuando em todos os momentos das cerimônias. 

Podemos sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida, nos tornarmos parte de uma comunidade global, propomos o Vôo da Consciência em busca de novos horizontes, de novas conquistas, de um novo ser, de uma nova vida. O início de uma vida pautada na sabedoria encontrada nas folhas, nos movimentos dos ventos, no poder transformador do fogo, nos espíritos ancestrais, na jornada da alma, na missão. 

As religiões do mundo moderno não têm tempo para a ecologia espiritual assim como a cultura e o modelo de pensamento consumista atuante. As Grandes Religiões inspiram e apontam para uma vida eterna fora deste planeta e pouco se preocupam em honrar as realidades do espaço sagrado em que vivemos. Atualmente muitos vivem com uma sensação de separação, isolamento, um sentimento de que deva existir um sentido maior na vida. Os rituais xamânicos podem trazer a consciência de somos apenas um "microcosmo", que somos parte de "algo maior", que somos filhos da Terra, parte de uma Terra Viva.








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Fonte:

 http://www.xamanismo.com.br/Universo/SubUniverso1186617496

17 de jun. de 2014

VELADORES SILENCIOSOS


 

Um velador silencioso , retirado, mas ainda e sempre em atividade, dedicando seus dias aos estudos e à meditação , em harmonia com seus amigos , seus leitores e com os cavaleiros de todo o mundo. 

VIAJANDO NAS CORES DO CORAÇÃO ESPIRITUAL

 

(Transcrição de um trecho do programa "Viagem Espiritual", do dia 22 de junho de 2000, com o Prof. Wagner Borges - Rádio Mundial de São Paulo - 95,7 FM)

Existe um lugar onde todas as dúvidas são diluídas. Um lugar que não sofre a ação do espaço/tempo, onde se juntam todos os melhores potenciais de um ser.
Esse local é a casa do coração. Ali reside um imenso sol, que dissolve os bloqueios e que transmite a verdadeira sabedoria além das formas, além do tempo, além do espaço e além dos cinco sentidos...

Essa luz é interna, nunca se apaga. É luz imortal, pertence ao Eterno, apenas entra e sai do corpo junto com a própria alma em evolução.

Essa luz é o guia interno, o velador silencioso que descortina novos horizontes e cicatriza as feridas emocionais, que harmoniza e que é o centro da gravidade espiritual de cada ser.

Essa luz mora no coração e apresenta várias cores, dependendo dos nossos sentimentos. Ela pode se manifestar-se no rosa puríssimo, espelhando o amor que vai dentro do coração. Também pode manifestar o violeta das altas aspirações espirituais, da busca cósmica e da evolução para patamares superiores. Essa mesma luz pode ficar azulada, a cor da religiosidade, da busca do céu; pode ficar verde, cor da cura e da estabilidade; pode ficar amarela, limpar os bloqueios e dissolver as trevas internas do medo e da depressão; pode ficar dourada, espelhando uma limpeza interna da própria consciência.

Essa luz pode assumir várias cores, dependendo daquilo que a pessoa pensa e sente. Mas essa luz nunca fenece, é imortal, porque é a presença divina dentro de cada um de nós. Essa luz é o guia interno, o velador silencioso que não fala, mas que se comunica; que não se apresenta ostensivamente, mas que está ali presente todo o tempo, sempre esteve e sempre estará. É o verdadeiro guia, o verdadeiro mestre. É o guru interno e silencioso de cada um.

Essa luz mora em nossos corações, e é muito sensível à música, à poesia, à arte, à espiritualidade e ao amor.

E talvez, de alguma maneira desconhecida de todos nós, é possível que seres espirituais de vários planos de manifestação possam atuar no momento presente, dentro de nós, nessa luz além do espaço/tempo, que sabe a mensagem do velador silencioso e que só se comunica na linguagem do amor.


"Há uma luz
Que brilha mais do que
Bilhões de sóis juntos.
É a essência da alma.
Essa é a luz que brilha no coração."
Paz e Luz.


«Veladores Silenciosos»   é    uma   expressão   muito  usada  na  definição  dos  Mestres Ascencionados, por  sua  vez  associados  à  Grande  Fraternidade Branca. Estas linhas espirituais são muito utilizadas, sobretudo a partir dos anos 90, em que se notou uma deslocação colectiva mental da prática de devoção aos Santos para o amor aos Mestres Ascencionados,

A partir daí, foi conhecida uma complexa hierarquia, em que cada Mestre está ligado a um dos Raios Divinos. É uma coisa muito do 7º Raio, que trata dos rituais e cerimoniais. Foi necessária esta reestruturação das ideias, porque a mente do ser humano necessita entender os assuntos de forma estruturada, esquematizada e organizada.

Nesta estrutura dos Mestres Ascencionados existe a classificação de «Veladores Silenciosos», considerados como Seres que velam por grandes organizações planetárias e galácticas. O que é verdade, pois os planetas são seres vivos e orgânicos enquadrados na Criação de Deus. Mais recentemente, começou-se a atribuir qualidades mais próximas de nós, aos Veladores Silenciosos, como por exemplo: a guarda de cidades, países e, inevitavelmente, templos e igrejas. Nem podia ser de outra maneira. Procurem no Google e compreenderão do que falo.

Pretendo apenas fazer esta pequena afirmação: todos nós, seres humanos, somos veladores silenciosos. Quando dormimos, o nosso espírito simplesmente sai do nosso corpo físico e vai desempenhar certas tarefas.

Uma das tarefas mais nobres que desempenhamos fora do nosso corpo é a ajuda que prestamos, fornecendo a nossa energia a quem dela necessita: doentes, pessoas desesperadas, pessoas em sofrimento, amparo e cuidados aos indefesos. Isto, também é ser um velador silencioso.

Wagner Borges
 

CAUSA KÁRMICA RELIGIOSA




 Chagdud Tulku Rinpoche

"Uh oh! Não durmas agora, ser afortunado.
Desperta com diligência.
De tempos sem princípio até agora tens dormido em ignorância.
Agora é o momento de deixar o sono para trás e praticar virtude, com corpo, fala e mente.

Não te lembras de nascimento, doença, velhice e morte?

Todo sofrimento além da conta e além da medida?
Esqueceste?
Quem sabe se terás o dia inteiro?
Agora é o momento de praticar com diligência.
Ainda tens esta oportunidade de gerar benefício duradouro, então, por que desperdiçá-la por preguiça?

Se realmente contemplares a impermanência, consumarás a tua prática rapidamente.
Quando a hora da tua morte chegar, estarás confiante.
Com a tua prática consumada, não terás nenhum arrependimento.
Sem esta confiança, qual terá sido o propósito da tua vida?
A natureza de todos os fenômenos é vazia e sem identidade, como a lua refletida na água, uma bolha, uma alucinação, uma emanação, uma ilusão, uma miragem, um sonho, uma imagem no espelho, um eco.
Todo o samsara, todo o nirvana é assim.
Reconhece todas as coisas desta maneira.
Nada vem, nada fica, nada vai, além de qualquer descrição por palavras, além de qualquer concepção da mente.
Agora é o momento de alcançares a realização que é sem sinais."


— Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche

* As exatas palavras de Chagdud Tulku Rinpoche ao alto-falante numa manhã no Khadro Ling em Três Coroas.

Esta transmissão foi  dada  por  ocasião  do  Parinirvana  de  um  grande lama.  O   Rinpoche  deu  seu  último suspiro durante a madrugada de domingo, dia 17 de novembro, no Khadro Ling, no Brasil. 


"Quando um grande mestre morre, segue-se um período em que bênçãos descem sobre quem quer que as peça com devoção. Este é o momento de rezar para que as suas aspirações mais elevadas se realizem."


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— Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche



A mística sobre a reencarnação tem sido, por séculos, objeto de fascinação para a mente curiosa. Desde o começo dos tempos o homem tem cogitado sobre a possibilidade da vida ser um tecido contínuo, no qual o processo de 'vida e morte' são somente fases que evoluem de um estágio da existência para outro. A astrologia em geral prevê que se os astros possuem influência sobre a nossa vida e se cada uma das vidas deixa marca para as próximas isso tem de forçosamente estar traçado um próximo projeto reencarnatório. 

Mas como?

O que se usa? 

 Bem, os projetistas reencarnatórios conjuntamente com o reencarnante (se for seu merecimento participar) fazem um novo projeto,  e assim traçam a melhor forma de ser realizado este projeto com êxito. 

E uma das metas num projeto reencarnatório é a simpatia, ou mesmo empatia por uma religião específica,  Cada ser humano vem com uma trajetória religiosa específica,  onde se encontra e se sente bem. E Chagdud Tulku Rimpoche  denominava de ' causa kármica religiosa'.   Informava que, cada ser humano tem um número específico de camisa,   uns usam manequim 40, alguns 54, outros 50  e assim por diante.  Desta forma, aquele que usa camisa de manequim 40 não vai se sentir bem, em um de número 54.  Assim é a religião,    adequação perfeita numa religião é exatamente sua  'causa kármica religiosa'. Por isso,  se compramos e usamos uma roupa que serve perfeitamente em nós.

Este seminário  eu assisti, quando fiz a Formação Holística de Base da UNIPAZ  e, quando senti um profundo respeito pelo Zen Budismo.

Fico por aqui, despedindo de vocês com um desejo que cada um encontre a sua religião da alma.
Paz Profunda!
Norma